“Existe esperança e é futebol. Dois dos melhores atacantes do mundo não estão disponíveis e nós temos de marcar quatro gols para passar em 90 minutos. Esse é o plano: vamos tentar. Se conseguirmos, será maravilhoso. Se não, falharemos da maneira mais bonita”.

A frase acima, dita pelo treinador do Liverpool, Jurgen Klopp, na véspera de uma das maiores façanhas da história do futebol mundial, serve para explicar porque o alemão, na opinião deste colunista, é o melhor técnico do mundo na atualidade.

Ver o Liverpool jogar impressiona pela intensidade dos jogadores, que sufocam os adversários do início ao fim. Mas também é prazeroso pela variedade de esquemas táticos do time de Klopp. Os Reds podem até ter uma espinha dorsal definida, com Alisson, Van Dijk, Henderson, Salah, Firmino e Mané, mas o treinador alemão se reinventou, justamente, na ausência do brasileiro e do egípcio.

No campeonato nacional, o Liverpool pode, vejam só, perder o título inglês tendo sido derrotado uma única vez. E, caso batam o Wolves, em Anfield, mas vejam o City de Guardiola derrubar o Brighton, ficarão com a segunda colocação ostentando a inacreditável marca de 97 pontos.

Um arsenal como repertório

Com a bola nos pés, o time de Klopp esbanja repertório, não tem medo de se impor fora de casa, como fez contra o próprio Barcelona, no Camp Nou, no jogo de ida. Nesta mesma Liga dos Campeões, o time inglês venceu os bávaros do Bayern de Munique, na Alemanha, por 3 a 1, depois de um empate sem gols em Anfield.

Nas duas últimas temporadas, o Liverpool é um time em plena sintonia, que une o jogo de velocidade, que consagra Mané e Salah, as infiltrações pelo meio, visando Firmino, os lançamentos de Van Djik e a bola parada, sobretudo com o jovem Alexander-Arnold, autor da assistência astuta e magicamente inteligente para o derradeiro gol de Origi.

Nesta temporada, porém, o Liverpool parece mais maduro. Contra o Real Madrid, na finalíssima do ano passado, os Reds não souberam se impor diante dos merengues e as falhas de Karius minaram quaisquer chances de reação. Desta vez, a engrenagem, fortalecida pelo baque na última decisão, está a pleno vapor, com os artífices da bola no auge de suas carreiras. O desempenho dos jogadores, aliás, deve-se muito à forma como Klopp comanda o vestiário.

E os títulos?

Por último, mas não menos importante, há quem diga que o trabalho de Klopp não seja tão brilhante pelo fato de o alemão não ter sido campeão continental. Comandando o Borussia Dortmund, foi derrotado pelo rival Bayern de Munique, na final da Liga dos Campeões na temporada 2012-13. Já na terra da Rainha, derrotado pelo Sevilla, na Liga Europa, em 2015-16, e a queda para o Real, citada acima.

Mas isto é mero resultadismo barato. O futebol jogado pelo Liverpool é um dos melhores do mundo e um eventual título contra o Tottenham, que se classificou em mais uma partida épica, coroará a brilhante carreira de Klopp.

André Siqueira Cardoso
Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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