UEFA divulgou, nesta sexta-feira (13), uma lista com os 10 treinadores de maior impacto no futebol europeu desde a fundação do organismo, em 1954. Vale ressaltar que os nomes não estão em nenhuma ordem específica, ou seja, não há qualquer espécie de “ranking”. Confira a lista:

Brian Clough (1935-2004): Arrogante, polêmico, excêntrico, lendário, motivador. Esses são alguns adjetivos possíveis para definir o primeiro nome da lista. Antes de começar sua carreira de técnico, Brian Clough foi um grande atacante, sendo o jogador que precisou de menos partidas para ultrapassar a marca dos 200 gols em ligas inglesas. A carreira do artilheiro foi premiada ao entrar para o Hall da Fama do Futebol Inglês em 2002.

Trocando as chuteiras pelas pranchetas, devido à sérias lesões no joelho, Clough levou o modesto Derby County, em cinco temporadas, de ameaça de rebaixamento à terceira divisão ao título do Campeonato Inglês (1971/1972). O treinador assumiu o comando do Nottingham Forest em 1975, que além de ser rival de seu ex-clube vivia graves problemas financeiros. Entretanto, as adversidades encontradas não impediram Clough de permanecer no comando da equipe até 1993 e realizar feitos memoráveis. À frente do Nottingham Forest, com jogadores medianos, o time conquistou de forma histórica o bicampeonato da Liga dos Campeões (1978/1979 e 1979/1980), além de um Campeonato Inglês (1977/1978) e quatro Copas da Liga Inglesa (1977/1978, 1978/1979, 1988/1989, 1989/1990).

Confira algumas frases polêmicas de Brian Clough:

“Eu não diria que fui o melhor técnico no negócio, mas estava no Top 1”

“Se um presidente demite o técnico que ele escolheu inicialmente, ele também deveria ir embora” (Se isto fosse aplicado no futebol brasileiro…)

“Eu dava aos meus jogadores uma versão da mesma mensagem todos os jogos: ‘Eu poderia chutar minha avó agora pelos três pontos nesta tarde’. Eles sabiam o quão importante era dar tudo pela vitória. Todas as vezes. É por isso que minha avó teve mais vidas que meu gato”.

Johann Cruyff (1947-2016): “Só tem uma bola, então é preciso tê-la”. “No meu time, o goleiro é o primeiro atacante e o atacante, o primeiro defensor”. Essas frases resumem sucintamente a filosofia utilizada em campo (e também na beira dele) pelo craque holandês. Atuando de forma considerada “elegante”, Johann Cruyff tornou-se o maior jogador da história do Ajax e da Holanda. Conquistando diversos títulos pelo clube que o revelou e posteriormente no Barcelona, o eterno camisa 14 apresenta também em seu currículo três Bolas de Ouro (1971, 1973 e 1974).

Comandando o Barcelona, Cruyff revolucionou e suas marcas na maneira de jogar no clube catalão estão presentes até hoje. Com uma grande quantidade de passes rápidos e precisos, e muitas vezes com os jogadores atuando sem posição fixa (estilo que lembra o “Futebol Total” da seleção holandesa da década de 1970), a equipe ganhou quatro Campeonatos Espanhóis seguidos (1990/1991 até 1993/1994) e a primeira Liga dos Campeões (1991/1992) do clube.

Vicente del Bosque (1950-hoje): Responsável por escalar a melhor geração da Espanha, Vicente del Bosque viveu a maior fase de sua seleção ganhando a Copa do Mundo de 2010 e a Eurocopa de 2012. Assumindo o comando da Fúria em 2008, logo após a conquista da Eurocopa, o técnico foi muito privilegiado ao ver Xavi e Iniesta jogarem em altíssimo nível e comandarem a equipe em campo até 2016, quando se demitiu.

Del Bosque também teve muito sucesso no Real Madrid, tanto como jogador quanto técnico. Jogando ou dirigindo o clube merengue, o Del Bosque somou diversos títulos ao longo dos anos, entre eles duas Ligas dos Campeões (1999/2000, 2001/2002) e o Mundial de Clubes de 2002, além de sete Campeonatos Espanhóis e outros campeonatos nacionais.

Sir Alex Ferguson (1941-hoje): Este é um nome lendário no futebol mundial, que simplesmente não poderia faltar na lista. Conhecido por ser uma referência na parte tática, adaptando-se com o passar das décadas, Alex Ferguson comandou o Manchester United por 27 anos e conquistou incríveis 49 títulos, entre eles, 13 Campeonatos Ingleses e cinco FA Cups, acumulando 1.500 partidas à frente do time. Antes de chegar aos Red Devils, o ex-treinador jogou como atacante em clubes escoceses, sua terra natal.

Logo após sua aposentadoria como atleta, aos 32 anos, Ferguson tornou-se técnico East Stirlingshire, na Escócia, e logo foi ganhando fama de tático e também disciplinador. Obtendo Campeonatos Escoceses ao longo dos anos, o sucesso de Ferguson o levou à Manchester, e lá seu nome ainda será lembrado por muitas décadas. Não só mostrava profissionalismo, ao por exemplo não envolver questões pessoais em seu trabalho (já houve desentendimentos entre o escocês e Ryan Giggs e Gary Neville, mas isto não fez com que os jogadores fossem transferidos), mas viveu as maiores glórias do United, ao vencer as duas Ligas dos Campeões (1998/1999, 2007/2008) e os dois Mundiais de Clubes (1999 e 2008) da galeria de troféus do Old Trafford.

Helenio Herrera (1910-1997): Rei do Catenaccio, um esquema conhecido por uma defesa sólida, contando com o recuo excessivo de todos os jogadores em campo (conhecido erroneamente como “retranca”), e também responsável por escalar a “Grande Inter” da década de 1960. Composta por grandes jogadores como Luís Suárez, o brasileiro Jair da Costa e Sandro Mazzola, Helenio Herrera venceu três Campeonatos Italianos (1962/1963, 1964/1965, 1965/1966), e os bicampeonatos da Liga dos Campeões (1963/1964, 1964/1965) e Mundial de Clubes (1964 e 1965) com a melhor Inter de Milão da história. Não tendo sucesso como jogador, atuando como zagueiro em clubes franceses, Herrera também ganhou títulos pela Espanha, no Atlético de Madrid e no Barcelona. O técnico argentino era também muito famoso por seu trabalho extra-campo, enfrentando o desafio de conhecer seus adversários sem grande auxílio da tecnologia, além de desestruturá-los psicologicamente com provocações.

Udo Lattek (1935-2015): Lenda do futebol germânico, Udo Lattek é o técnico mais vitorioso da história do Campeonato Alemão, conquistando oito edições. Atacante de certo sucesso, tornou-se treinador aos 35 anos, e logo seu primeiro trabalho foi comandar o Bayern de Munique, indicado por seu compatriota Franz Beckenbauer. Em sua primeira passagem na equipe bávara, contando com o medalhão Gerd Müller, Lattek foi o primeiro a conquistar o tricampeonato Alemão (1971/1972 até 1973/1974), além de uma Liga dos Campeões (1973/1974). Além de ganhar outros campeonatos em outros clubes alemães, Lattek dirigiu também Atlético de Madrid e Barcelona, comandando Diego Maradona na Catalunha. Criar táticas, motivar jogadores, unir o time, e é claro, ganhar títulos. Esta foi a carreira de Udo Lattek.

Valery Lobanovsky (1939-2002): Perfeição, esforço exaustivo, ciência. Palavras-chave que explicam o método revolucionário utilizado por Valery Lobanovsky na extinta União Soviética, o “Futebol Científico”. O técnico ucraniano utilizava os números para buscar a perfeição em campo. Ele acreditava que, se um time tivesse uma margem de erro até 15% durante toda a partida, esta seria invencível. Antes de começar a temporada, Lobanovsky fazia algo que nenhum clube europeu fazia. Todos os jogadores eram submetidos a uma série de teste físicos e psicológicos para que os pontos fracos fossem melhorados e os pontos fortes explorados. Sua fama é dada por dirigir o Dinamo de Kiev de 1975 a 1990, a fase mais vitoriosa da equipe ucraniana, quando conquistou diversos títulos soviéticos, entre eles, oito Campeonatos da URSS, além da Supercopa da UEFA de 1974. Lobanovsky também treinou a seleção da União Soviética, sendo vice-campeão da Eurocopa de 1988.

Rinus Michels (1928-2005): A frase “ninguém lembra do 2º colocado” é absolutamente equivocada ao tratar do holandês Rinus Michels. Sua maior “criação” infelizmente não pode levantar uma taça, mas isso não impediu que este time se eternizasse na história. Antes de ser técnico, atuou como atacante durante toda a sua carreira no Ajax, totalizando 122 gols em 264 partidas e conquistando dois Campeonatos Holandeses (1946/1947, 1956/1957). Características como trabalho duro e vontade de vencer marcaram sua vida no futebol.

Sem conseguir se manter longe dos gramados depois da aposentadoria, Michels tornou-se treinador de pequenas equipes amadoras nos subúrbios de Amsterdã, sua cidade natal, na década de 1960. Sua postura como técnico, somada com os maus desempenhos do Ajax nas últimas temporadas, fez com que Michels assumisse o comando de sua ex-equipe em 1965. Logo em sua temporada de estreia, o técnico tirou o Ajax da fila e conquistou ao todo quatro Campeonatos Holandeses (1965/1966, 1966/1967, 1967/1968, 1969/1970) e uma Liga dos Campeões (1970/1971). Michels fez um trabalho brilhante dirigindo o time, inovando com o “Futebol Total”, um estilo de jogo que contava com muita disciplina e resistência física dos jogadores para não manterem posição fixa e marcarem em blocos, com sabedoria. Neste período, a equipe do Ajax começou a adiantar seus defensores em relação aos atacantes adversários, deixando-os muitas vezes em impedimento. Michels levou suas táticas a seleção holandesa, que agora era conhecida como “Laranja Mecânica” e “Carrossel Holandês”. Liderados em campo por Cruyff, que tinha muito contato com o técnico desde os tempos de Ajax, a Holanda apresentou um futebol encantador e chegou à final da Copa do Mundo de 1974, mas foi derrotada de virada para a Alemanha. Michels também treinou o Barcelona, mas ganhou apenas um Campeonato Espanhol (1973/1974) e uma Copa do Rei (1977/1978). O sucesso do treinador holandês foi prestigiado novamente em 1999, ao ser nomeado pela FIFA o Melhor Técnico do Século XX.

José Mourinho (1963-hoje): Este nome acumula um feito invejável para a maioria dos técnicos. José Mourinho ganhou títulos pelos países que passou, e conquistou pelo menos um troféu por ano entre 2002 e 2012. Polêmico, provocador e motivador, o técnico português nunca foi unanimidade, sempre alvo de muitas críticas acusando-o de ser “retranqueiro” e aproveitar mal bons jogadores, jogando por uma chance no jogo todo, seja por contra-ataque ou bola aérea.

O primeiro trabalho de destaque foi no Porto, após passar sem sucesso por Benfica e União de Leiria. No novo clube, Mourinho conquistou o bicampeonato Português (2002/2003, 2003/2004) e a histórica Liga dos Campeões de 2003/2004. A proposta milionária feita por Roman Abramovich, presidente do Chelsea, trouxe o técnico à Londres, tornando-o um dos treinadores mais bem pagos do mundo. O português também se intitulou “The Special One”, apelido que o acompanha até hoje. Nos Blues, Mourinho ganhou em suas duas passagens três Campeonatos Ingleses (2004/2005, 2005/2006, 2014/2015), uma FA Cup (2006/2007) e três Copas da Liga Inglesa (2004/2005, 2006/2007, 2014/2015), além do vice-campeonato da Liga dos Campeões 2007/2008. Sem sucesso na competição continental, Mourinho assinou com a Inter de Milão em 2008. Em apenas dois anos, o português virou ídolo ao conquistar um Liga dos Campeões (2009/2010) e o bicampeonato Italiano (2008/2009, 2009/2010). Mesmo com o apelo dos torcedores, Mourinho decidiu seguir seu sonho e passou a ser técnico do Real Madrid. Entretanto, os sucessos anteriores não se repetiram na capital espanhola, e após parar em duas semifinais seguidas da Liga dos Campeões e ter problemas pessoais com jogadores do elenco, o técnico foi demitido e retornou ao Chelsea. No clube merengue, Mourinho conquistou um Campeonato Espanhol (2011/2012) e uma Copa do Rei (2010/2011). Após o pior início de temporada da carreira do treinador, o português foi demitido dos Blues em dezembro de 2015, e em fevereiro acertou com o rival Manchester United. Os Red Devils não vivem um bom momento no Campeonato Inglês, amargando a 6ª colocação.

Arrigo Sacchi (1946-hoje): Fechando a lista dos 10 melhores técnicos da UEFA, surge um nome revolucionário no futebol italiano e ídolo do Milan. Arrigo Sacchi não jogou profissionalmente antes de tornar-se técnico, algo utilizado constantemente por seus críticos, mas isto não o impediu de inovar. “Nunca tinha pensado que para ser um jóquei precisava ser um cavalo antes”. Esta era a resposta.

Desde os tempos de Parma, na Série C, o técnico utilizava um ousado 4-4-2, muito eficiente tanto defensivamente quanto ofensivamente e com muita movimentação dos jogadores, com ou sem a bola. O futebol de Sacchi era muito diferente dos outros apresentados na Itália, onde a maioria era composta por esquemas excessivamente defensivos que contavam com 3-5-2 e líberos. A carreira do técnico deu uma verdadeira guinada após a Copa da Itália de 1986/1987, na qual o Parma, agora na Série B, enfrentou o gigante Milan. Jogando fora de casa, o Parma surpreendeu e venceu por 1×0. Nas fases eliminatórias, nova vitória no San Siro e o Milan havia sido eliminado. Encantado com a “revolução” de Sacchi, Silvio Berlusconi, presidente do Milan, apostou no futebol envolvente do jovem treinador e o contratou em 1987. Em seu novo clube, o técnico criou um time letal, que foi apelidado de “Calcio Totale” (Futebol Total). Sempre exigente nos treinamentos, especialmente com o posicionamento, Sacchi encurtava propositalmente o campo para aumentar a dificuldade das trocas de passe (técnica muito comum hoje em dia). Com um fantástico time composto por Baresi, Maldini, Ancelotti, Rijkaard, Gullit e van Basten, o Milan foi bicampeão da Liga dos Campeões (1988/1989, 1989/1990) e do Mundial de Clubes (1989 e 1990), além de um Campeonato Italiano (1987/1988). Após maus resultados com o Milan em 1991, Sacchi deixou o clube e aceitou o convite da Federação Italiana para assumir o controle da seleção. Sem van Basten ou Gullit em seu ataque, o técnico conseguiu levar a Itália de volta a Copa em 1994. Após uma fase de grupos conturbada, a Azzurra contou com Roberto Baggio para chegar à final. Entretanto, após um empate sem gols, a taça de campeão do mundo foi decidida nos pênaltis, e o herói da campanha italiana até então tornou-se “vilão”. Baggio chutou por cima do gol, tornando o Brasil tetracampeão. Em 1996, Sacchi retornou ao Milan, mas não conseguiu repetir o sucesso anterior, e passou por Atlético de Madrid e Parma, onde se aposentou em 2001.

Guilherme Papa
Guilherme Papa é estudante, de 21 anos, da turma do 5º semestre de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo. Completamente louco por futebol, tem como objetivo transmitir informações do mundo da bola da melhor maneira possível.

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