Real Madrid

Nesta terça-feira (26), a coluna Tática dos Campeões fala sobre o Real Madrid, que foi tricampeão continental. O início da temporada 2015-16 foi muito difícil para os Merengues, mas após a troca de treinadores, as coisas mudaram. Rafa Benítez não fez um comando ruim, entretanto a forma que sua equipe jogava, não faria os espanhóis alcançarem objetivos grandes. Como resultado, Benítez não servia mais para os Blancos. Na sequência Zinedine Zidane assumiu a equipe. Portanto, foi o início de uma hegemonia na Europa.

HEGEMONIA DO REAL MADRID

TEMPORADA 2015-16 – Antes da Era Zidane

No começo da temporada, o Real Madrid foi comandado pelo Rafa Benítez. O espanhol fez um bom comando, mas não conseguiu aproveitar o máximo de cada jogador. O Madrid é uma equipe que sempre quer brigar por coisas grandes. Entretanto, com a forma de jogo de Benítez, não seria possível. Uma coisa que não podemos deixar passar despercebido, é que a equipe merengue sofreu muito com lesões nesse início de temporada.

O time alternava muito o esquema tático: jogou no 4-3-3 ofensivo, 4-3-3 defensivo, 4-2-2-2, e até no 4-5-1. Entretanto, sua forma favorita de jogar era o 4-3-3 ofensivo. O principal erro de Rafa foi utilizar Tony Kross, Luka Modric, James Rodríguez e o trio BBC (Bale, Benzema e Cristiano Ronaldo) juntos. Não tinha um volante de marcação, portanto o time não tinha pegada no meio-campo.

Além desses seis, ainda contava com Marcelo na lateral-esquerda, que é um jogador que apoia muito na frente. Consequentemente, o Real Madrid atacava com sete jogadores. Por outro lado, a defesa ficava muito vulnerável. Rafa Benítez liderou a equipe merengue por 25 jogos, foram 16 vitórias, cinco empates e quatro derrotas. Enfrentou seis equipes fortes, venceu apenas o PSG. Além disso, a sua pior derrota foi para o arquirrival Barcelona, por 4 x 0. Portanto, a maioria das vitorias dos Blancos foram contra equipes bem inferiores.

Nos 25 jogos, a equipe marcou 69 gols, 50 deles marcados pelo trio BBC. O jogador que mais se destacou foi Cristiano Ronaldo, que foi o maior goleador do time, com 25, e o maior assistente, com nove. O lado que mais criou jogadas, foi o direito, produzindo 42% deles. O sistema ofensivo foi excelente, mas o defensivo deixou a desejar. O Real Madrid sofreu 21 gols, sendo 38% pela direita, por conta de falhas de Danilo.

INÍCIO DA ERA ZIDANE NO REAL MADRID

O francês se tornou técnico do Real Madrid no dia 4 de janeiro, após o empate contra o Valencia. Precisou de um tempo para se adaptar a nova função, entretanto se firmou rapidamente no cargo. Zidane testou todos os atletas do elenco, para saber qual seria a melhor formação para se utilizar. O objetivo dos Galácticos era a Champions League, porque a equipe já foi eliminada da Copa del Rey, por problemas na inscrição de Denis Cheryshev, e a La Liga estava encaminhada para o Barcelona.

Primeiramente, Zizou começou com o mesmo time que era o preferido de Rafa Benítez. Aparentemente queria entender o motivo desse time não render o esperado. Até que chegou o confronto contra o Atlético de Madrid – era o nono jogo de Zidane no comando merengue -. A equipe perdeu por 1 x 0, em pleno Santiago Bernabéu. A partir dessa partida, o treinador percebeu que a equipe precisava de um “cão de guarda” para aumentar a pegada do meio-campo. Portanto, depois dessa derrota, Casemiro virou titular absoluto da equipe no lugar de James Rodriguéz.

https://twitter.com/mafiamerengue/status/969921905636597760?s=20

O clube mudou sua forma de jogar e passou a ser uma equipe muito objetiva. Ou seja, sempre que tinha a bola, buscava armar jogadas de gol. A partida que mostrou para o mundo que o esquema de Zidane estava dando certo, foi a vitória de virada sobre o Barcelona, em pleno Camp Nou. Após a chegada de Zizou, o Real Madrid jogou 27 partidas, venceu 22, empatou três e perdeu duas. Os Galácticos passaram a ser uma equipe mais equilibrada com a entrada de Casemiro, que melhorou o sistema defensivo.

Foto: Internet

CONTINUANDO AS MUDANÇAS

Mesmo com a mudança no meio campo, deixando a equipe menos ofensiva, o ataque marcou 77 gols em 27 jogos, com destaque para Cristiano Ronaldo, que marcou 25 gols e deu nove assistências. Outros jogadores que merecem destaque foram Karim Benzema e Gareth Bale. Além de marcarem tentos, participaram de muitas jogadas importantes. O trio BBC marcou 44 gols nessa temporada, 61% dos tentos do Real Madrid. O lado que criou mais jogadas de gol para o Madrid, foi o direito, criando 45% dos gols dos Merengues. Além disso, o plantel de Zizou fez mais tentos de fora da área, aumentando em 5% as estatísticas, e fez cinco tentos a mais em relação ao de Benítez em bolas paradas.

A defesa melhorou bastante: sofreu 17 gols, sendo 53% deles pelo lado direito da equipe. Os Merengues conseguiram bater o seu principal objetivo: foram campeões da Champions League sobre o Atlético de Madrid. Depois de empatar em 1 x 1 no tempo normal, venceu nos pênaltis por 5 x 3. Portanto, o Real Madrid chegava a 11ª conquista da Liga dos Campeões, entretanto era apenas o começo de uma hegemonia.

REAL MADRID SE CONSOLIDANDO NA ERA ZIDANE

O Real Madrid não fez contratações bombásticas, como de costume, mas manteve a base do time campeão da Champions League. O foco de Zinedine Zidane foi usar as armas que já tinha e aproveitar de jogadores mais jovens, como Isco, Marco Asencio e Lucas Vasquez. Como resultado, os Galácticos vinham forte para mais uma temporada. Diferente dos rivais, priorizou evoluir com as armas que possuía.

A temporada 16-17 iniciou-se. Zidane estava utilizando a mesma equipe da temporada anterior, entretanto estava usando todas as peças do elenco. Um dos principais motivos da bela época que o Real Madrid fez, é que os reservas jogaram muito bem – uns quatro mereceram até ser titular, mas não tinha espaço para todos -. A equipe alternava muito de peças, por conta do cansaço. Portanto, para o time chegar a lugares altos, era necessário todos os jogadores estarem bem.

Um grupo que por muito tempo aderiu o esquema 4-3-3 como seu principal, em 2017 mudou para o 4-4-2, com o meio-campo no formato de um losango. Essa mudança foi necessária, porque no decorrer da temporada, Gareth Bale sofreu com lesões e tecnicamente caiu muito. Além da má fase de Bale, Isco cresceu muito de produção, se tornando uma peça chave no Real nos jogos mais importantes. Com a entrada do espanhol, Cristiano Ronaldo e Karim Benzema revezavam quem ia para os lados para ajudar o ataque. Luka Modric ficava mais pelo lado direito e Tony Kross pelo lado esquerdo. Os laterais alternavam quem subia e quem ficava.

Reprodução/Imortais do futebol

RESULTADOS

O ano não foi só de glórias. Após perder sua invencibilidade de 40 jogos para o Sevilla e ser eliminado pelo Celta de Vigo na Copa del Rey, a torcida blanca começou a criticar a equipe. Mas o ano ainda seria muito bom para o Real Madrid. O time começou a ser pressionado, entretanto o grupo era muito forte e experiente, e rapidamente controlaram a situação. O plantel de Zidane venceu a La Liga com 93 pontos, três a mais que o Barcelona, e foi bicampeão da Champions League.

O esquadrão dos Galácticos não era uma equipe de ficar tocando a bola por muito tempo. Porém, era de intensidade, ou seja, sempre que estava com a bola buscava o gol. Portanto, seus jogos eram muito dinâmicos e gostosos de ver. Real sofreu mais gols nessa temporada. Foram 70, sendo 41% deles pelo lado direito da equipe. Na outra beirada, os Merengues tiveram um destaque na marcação, que foi Marcelo. O brasileiro foi eleito o segundo melhor defensor do mundo, perdendo apenas para Bonucci. Esse prêmio é consequência de muito trabalho do camisa 12 para melhorar em um atributo que tinha dificuldade, mas também se deve a cobertura que Casemiro dava para ele.

O ataque foi brilhante. Marcou 173 gols, com destaque para Cristiano Ronaldo, que fez 42 deles. Nas assistências, o campeão foi Tony Kross. O alemão aplicou 20 assistências para gol. Outros que merecem destaque são Marcelo e Carvajal, ambos deram 13 assistências cada. Na temporada anterior, o Real Madrid fez 10 gols de bola parada, mas nessa fez 40, se tornando o melhor nesse quesito. Aperfeiçoou também os chutes de fora da área. Fez 15 gols nessa época – na anterior foram 10 -. O lado esquerdo passou a criar mais jogadas, sendo 40% dos gols dos Galácticos.

O FIM DA ERA ZIDANE NO REAL

Depois de uma temporada quase que perfeita, em que o Real Madrid foi muito superior aos adversários, muitos duvidam se o alto nível ia se manter. Entretanto, o bicho papão da Europa estava mais do que pronto para brigar por grandes títulos novamente. A verdade é que o elenco era muito bom, contava com o melhor do mundo do momento, Cristiano Ronaldo. Além dele, ainda tinha um forte meio-campo, composto por: Isco, Luka Modric, Tony Kross e Casemiro. Ambos os laterais viviam um momento extraordinário.

Por incrível que pareça, a maior incógnita da temporada era o Real Madrid, porque a equipe vinha de dois anos arrasadores e não se sabia como seria seu rendimento nessa época. A temporada 2017-18 começou de forma arrasadora, vencendo a Supercopa da UEFA e Supercopa da Espanha, com destaque para os dois bailes aplicados no arquirrival Barcelona. Entretanto, a equipe passaria por momentos de dúvidas durante o andamento dos jogos.

O time jogou, praticamente, todos os jogos no esquema 4-1-2-1-2, popularmente conhecido por 4-4-2 losango. A equipe teve grandes destaques, como Marcelo, Isco e Modric, mas o principal, como sempre, foi Cristiano Ronaldo. O estilo de jogo da equipe foi o mesmo da temporada passada. As peças titulares eram exatamente as mesmas do ano anterior e suas funções também. Alguns jogadores pediram passagem no time titular, como Vasquez, Asencio e Bale, entretanto os jogadores de suas posições não deram chances. O diferencial do Real Madrid para as outras equipes é que ele tinha banco para mudar o jogo.

Reprodução/Imortais do futebol

DESFECHO DA ERA CR7

Se fosse perguntado para um torcedor do Real Madrid, no dia 24 de janeiro, o que ele esperava do time, ele não falaria que os Blancos seriam campeões da Europa novamente. Naquele momento, os Galátcicos se encontravam eliminados da Copa del Rey. Tinham perdido de 3 x 0 para o Barcelona em casa, ficando mais distantes dos catalães na tabela. Além disso, encarariam o PSG nas oitavas de finais. Entretanto, os jogadores do Real são muito experientes, gostam da pressão e dos jogos decisivos.

Além disso, o clube merengue contava com o melhor do mundo, Cristiano Ronaldo. O Gajo jogou 44 partidas e fez incríveis 44 gols. Outro que merece destaque é Marcelo, que deu 11 assistências na temporada. Como resultado, o brasileiro foi um dos principais responsáveis pelo lado esquerdo ter sido o que mais criou jogadas para gol, armando 41% dos gols dos Galácticos. O ataque fez 148 gols. Seus principais artilheiros foram Ronaldo, Bale e Benzema. Lucas Vasquez, mesmo sendo reserva, deu 16 assistências, sendo o líder nesse quesito. A defesa sofreu 69 gols, sendo 31 deles pelo lado esquerdo.

Portanto, o coletivo funcionou. A equipe continuou veloz e muito envolvente. As movimentações no meio-campo, as subidas dos laterais, a obediência tática de Karim Benzema e o excelente posicionamento de Cristiano Ronaldo foram fundamentais nesse esquema. No total, foram 62 jogos na temporada, com 39 vitórias, 14 empates e nove derrotas.

Os Merengues não foram bem no Espanhol, mas na Champions League foram sensacionais. A equipe foi campeã em um caminho só de “peixe grande“. Eliminou o PSG, de Neymar e Mbappé, a Juventus, de Buffon e Dybala, o Bayern, de James Rodriguez e Robert Lewandowski, e superou o Liverpool, de Salah e Firmino, na final. Os gigantes crescem quando são jogados na parede.

O FIM DE UMA HEGEMONIA DO REAL MADRID

Foram três temporadas incríveis em que mesmo em momentos de dificuldade, o plantel de Zidane superava os problemas com o que tinha. Portanto, o Real Madrid é o exemplo de que quando você aproveita ao máximo as peças que tem, não precisa gastar 600 milhões de reais em ums janela de transferência. As alterações que a equipe titular sofreu foram por jogadores que já estavam no time desde o início do projeto. Foram ao todo 174 jogos, 122 vitórias, 33 empates e 19 derrotas. Como resultado, Zinedine Zidane deixou os Blancos no auge, vencendo três Champions League, dois Mundiais de Clubes, uma La liga e entre outros títulos. Talvez demore 42 anos novamente, ou até mais, para vermos outro tricampeão da Europa.

Foto Destaque: Reprodução/Kai Pfaffenbach/UOL

Avatar
Leonardo Pinheiro
Escolhi jornalismo porque para mim é prazeroso informar as pessoas, e além disso, a paixão pelo futebol me encorajou a seguir essa carreira. Meu principalmente objetivo na profissão é trabalhar com esportes, principalmente o futebol.

Artigos Relacionados