Vacinas de Covid

Criticar a Conmebol através da incompetência é um hábito diário para os amantes de futebol sul-americano. Porém, o egoísmo e a falta de humanidade são pontos que não costumam ser abordados – mesmo sendo tão comuns quanto o primeiro. Pensando nisso, os representantes da entidade trataram de se mexer. Assim, promoveram, no dia 13 de abril, uma das notícias mais patéticas e desumanas dos últimos tempos.

De mãos dadas com o presidente uruguaio, Luis Lacalle Pou, e com o embaixador do país na China, Fernando Lugris, a Conmebol fechou uma parceria para a doação – sim, doação – de 50 mil doses de vacinas contra a Covid-19. Assim, a ideia acaba sendo a de vacinar diversos profissionais da área do esporte como jogadores, técnicos, árbitros e outros que estarão na Copa América dentro da data estipulada previamente, em junho desse ano.

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Ah, Conmebol…

“Patético”, “absurdo”, “lamentável” e “vergonha” são algumas das palavras que pude retirar das respostas do comunicado para descrever meu sentimento. Além disso, ainda pode ser dito por “indignação”, “revolta” e… Bom, vou ultrapassar alguns limites se continuar digitando. De qualquer forma, vale a pena perguntar o óbvio.

Por que uma entidade bilionária recebeu uma doação dessa grandeza? Esses profissionais têm o direito de furar as filas de vacinação? Por que essas doses não acabaram indo para os grupos de risco da doença?

O que faz essa situação menos grotesca é a postura de alguns representantes de clubes brasileiros, que fizeram questão de dizer o mínimo. Em entrevista ao Sportv, o presidente do Santos, Andrés Rueda, falou sobre o assunto, e afirmou: “(…) não vejo com bons olhos você começar a dar vantagem, acho desumano. Só porque me tornei o presidente do clube vou tomar vacina na frente de um carregador de papelão? Isso demonstra que poder econômico pode determinar algo, mas vidas não têm preço”.

Dessa forma, Romildo Bolzan, presidente do Grêmio, também falou, se colocando contra a campanha. Assim, para ele, “o futebol, mesmo com todos os ajustes, não pode ser priorizado em relação a diversas categorias que hoje são muito mais importantes e necessárias para o retorno à normalidade”. As declarações aliviam, mas não acabam com o desconforto dessa questão.

Considerando que a entidade, mais uma vez, não vai mudar sua postura por pura arrogância, nos resta questionar: Até quando?

Foto destaque: Divulgação/UOL

Tiago Souza
Formado em jornalismo pela Universidade São Judas, atuei em diversas áreas de maneira colaborativa. Sou viciado em informação e, por isso, estudo todos os dias sobre futebol e videogames, tendo essas duas vertentes como pilares da minha personalidade. Apesar de levar esses temas muito a sério, tenho a plena noção de que, sem o amor e a descontração, nenhuma delas existiria de forma tão espetacular como são hoje.