O que o Campeonato Brasileiro pode significar para o futebol mundial?

Mais uma janela de compras internacionais se passa e os gringos fazem cada vez mais parte da nossa realidade. Há quem se queixe do excesso de sul-americanos improdutivos trazidos, o quanto eles vão ofuscar os bons meninos da base presente nos clubes. A discussão é extensa e muito das vezes pautada pelo preconceito e saudosismo.

Esse intercâmbio é necessário, me recordo que na última década, por exemplo, muitos jornalistas da imprensa esportiva alertavam aos clubes brasileiros para olharem mais ao mercado sul-americano, pois o custo benefício era muito bom e havia diversas oportunidades inexploradas por ali. O mercado do nosso futebol foi evoluindo, os clubes começaram a se preocupar mais em mapear possíveis contratações e percebeu que o mercado dos nossos vizinhos era uma boa ideia. Hoje em dia a CBF permite que o clube tenha até 5 estrangeiros relacionados para as competições organizadas por ela, um número interessante.

Ainda sim muitos criticam. O problema todo nem é a crítica em si, mas sim a forma na qual ela é feita, por exemplo, quando o Botafogo contratou o boliviano Damián Lizio muitos criticaram pelo simples fato de “é sério que o Botafogo vai acreditar em um boliviano?”. Futebol não pode ser analisado desta forma, são esses esteriótipos que o nosso futebol teve durante muito tempo, como o de contratar uruguaios e argentinos apenas pela raça, isso não existe!

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Pra onde podemos caminhar?

No último dia da janela internacional de compras 11 jogadores foram contratados por 9 nove clubes diferentes. Isso mostra o poder dos nossos clubes em se reforçar com jogadores da América do Sul e de repatriar brasileiros que estavam na Europa. Em alguns casos isso fica mais evidente, o treinador Edgardo Bauza, do São Paulo, exigiu alguns reforços ao clube, dentre eles alguns argentinos, como o lateral-direito Buffarini e o atacante Andrés Chávez. Exigências cumpridas, em alguns casos as negociações são um pouco mais complicadas, como a do Buffarini e a do zagueiro do Flamengo, Donatti, ex-Rosário Central, mas em geral os clubes conseguem até com certa facilidade.

Ao meu ver o futebol brasileiro pode servir (ainda mais) como um degrau mais acima para o futebol dos grandes europeus, como o futebol português é há algum tempo. Tomamos como exemplo a liga mexicana, mais precisamente o Tigres, o clube conta com brasileiros, argentinos, paraguaios, chilenos, americanos, um nigeriano e um francês. Ter jogadores europeus aqui não é novidade alguma, mas precisamos de mais “renegados” europeus, não que o Gignac (jogador francês do Tigres) não tenha capacidade em jogar em algum clube de pequeno porte na França, mas com certeza rende muito mais no futebol das Américas. Esses tipos de jogadores dão mais visibilidade ao campeonato, quando Seedorf veio para o Botafogo aumentou-se a curiosidade dos europeus em relação ao Brasileirão.

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Do ponto de vista técnico os europeus em “decadência” também ajudariam, porém não mais do que jogadores africanos. Sei que esse mercado já é explorado pelos grandes europeus, mas não são todos que tem essa chance, alguns bons jogadores ainda permanecem no futebol local e aí está a nossa chance, se os clubes brasileiros conseguirem explorar esse mercado para a base ou até mesmo diretamente para os profissionais, o lucro com a venda será grande. O mundo árabe também possui bastantes africanos, mas ainda sim é possível explorar. Fora os brasileiros que voltam ao nosso futebol e cada vez mais cedo, mas com mais experiência.

Em alguns anos teríamos um mercado forte com os seguintes perfis:

  • Jovens sul-americanos (ou até mesmo mexicanos e americanos) buscando a Europa
  • Sul-americanos experientes em busca de melhores salários
  • Europeus sem espaço no forte futebol europeu
  • Brasileiros que retornam da Europa
  • Jovens (até mesmo experientes) africanos buscando a Europa

A contratação do Diego no Flamengo mostra o quão essa realidade pode estar próxima, os clubes brasileiros se organizando podem muito, a chegada do ex- menino da vila eleva muito o nível do campeonato, pois não é aquele cara que vem a passeio.

É possível ainda em todo esse cenário dar espaço ao produto nacional, obviamente os craques que são vendidos a peso de ouro no Brasil são os nossos jovens jogadores, esses caras ainda sim vão ter espaço, o que precisamos é tirar esse preconceito do esteriótipo e aceitar o que pode ser o futuro do nosso futebol, que ajudaria na parte financeira dos clubes e a parte técnica do campeonato.

 

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Paulo Henrique Pimentel
Sou amante do futebol europeu e defendo que um brasileiro pode sim chamar um clube de fora de "meu". Sou estudante de Administração, mas já fui estudante de Jornalismo. O fim de semana perfeito pra mim se resume em, TV, cerveja e um bom futebol. É, esse sou eu, não leiam muito sobre mim, sou chato, leiam o que eu vejo apenas, pois isso sim é incrível.

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