Opinião: mais uma vez, o Santos está se apequenando

A novela mexicana envolvendo Santos e Tigres, do México, por conta de um interesse do clube paulista na contratação do meia Lucas Zelarayán, parece interminável. Os mexicanos mantêm uma postura irredutível e garantem a permanência do jogador. Por outro lado, encabeçados pelo presidente José Carlos Peres, a cúpula santista se diz otimista. Mesmo que o desfecho seja positivo, há uma certeza: o Santos está se apequenando.

Os mexicanos fazem jogo duro para liberar o jogador por empréstimo. Primeiro, porque o Tigres não conseguiu repatriar o meio-campista Guido Pizarro, atualmente no Sevilla. Segundo, porque gostariam de vendê-lo, para recuperar o investimento de US$ 5 milhões feito em 2015, quando foi contratado junto ao Belgrano, da Argentina. Além disso, como o contrato do meia com seu atual clube vai até junho de 2019, ao fim do empréstimo o jogador poderia assinar um pré-contrato com qualquer clube. Então, o último empecilho imposto pela diretoria do Tigres é que o Zelarayán estenda seu contrato em um ano.

Uma negociação difícil 

Por isso, diversas idas e vindas aconteceram nos últimos dias. O negócio foi confirmado e negado inúmeras vezes. Há até uma versão dos fatos que diz que o presidente santista tem uma foto do articulador vestindo a camisa alvinegra. Na última terça-feira, o jornalista Ricardo Martins, dos canais Esporte Interativo, destacou que o martelo estaria batido. Mas, na tarde desta quarta-feira, o dirigente do Tigres, Miguel Ángel Garza foi enfático. ‘‘Não há absolutamente nada pelo Zelarayán. Ele está à disposição do time. Não chegou nada”, disse aos jornalistas locais. A informação foi reiterada pelo presidente do clube, Alejandro Rodríguez, que vetou a saída do atleta.

A princípio, o Peixe pagaria US$ 500 mil (aproximadamente R$ 1,6 milhão) pelo empréstimo e, caso queira adquirí-lo em definitivo, teria de investir quase R$ 33 milhões, uma quantia acima da realidade financeira do clube da Baixada.

Nunca vi, nem ”ouvi”, eu só ouço falar…

O Santos precisa de um armador, é verdade, mas o clube está se submetendo a uma situação ridícula. Afinal, antes dessa negociação, ninguém havia ouvido falar de Lucas Zelarayán. Nas redes sociais, alguns torcedores têm desenterrado lances compilados, a fim de exaltar a qualidade do jogador, mas se fosse um jogador de primeiro quilate, dificilmente estaria encostado em uma liga como a mexicana.

Inclusive, este é o pensamento de boa parte da torcida alvinegra. Na seção de comentários de um dos posts do jornalista Ademir Quintino, um senhor escreveu algo parecido com ”estamos enchendo a bola deste argentino, que certamente não será nada perto de Agustín Cejas ou Ramos Delgado”, que marcaram época vestindo o manto branco.

Saudosismo à parte, este é um pensamento coerente. A diretoria santista sabia da saída de Lucas Lima desde o começo do segundo semestre, mas não moveu um dedo para buscar uma reposição. Ademais, perdeu  boas oportunidades de mercado, como Nenê e Gustavo Scarpa, que não tiveram suas saídas dificultadas por Vasco e Fluminense, respectivamente. Agora, às vésperas da estreia na Libertadores, ninguém sabe quem será o responsável por municiar o ataque.

Por essas e outras, o Santos cambaleia para lá e para cá e se contenta com a sensação do quase.

André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

André Siqueira Cardoso já escreveu 313 posts nesse site..

Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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