Os expoentes do futebol feminino

Em outros tempos o machismo imperava e o jargão “futebol não é coisa de mulher” pairava. O mundo foi evoluindo, muralhas e barreiras foram caindo e a mulher enfim foi ganhando seu espaço na sociedade, seja ele no trabalho, nos estudos ou nos estádios. A princípio iam aos estádios para acompanhar o marido, namorado, pai ou irmão, até que, a emoção no peito aflora, a pele arrepia, o sangue sobe e ela grita gol de uma forma enlouquecedora mostrando amor por este esporte. Literalmente futebol na veia.

A partir de então, um espaço começou a crescer no esporte para as meninas. Desde os tempos do britânico Ladies Football Club, primeiro clube feminino da história, criado pela ativista dos direitos da mulher Nettie Honeyball, em 1894, elas vêm lutando pela equidade de direitos e tentando provar que poderiam alcançar a emancipação e ter um lugar importante na sociedade futebolística.

Com a 1ª Guerra Mundial, muitos homens foram aos campos de batalha o que obrigou a “mulherada” a ir para as fábricas realizarem o trabalho braçal, onde, talvez por acaso ou brio, montaram um time de futebol que bateu de frente, e venceu os homens, dando início ao primeiro grande passo delas.

Nos anos 90 o futebol feminino realmente tornou-se popular com a Copa do Mundo de 1991, onde começaram a surgir grandes nomes no esporte. Estados Unidos e Alemanha tornaram-se potências ao vencerem 5 das 7 Copas até hoje, três os EUA (1991, 1999 e 2015) e duas os alemães (2003 e 2007). Com forte investimento de seus países, conseguiram revelar muitos craques e até lendas do futebol.

Do lado americano, Mia Hamm, duas vezes melhor jogadora do mundo (2001 e 2002), além de duas Copas do Mundo (1991 e 1999) e dois ouros olímpicos, em Atlanta 1996 e Atenas 2004; Abby Hambach, ouro em Atenas 2004, campeã da Copa do Mundo de 2015 e maior artilheira da história da Seleção Estadunidense com 184 gols e única atleta a marcar tantos gols por uma mesma seleção, dentre homens e mulheres; e Carli Lloyd bicampeã olímpica, campeã da Copa do Mundo de 2015 e das vezes melhor jogadora do mundo, 2015 e 2016.

Do lado germânico, destaca-se Bettina Wiegmann, capitã da seleção alemã na conquista do Mundial de 2003 e três Eurocopas (1995, 1997 e 2001) e Birgit Prinz, bicampeã da Copa do Mundo (2003 e 2007), pentacampeã da Eurocopa Feminina (1995, 1997, 2001, 2005 e 2009) e três vezes melhor jogadora do mundo (2003, 2004 e 2005).

As seleções da Noruega e Japão são as outras campeãs da Copa do Mundo 1995 e 2011, respectivamente, e tiveram suas gerações marcadas por Bente Nordby e Hege Riise, pelo lado norueguês, onde ainda venceram duas Eurocopas (1987 e 1993) e um ouro olímpico em Sidney 200. Pelo lado japonês, Homare Sawa foi, e ainda é, o maior nome do futebol feminino japonês. Além de campeã do mundo com sua seleção, foi eleita a melhor jogadora do mundo no mesmo ano, 2011. China e Suécia são outras potências do esporte.

E o Brasil, onde o futebol feminino é pouquíssimo nada valorizado, tivemos várias campanhas de destaque e, pelo menos, 3 grandes nomes do futebol mundial nascido em território verde e amarelo. O Brasil feminino venceu 6 vezes o campeonato sul-americano (1991, 1995, 1998, 2003, 2010 e 2014), três ouros Pan-americanos (2003, 2007 e 2015), duas pratas olímpicas (2004 e 2008) e um vice-campeonato na Copa do Mundo de 2007.

As brasileiras mais notórias são Cristiane, maior artilheira do futebol em Jogos Olímpicos, independente de gênero, com a marca de 14 gols, segunda maior artilheira da história da Seleção Brasileira com 83 gols em 117 participações, Formiga, única jogadora de futebol do mundo a ter participado de seis Jogos Olímpicos, atleta que mais vezes vestiu a camisa da Seleção Brasileira com 151 partidas, ultrapassando o lateral Cafu, além de 7ª maior artilheira da Seleção com 24 gols e “ela”, a rainha, com toda certeza o maior nome do futebol feminino mundial, Marta.

Marta é um capítulo à parte. Mesmo sem conseguir um título de expressão como a Copa do Mundo ou uma Olimpíada, Marta conseguiu levar, junto a Cristiane, Formiga e cia., a Seleção Brasileira ao patamar de potência (no sentido de Seleção e não em relação a campeonato nacional, visto que, apenas uma jogadora do elenco atual joga em clube brasileiro e 4 são recebem para jogar apenas pela Seleção).

A rainha foi eleita por 5 vezes consecutivas a melhor jogadora do mundo (2006, 2007, 2008, 2009 e 2010), sendo a primeira atleta, independentemente do gênero, a ser eleita 5 vezes a melhor do mundo (sendo igualada por Messi, em 2015), mas é a única de forma consecutiva. A camisa 10 da seleção canarinha ainda foi eleita a melhor jogadora e artilheira da Copa de 2007, é a maior artilheira da história da Seleção Brasileira, masculina e feminina, com 103 gols em 102 partidas, incrível média superior a 1 gol por jogo, superando nada mais, nada menos que Pelé, maior jogador de todos os tempos. Além disso, também é a maior artilheira da história da Copa do Mundo Feminina com 15 gols e 2ª maior artilheira, ao lado de Ronaldo, se juntarmos todas as Copas, ambos ficando atrás apenas do alemão Miroslav Klose, com 16 gols.

Marta e cia. fizeram com que o Brasil começasse a abrir os olhos para o futebol feminino que, mesmo sem investimento, vem fazendo excelentes campanhas e chamando a atenção do povo brasileiro que dá cada vez a real importância que estas meninas merecem.

Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, um apelo para que o futebol feminino nacional tenha o valor que merece, afinal, o que essas mulheres fazem em campo, nas arquibancadas, bares e no sofá de casa, é muito mais que jogar, analisar e torcer, é viver o futebol.

Eric Filardi

Sobre Eric Filardi

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Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia. Sou Eric Filardi, paulistano de 27 anos, jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo e apaixonado por futebol. Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, Peixe, Palestra e Timão. Sou da Colina, Glorioso, Flu e Mengão. Sou brasileiro, hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 x 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões. Sou Clássico das Multidões. Sou Sul, Nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, Raposa, Bavi e Grenal. Sou Ásia e África. Sou Barça e Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas, que o estádio incendeia: sou Futebol na Veia.

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