Seleção dos subestimados

O torcedor brasileiro possui memória curta, adora estereótipos e rótulos, sendo que ninguém é herói ou vilão durante toda a carreira. Sendo assim, por conta de um lance ou fato, um jogador bom de bola pode ser lembrado como perna de pau ou apenas ”mediano”. Confira hoje na coluna Rasgando o Verbo11 brasileiros subestimados na história, todos de Seleção:

1-ANDERSON POLGA (ZAGUEIRO)

Com boas atuações pelo Grêmio, foi considerado uma das salvações da enfraquecida defesa brasileira montada no começo dos trabalhos do treinador Luiz Felipe Scolari. Sendo assim, marcando gols em jogadas aéreas, recebeu uma chance na equipe titular, mas fracas atuações nas partidas que antecederam a Copa de 2002 o mandaram para a reserva. Em 2003, foi jogar no Sporting, de Portugal, onde conquistou títulos até retornar ao futebol brasileiro em 2012, no Corinthians.

2-EDÍLSON (MEIA-ATACANTE)

Arisco, habilidoso, driblador e veloz. Sendo assim, recebeu o apelido de ”Capetinha” de tanto infernizar a vida dos zagueiros. Goleador oportunista, virou ídolo nos times que defendeu. Vendido ao Palmeiras, fez parte do esquadrão que faturou o Brasileirão de 1993. Após temporadas no Benfica, de Portugal, e Kashiwa Reysol, do Japão, voltou ao futebol brasileiro para jogar no Corinthians. E, como de costume, fez a diferença.

Reprodução/Getty Images

Sendo assim, com muita correria e gols, foi a principal arma do Timão na conquista do Brasileirão de 1998. Dessa forma, na final do Estadual de 1999, fez embaixadinhas no segundo tempo e provocou a ira dos adversários. Apesar de tudo, deixou o clube sendo agredido por integrantes de organizada que o acusavam de mercenário e corpo-mole. Dessa maneira, teve duas passagens no Flamengo e uma no Vasco. Por fim, convocado para a Copa do Mundo de 2002, jogou como titular contra a Costa Rica e na semifinal contra a Turquia, substituindo Ronaldinho Gaúcho, que estava suspenso.

3-JUNINHO PAULISTA (MEIA)

Jogador ágil, compensava o corpo franzino com arrancadas velozes. Começou no Ituano e consagrou-se no São Paulo. Em 1995, chegou à Seleção Brasileira e foi vendido ao inglês Middlesbrough. Conquistou o Bronze na Olimpíada de Atlanta em 1996. Nome certo entre os 22 escolhidos de Zagallo para a Copa da França, fraturou a fíbula quatro meses antes. Dessa maneira, após uma luta heroica para se recuperar, voltou ao seu time, o Atlético de Madrid, 30 dias antes da estreia da Seleção.

PA Images/seleção
Reprodução/UOL

Porém, o esforço não sensibilizou o treinador, que o deixou fora. Quatro anos depois, disputou a Copa de 2002 iniciando como titular. Virou reserva de Kléberson, mas acabou entrando nos minutos finais da final contra a Seleção Alemã.

4-LUIZÃO (ATACANTE)

Típico centroavante matador: se posicionava bem na área, tinha precisão no cabeceio e não perdia muito tempo com a bola antes de mandá-la para o fundo das redes. Sendo assim, em 2000, jogando pelo Corinthians, tornou-se o maior artilheiro do Brasil em uma edição de Libertadores, com 14 gols. Medalha de Bronze na Olimpíada de Atlanta em 1996, virou o herói da sofrida classificação para a Copa de 2002 ao marcar dois gols na vitória sobre a Venezuela.

seleção
Reprodução/Folhapress

Dessa maneira, no Penta mostrou sua malandragem ao ludibriar o árbitro, cavando uma penalidade na estreia contra a Turquia. Após passagens decepcionantes por Grêmio e Botafogo, se destacou por São Paulo e Flamengo.

5-MÁRCIO SANTOS (ZAGUEIRO)

Convocado para ser reserva na Copa do Mundo de 1994, acabou entrando na vaga do contundido Ricardo Gomes e se deu muito bem ao lado de Aldair, uma dupla segura que não teve sustos. Bom no cabeceio e com boa qualidade para sair jogando, não era de jogar feio, mas, quando preciso, chegava mais duro.

Márcio Santos/Seleção
Reprodução/iG

6-MAURO SILVA (VOLANTE)

Jogador de físico e fôlego avantajados, teve grande importância na conquista da Copa do Mundo de 1994, quando, ao lado de Dunga, deu estabilidade para uma seleção que se escorou nos gols de Bebeto Romário para chegar ao tetracampeonato. Sendo assim, destacou-se no Bragantino, que assustou os grandes clubes no início dos anos 90. Em 2001, com medo da violência na Colômbia, pediu dispensa no embarque para a Copa Américaencerrando seu ciclo na Seleção Brasileira.

Reprodução/EFE Torrecilla

7-PAULO SÉRGIO (ATACANTE)

Exemplo de jogador moderno, que corria muito e jogava para o time, foi contestado ao ter sido convocado para a Seleção campeã do mundo em 1994. No entanto, provou seu valor ao fazer sucesso na Roma e no futebol alemão por Bayer Leverkusen Bayern de Munique, onde conquistou a Champions League em 2001.

Reprodução/AFP Photo

8-RAÍ (MEIA)

Jogador mais importante do São Paulo na década de 90. Contratado em 1987, após ser revelado no Botafogo de Ribeirão Preto, levou dois anos para acertar no Tricolor. Ficou muitas partidas no banco de reservas, mas a sua trajetória começou a mudar com a chegada de Telê Santana. Sob a batuta do treinador, tornou-se o líder, o cérebro e o coração do time que dominou o futebol brasileiro, conquistando o Brasileirão de 1991 e duas Libertadores: 1992 e 1993. Sua vítima preferida era o Corinthians.

Em 1998, após jogar quatro temporadas no Paris Saint-Germain, da França, voltou para a sua casa, reestreando na final do Estadual, justamente contra o Alvinegro, marcando o primeiro gol da vitória e sendo o grande herói da conquista tricolor. Na França, após uma temporada de adaptação, também virou ídolo e até hoje é adorado pela torcida. Iniciou a Copa dos Estados Unidos, em 1994, como titular, mas foi para a reserva de Mazinho. Pela Seleção, jamais conseguiu repetir o brilhante futebol. Rompeu os ligamentos no início do Brasileirão de 1998. Transformou-se em um jovem avô em 1999. Encerrou a carreira em 2000.

9-VAMPETA (VOLANTE)

Quando dirigia o time do Corinthians, o treinador Vanderlei Luxemburgo pediu sua contratação, e o país ganhou um jogador com rara capacidade de criação. Jogou alguns minutos na estreia da Seleção na Copa de 2002, contra a Turquia, no entanto ficou lembrado pelas cambalhotas que deu na rampa do Palácio do Planalto na cerimônia de recepção da conquista do Penta com o então Presidente da República Fernando Henrique Cardoso.

10-VIOLA (ATACANTE)

Um dos grandes centroavantes dos anos 90, com passagens recheadas de gols por Corinthians e Santos. Duas prorrogações foram memoráveis. Em 1988, substituiu o então titular Edmar e marcou o gol da conquista estadual para o Timão contra o Guarani, no primeiro tempo. Ganhou fama imediata e virou ídolo da Fiel. Porém, a pressão foi muito grande, e somente na volta ao clube, de 1992 à 1995, se transformou no matador implacável. Na final da Copa do Mundo de 1994, contra a Azzurra, entrou no segundo tempo da prorrogação e teve seus 15 minutos de fama. Foi também artilheiro do Brasileirão de 1998, quando esteve no auge da forma, com 21 gols, jogando no Peixe.

Reprodução/ESPN Brasil

11-ZINHO (MEIA)

Foi o jogador brasileiro mais criticado na Copa de 1994, quando recebeu o apelido de ”Enceradeira”. Girava, girava com a bola e não saia do lugar. Tornou-se tetracampeão atuando em todas as sete partidas da Seleção. Era técnico, distribuía as jogadas, apoiava o ataque, auxiliava na marcação e chutava forte. Com grande longevidade, foi um dos jogadores com maior número de títulos do futebol brasileiro.

Reprodução/Twitter

Fotos em Destaque: Reprodução/Gazeta do Povo

Renan Silva
26 anos, natural de Osasco. Graduado em Jornalismo pelas Faculdades Integradas Rio Branco. Apaixonado por Esportes e Rock n Roll, durante a infância jogou Futebol de Salão e na adolescência praticou Artes Marciais. Sempre teve gosto pela leitura, sendo um fã assíduo das revistas TATAME e PLACAR (da qual possui coleção até hoje).

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