O último goleiro brasileiro melhor do mundo

O brasileiro, em geral, não valoriza os ídolos e os grandes jogadores de futebol de seu país. A não ser que tenha vestido a camisa de um único clube, ou enfileirado troféus pelo mundo a fora, ou ainda ter sido portador de uma habilidade fora do comum com a bola nos pés, muitos jogadores acabam esquecidos, sem ter o devido reconhecimento. O goleiro Júlio César pode ser mais um a se encaixar nessa categoria.

O goleiro de 38 anos rescindiu contrato com o Benfica e, ao que tudo indica, pode encerrar a carreira. “A viagem para mim termina aqui, mas vocês continuam” disse emocionado aos companheiros de clube. O carioca que surgiu como uma grande promessa debaixo das traves do Flamengo, ganhou o mundo quando tornou-se goleiro da Inter de Milão. Numa época de Buffon, Casillas e Van Der Sar, Júlio viveu seu auge, e figurou entre os melhores do mundo na sua posição. Pelo clube italiano foram 300 jogos, 5 Campeonatos Italianos, 3 Coppa Italia, 4 Supercopa da Italia e uma Champions League e um Mundial de Clubes. Considerado o melhor goleiro do mundo em diversas oportunidades daquele período. Também foi vitorioso pela seleção brasileira, erguendo uma Copa América em 2004 e as Copas das Confederações de 2009 e 2013. Esteve presente nas Copas do Mundo de 2006, 2010 e 2014.

E foi justamente pela seleção brasileira que o declínio de sua carreira começou, para nunca mais voltar a ser o mesmo. Carrega o peso da eliminação da copa disputada na África do Sul, quando ele mesmo admite ter falhado no primeiro gol dos holandeses. Júlio sempre se mostrou alguém muito intenso, que não apenas joga uma partida, mas vive ela. Extasia-se com a vitória da mesma maneira que sofre na derrota. O baque pelas duras críticas, com certeza tiveram efeito contra o goleiro. Acompanhado da lesão crônica que sofreu nas costas, deixou de ser o mesmo. Mas ainda assim, continuou com grandes atuações que o levaram até a Copa de 2014, no Brasil.

De 7 gols feitos pela Alemanha, dessa vez nenhum teve a participação de Júlio. Porém, um jogador que sente uma partida como ele sente, esse jogo foi mais um duro golpe em sua vida. Na entrevista após o jogo disse “eu troco a minha falha que carreguei durante 4 anos, pelo jogo de hoje. Eu preferia que terminasse hoje com 1×0 com erro meu, do que os 7×1” mostrando jamais ter esquecido do jogo contra os holandeses.

Mas o goleiro que hoje é esquecido por ter sido rebaixado com o Queens Park Rangers, por ter fracassado na MLS pelo Toronto FC e por pouco atuar pelo Benfica nos últimos dois anos, um dia já foi o melhor goleiro do mundo. Aliás, foi o último arqueiro brasileiro a ser considerado o melhor do mundo nessa posição. O legado de Júlio César ficou no passado, mas que nunca deveria ser apagado da memória. Suas atuações com a camisa da Inter de Milão são tão estupendas que lhe rendeu o apelido de “Imperador”. Um grande jogador que deve ser lembrado por seus melhores momentos, e não por um erro.

BetWarrior


Poliesportiva


Avatar
Miguel Deak
Entusiasta do futebol moderno mas sem esquecer de sua época romântica, começou tarde nesse esporte ludopédio. Aos 13 anos "descobriu" o futebol Europeu após assistir um Sevilla x Barcelona, em 2003, e se tornou ,desde então, apaixonado pelo esporte bretão, com um carinho especial pelo time da Catalunha. VISCA EL BARÇA! Amante do 4-3-3 mas que respeita a decisão de quem prefere o 4-4-2, não admite que profissionais batam escanteio a meia altura e detesta lateral cobrado na área.

    Artigos Relacionados

    Topo