Opinião: Pelé, brasileiros e o complexo de vira-lata

- A ideia de que não somos europeus o suficiente é mais antiga que o roubo da taça Jules Rimet
Pelé e cachorro

Na coluna Rasgando o Verbo de hoje, discutiremos os reflexos de uma lista estranha que ganhou espaço nos noticiários brasileiros após eleger Pelé o jogador mais superestimado da história. A piada é essa. Talvez por falta de estudo ou puro desrespeito, houve quem batesse palmas em território nacional, ilustrando da melhor maneira possível o que Nelson Rodrigues escreveu em 1958.

O jornalista explica: “Por ‘complexo de vira-lata‘, entendo eu, a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontraremos pretextos pessoais ou históricos para a autoestima”.

Você pode ler o material completo clicando aqui.

Essa ideia se aplica dentro e fora dos estádios, visto que também foi usada como ferramenta de manipulação social em diversos momentos históricos. Mas, no caso dessa discussão, serve como moldura de um comportamento de diminuição do futebol local. É uma atitude que desconsidera nossas propriedades e espera que os latinos do passado sejam como os europeus do presente, algo inviável.

Por isso, é importante sempre ressaltar que olhar para trás da mesma forma como se olha para frente é um erro, frequentemente cometido por aqui, inclusive. É preciso que nossa comunidade seja estudada e compreendida conforme sua própria realidade, ou a verdade pode ser distorcida.

Argumentação desleal

Apesar da publicação citada parecer inocente, ela carrega uma narrativa perigosa e bem elaborada, que convence mesmo ocultando dados importantes. Um exemplo disso é o trecho “[…] turbinou suas estatísticas com amistosos não oficiais e coisas do tipo”. Existem dados que comprovam que o ex-jogador tem muitos gols fora de torneios tradicionais, mas também se sabe que isso acontecia porque o futebol da época era diferente.

O Santos de Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe deixou de disputar edições de Libertadores para fazer excursões pelo mundo, que rendiam mais popularidade e dinheiro aos clubes. Enfim, precisamos entender isso. Nossa função, como brasileiros amantes dessa modalidade, é valorizar os feitos que, mesmo em outra realidade, foram conquistados.

Foto destaque: Divulgação/ Pelé.

Tiago Souza

Sobre Tiago Souza

Tiago Souza já escreveu 51 posts nesse site..

Formado em jornalismo pela Universidade São Judas, atuei em diversas áreas de maneira colaborativa. Sou viciado em informação e, por isso, estudo todos os dias sobre futebol e videogames, tendo essas duas vertentes como pilares da minha personalidade. Apesar de levar esses temas muito a sério, tenho a plena noção de que, sem o amor e a descontração, nenhuma delas existiria de forma tão espetacular como são hoje.

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Tiago Souza
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