Quando o assunto é futebol, não tem jeito. O Brasil é conhecido aqui, e também lá fora, como o país do futebol, é uma opinião geral. O Brasil é a única seleção a participar de todas as Copas do Mundo, e única pentacampeã do maior torneio organizado pela FIFA. Olhando assim é fácil analisar que tudo vai bem na pátria de chuteiras, certo? Errado!

Depois de chegar a três finais consecutivas de Copa (1994, 1998 e 2002) conquistando o último título em 2002, o Brasil vem enfrentando dentro das quatro linhas a maior crise técnica de sua história. Além disso, as coisas não vão nada bem fora de campo. A CBF é um barril de pólvora, sempre prestes a estourar mais um escândalo de corrupção. Trocas constantes de presidentes e cartolas, uns sob investigação, outros presos ou condenados pela justiça.

O ex-presidente da CBF, José Maria Marin, foi preso na Suíça (Reprodução/Tomaz Silva/Agência Brasil)

No meio de tudo isso, está torcedor brasileiro, que aprendeu ao longo de décadas a usar o esporte mais popular do país como um espécie de “remédio” para curar os traumas sofridos pela falta de itens básicos como, saúde, educação e segurança. Talvez seja por isso, que o futebol é para muitos o ópio do povo. Algo que lhe causa a falsa sensação de que tudo está bem.

No entanto, esse torcedor parece ter despertado para a realidade. Não se vê neste período de Copa do mundo a mesma euforia nas ruas, nos bares ou nas casas, assim como outrora. O povo tem se mostrado mais sensato e com a preocupação voltada para assuntos que influenciam diretamente o seu dia-a-dia. Não todos, é claro. Não quero generalizar. Um levantamento do Instituto Paraná Pesquisas mostrou que, antes do início do Mundial, 65% dos brasileiros se mostravam desinteressadas com a realização da Copa.

Cena rara: torcedores enfeitando rua para a Copa (Reprodução/Acritica.com)

Além dos motivos citados nos dois primeiros parágrafos deste artigo, há ainda, outras situações que explicam a falta de interesse de boa parte dos torcedores pela Seleção. Uma que os torcedores são mais ligados aos clubes, que jogam como muito mais frequência que o selecionado brasileiro. E claro, a derrota acachapante para a Alemanha no último Mundial deixou marcas que levarão ainda muitos anos para cicatrizar.

Talvez no coração do torcedor mais apaixonado, que vê na Seleção a representação da pátria amada e idolatrada, esse encanto ainda não esteja morto, apenas apagado. O certo é que a paixão tem, aos poucos, dado lugar a razão. Pelo menos quando o assunto é Brasil na Copa do Mundo.

Renato Gomes
Jornalista, 33 anos, casado e pai de uma linda princesa. Como quase todo brasileiro, amante do futebol e dos esportes em geral. Como admirador do futebol Sul-Americano, gosto muito de acompanhar os jogos da Copa Libertadores.

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