O que tirar do Paulistão santista?

- Com elenco limitado, Santos oscilou e não empolgou; corrigir os erros é fundamental para o resto do ano
O que tirar do Paulistão santista?

O Santos foi valente contra o melhor e mais bem estruturado time do país. Diante de um Pacaembu lotado por palmeirenses, o Peixe venceu o Verdão por 2 a 1, mas perdeu nos pênaltis. A partida, contudo, não foi de encher os olhos. Ao contrário, expôs as falhas crônicas de uma equipe limitada. O fator positivo é a confiança adquirida após a vitória. Se complicar na técnica, a raça pode ser a alternativa.

Os gols santistas saíram de duas jogadas que mimetizam a realidade da equipe no ano. No primeiro, Daniel Guedes cruzou com perfeição e Eduardo Sasha testou firme para o gol. Em partidas anteriores, o Peixe abusou do jogo aéreo e não foi efetivo. No gol de Rodrygo, a cria da base apelou para a jogada individual. Sem triangulações e bolas enfiadas, o lampejo é a única alternativa para romper linhas. Bruno Henrique faz muita falta. O time de Jair Ventura, contudo, não fez força para disfarçar os problemas existentes.

O que tem não tem funcionado

Erro de passes

O Palmeiras adiantou a marcação e pressionou a saída de bola durante boa parte do jogo. O Santos, por sua vez, não conseguia trocar mais de três passes. A bola simplesmente queimava no pé dos jogadores, claramente afobados. O número de passes errados assustou.

Marcação frouxa

Fica cada vez mais claro que Renato sobrecarrega Alison. Com a bola nos pés, o camisa 8, ídolo santista, mantém a elegância que lhe projetou ao futebol mundial. Defensivamente, contudo, é um peso morto. Na noite de ontem, Felipe Melo comandou o meio-campo e esteve livre, sem ser incomodado, durante os 90 minutos. Quando Moisés entrou, o Verdão teve ainda mais liberdade na criação. Com isso, Jair Ventura precisa pensar em dar mais proteção e mobilidade ao meio-campo.

Onde está o armador?

Ainda no meio-campo, a falta de um armador, capaz de organizar o jogo, é inaceitável. A sangria financeira, fruto da inabilidade administrativa de gestões anteriores, inviabiliza a contratação de um grande nome. Porém, um time da grandeza do Santos não pode não ter a capacidade de esfriar o jogo. A cena mais comum nos jogos da equipe é ver a bola voando sem direção. A impressão que se tem é que os chutões de David Braz são uma orientação de Jair Ventura.

Os erros do treinador

O treinador merece um parágrafo a parte. O elenco do Peixe é limitadíssimo, fato indubitável. Mas o jovem técnico não tem tirado leite de pedra, como muitos dizem. Se o filho do furacão Jairzinho se dedicasse a abolir a ligação direta e incentivasse a troca de passes, o jogo santista fluiria muito mais. Dedicar algumas horas para lapidar o posicionamento de alguns jogadores também seria de bom grado. Quem acompanha as partidas vê que, quando entra, Jean Mota fica imóvel na esquerda, à frente de Dodô. Como meia, o fraco jogador deveria flutuar pelo campo.

O mala

Outro personagem icônico desse elenco é Gabriel Barbosa, o Gabigol. Superestimado e inexplicavelmente aclamado pela mídia, o jogador que fracassou na Europa tem feito força para atuar de forma cada vez pior. A grosso modo, é um jogador sem recurso: lento, não dribla, é preguiçoso, individualista e toma decisões equivocadas. Pior que isso, somente a falta de personalidade de Jair Ventura para sacá-lo do time. Limar Vecchio, o melhor meio-campista do elenco, do time titular é fácil. Peitar o mimado reizinho, não.

O que está no horizonte

O Santos tem muito trabalho pela frente. O meia não deve vir, por falta de recursos e de opções. Bruno Henrique segue fora. Espera-se, porém, que os oito dias que o Peixe terá pela frente até a partida contra o Estudiantes, em Quilmes, na Argentina, no dia 5, sejam bem aproveitados. A Libertadores é a prioridade, embora seja um sonho distante. De qualquer forma, a postura da equipe precisa mudar. Com chutões e irritantes erros de passes, não se vai a lugar nenhum.

André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

André Siqueira Cardoso já escreveu 313 posts nesse site..

Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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