Odair Hellmann é apresentado no Fluminense

- Em sua apresentação, o treinador pediu a permanência de Caio Henrique e Allan
Apresentação de Odair Hellmann ao Fluminense

O Fluminense apresentou na última quinta-feira (19) o técnico Odair Hellmann para a temporada de 2020. Na coletiva, que ocorreu no CT Carlos Castilho, o novo comandante relembrou sua passagem pelo Tricolor em 1999, quando foi jogador do clube. Segundo ele, é uma honra estar de volta. Além disso, mostrou otimismo quanto ao futuro.

“É um prazer estar aqui. Prazer imenso poder voltar a este clube, em que tive passagem como jogador, em um momento difícil que o clube atravessava. E vivemos final feliz. A primeira passagem aqui foi maravilhosa pessoalmente e profissionalmente. Voltar hoje é motivo de muito orgulho, satisfação e honra. Tenho certeza que faremos um bom trabalho para termos um mesmo final feliz” disse.

Permanência de Caio Henrique e Allan

Durante a apresentação, o novo treinador, que estava acompanhado do presidente Mário Bittencourt e do diretor Paulo Angioni, mandou um recado para Allan e Caio Henrique. A saber, os jogadores chegaram ao Tricolor por empréstimo e negociam a renovação. Assim sendo, Hellmann pediu para que os dois permaneçam, pois são jogadores importantes e já possuem entrosamento.

“Já aproveito o momento para mandar o recado: que fiquem com a gente e aceitem a proposta do presidente, dentro do esforço máximo, talvez até além do que o Fluminense possa. Sou testemunha disso, do esforço. Porque são jogadores importantes. Eles ficando, a gente parte de um estágio de entrosamento maior… Não ficando, teremos que buscar novos jogadores, acertar na contratação em um mercado em que não temos condições de fazer compras de valores muito altos”.

Fama de retranqueiro

Odair Hellmann iniciou sua carreira no Internacional, clube que comandou entre os anos de 2017 e 2019. Sobre a fama de retranqueiro por parte da torcida colorada, o treinador discordou e explicou porque não aceita tal rótulo. Além disso, ressaltou que no Fluminense a história será diferente.

“Essa é uma visão da qual eu não concordo muito, mas respeito. A equipe do Inter de 2018 era realmente de transição, mas era por causa das características dos atacantes, que eram mais de força e velocidade. E fomos terceiro colocados no Brasileirão. A equipe de 2019 já fomos para outra ideia, com característica de jogadores também de construção. Fizemos apenas três gols de contra-ataque. Os outros todos foram de construção”.

E completou falando que o ideal é uma equipe equilibrada nos dois setores: “Não gosto de rótulos. Agora tem esses rótulos de modelo de jogo, que esse é defensivo, esse é ofensivo. Dentro do que trabalhamos, gosto e tenho como ideia é uma equipe bastante equilibrada, defensiva e ofensivamente”.

Amizade com Marcão

Odair Hellmann chega para ocupar o lugar de Marcão, que comandou os últimos jogos do Fluminense no Brasileirão deste ano e será auxiliar na comissão técnica. Logo após, o novo comandante lembrou a época em que os dois atuaram juntos no Tricolor, em 1999, e ressaltou que a amizade entre os dois facilita o trabalho.

“Marcão é meu amigo. Tivemos oportunidade de jogar juntos em 1999. Ele é ídolo da torcida. Estará junto conosco na comissão técnica. Ainda tem segurança que trabalha aqui desde a época que joguei. Então chego aqui e já tenho uma amizade, um conhecimento, isso facilita muito”.

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Rótulo de “papito

Ainda sobre rótulos, Odair Hellman contou alguns que se referiam a ele quando comandava a equipe gaúcha, seu único trabalho como treinador. E também afirmou que os jogadores precisam ter alegria em treinar, que se sintam importantes para o clube. Apesar de não gostar de rótulos, falou sobre um que ele costuma usar, o “papito”.

“Paizão, boleirão, estudioso, ofensivo, defensivo… Como gostamos no Brasil de buscar rótulos. Meu estilo é o seguinte, chamo as pessoas de ‘papito’, e esse apelido ficou. Eu vi um filme onde todo mundo tinha casa, tinha dinheiro, mas era todo mundo aborrecido. O único feliz era um cara que não tinha nada e chamava todo mundo de ‘papito’. Eu quero que os jogadores venham para o treino feliz. É isso que planejo aqui no Fluminense. Que esses jogadores venham todos os dias com prazer de treinar e se sintam importantes. Eu tenho uma frase que é ‘mais vale um pedacinho da vitória do que o todo da derrota’”.

Possível retorno de Fred e planejamento

Em relação ao possível retorno de Fred, ídolo do clube, que atualmente joga no Cruzeiro, o comandante foi objetivo. Segundo ele, qualquer manifestação pública de sua parte sobre qualquer jogador pode mudar os rumos das negociações. Diante disso, ele prefere apenas conversar internamente. E falou sobre o planejamento para o ano que vem.

“Planejamento estamos fazendo desde o primeiro momento que sentamos com o presidente e com o Paulo. Esse momento é de muitas especulações. Mas estamos conversando para chegar dia 8 com o grupo, não fechado, porque nunca se pode fechar, mas já ter uma ideia inicial. Diretoria está fazendo um esforço para manter jogadores que tiveram bom ano”.

Completou falando sobre as metas para 2020: “Passo a passo. Precisamos primeiro definir situações, definir grupo. Já começamos uma competição sete oito dias depois da apresentação. Precisamos buscar evolução e essa evolução vai indicar onde podemos chegar. Não podemos sonhar pequeno, claro, mas temos que construir esse sonho passo a passo”.

Situação financeira

Odair Hellmann foi questionado sobre a situação financeira do clube. Desse modo, o treinador afirmou que são poucos os clubes que não passam por essa realidade. Nesse sentido, revelou que o mandatário do Tricolor foi sincero sobre o assunto. Logo depois, afirmou que a crise só será resolvida a médio ou longo prazo.

“Quanto a parte financeira, vou ser bem sincero. Poucos clubes não vivem uma parte financeira difícil. A maioria está. Quem está aqui sabe a dificuldade, trabalha com essa realidade. O presidente desde a primeira conversa comigo foi sincero nesse aspecto. Mas dinheiro não brota do nada. É preciso um trabalho de reorganização árduo e a situação em médio a longo prazo vai melhorar. Vamos encontrar soluções”.

Ganso e Nenê juntos

Sob o comando de Oswaldo de Oliveira, os meias Paulo Henrique Ganso e Nenê atuaram juntos. No entanto, quando Marcão assumiu, nem sempre os dois estiveram em campo ao mesmo tempo. Sobre essa questão, Hellmann preferiu esperar os treinamentos para chegar a uma conclusão. Já que, segundo ele, o Fluminense vem em primeiro lugar.

“Em relação a Ganso e Nenê, sou um cara que prezo muito pelo grupo. Mas qualquer análise minha nesse momento, é externa, de quem estava fora do contexto. A partir do momento que eu me apresentar, poderei analisar melhor Nenê e Ganso como todos os outros jogadores do Fluminense. Tenho certeza que todos os jogadores estarão com o pensamento único de Fluminense em primeiro lugar”.

Xerém

Conhecido por revelar bons jogadores, Xerém também foi pauta da coletiva de apresentação. Por fim, Odair Hellmann lembrou o trabalho feito no Internacional para garantir que dará oportunidades para os jogadores das categorias de base do Tricolor.

“O Fluminense é uma escola de referência nas categorias de base. O presidente e o Paulo podem falar melhor sobre um projeto de alinhamento. Fizemos um trabalho no Inter para trazer garotos que estavam presentes para conhecer o melhor grupo. Eu não tenho problema com jogador de base, pelo contrário. Para mim, não importa idade. Se ele estiver apresentando bom futebol, terá oportunidades” encerrou.

Foto: Mailson Santana/Fluminense FC

Jéssica Albuquerque
Jéssica Albuquerque
Sou formada em Letras e atualmente curso Jornalismo. Sempre gostei de ler e de escrever, o que me levou a seguir nessas áreas.

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