O quão obsoleto é ou está o futebol brasileiro?

Quantas vezes nós já ouvimos essa expressão: “o futebol brasileiro está ultrapassado”, “os treinadores estão defasados…”, diversas e diversas vezes, principalmente após o fatídico 8 de julho de 2014, o dia do maior desastre futebolístico nacional. Mas o questionamento que aqui proponho é o de se realmente o nosso futebol está tão atrasado assim, fazendo um paralelo com as grandes outras ligas do mundo, como a espanhola, a alemã e a famosíssima liga inglesa.

Esta espécie de questionamento me surgiu após ver uma entrevista do consagrado técnico brasileiro, Vanderlei Luxemburgo no “Bem Amigos” da SporTV, na ocasião além do mesmo defender a sua classe, até de forma ferrenha e exagerada, o “treineiro” ainda se mostrou arrogante em certos momentos. Uma afirmação como, “tudo que se vê de moderno hoje no futebol, foi eu quem trouxe lá atrás.”, realmente soa como uma prepotência danada, mas será que o “Pofexô” está tão equivocado assim? Como ele bem cita na ocasião, a ultrapassagem de laterais pelos meias, a tal da compactação tão falada hoje em dia, a retirada dos volantes “brucutu” e a inclusão de jogadores mais habilidosos em seus lugares, realmente foram coisas que Vanderlei fez anteriormente em seus times, como no Palmeiras de 94, o Corinthians bicampeão brasileiro de 98 e 99 e até no sensacional Cruzeiro de 2003, o único possuidor de uma tríplice coroa nacional. A época Luxemburgo treinava seus clubes com primazia, total excelência, tanto que chega ao ápice de sua carreira recebendo um convite do Real Madrid para assumir o comando técnico de uma equipe recheada de craques como Ronaldo, Roberto Carlos, Zidane, Figo e Beckham, porém a partir dali e da demissão no clube espanhol, o fracasso de projetos acabara se tornando mais corriqueiros do que o sucesso que tanto lhe acompanhou na carreira. Hoje, a alcunha de vencedor foi jogada para escanteio e Vanderlei carrega o fardo de ser ultrapassado, mas será mesmo?

Hoje o G4 ou G6, como queiram, do Campeonato Brasileiro não coleciona novas figuras do cenário futebolístico não, num exercício breve vemos isso. O líder Palmeiras é comandado por Cuca, que há muito tempo já comanda times por aqui e mantém um esquema parecido neles, visto assim no seu Fluminense de 2009 e a máquina atleticana entre 2012 e 2014. O Flamengo sim traz uma novidade, porém costumeira nos lados da gávea, um treinador criado no Mengão, mas figura nova no cenário nacional, Zé Ricardo propõe sim um futebol moderno, mas nada revolucionário. O Galo é comandado por Marcelo Oliveira que até outro dia foi achincalhado do Palmeiras, mesmo sendo bicampeão nacional um ano antes e conquistando titulo no alviverde, a razão foi por não se mostrar maleável a outros esquemas de jogo. Ou seja, estava obsoleto. Continuando a lista ainda temos Dorival Junior, Levir Culpi e Paulo Autuori com Santos, Fluminense e Atlético-PR respectivamente em 4°, 5° e 6°, os dois últimos frequentam o cenário brasileiro há muito tempo, desde os primórdios da década de 90. E uma figura que se mostrava a grande novidade dos técnicos nos últimos anos, o gaúcho Roger Machado, foi demitido recentemente do Grêmio. E qual a explicação? Seguindo a lógica do que fazem com Luxemburgo estes não seriam atrasados e obsoletos também?

A grande questão disso tudo é a atualização. Não é demérito nenhum aos técnicos que se atualizem, se propiciem a conhecer novas dinâmicas de jogo, de treino, novas vertentes do futebol, isso só os proporciona mais sucesso, mais conhecimento e aprimora os seus reconhecidos talentos. Obviamente, a atualização não cabe só a eles, mas sim aos dirigentes e jogadores também, fazendo assim com que haja uma confluência dentre os âmbitos do comando técnico e do desportivo.

Afinal, o futebol em sua essência, dentro das quatro linhas, ainda continua o mesmo e há de se manter assim por um bom tempo.

Matheus Antunes

Sobre Matheus Antunes

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Matheus Antunes, 20 anos, caiçara e estudante de Jornalismo. Torcedor e apaixonado pelo São Paulo Futebol Clube, admirador do Real Madrid, mas antes disso fissurado, maluco, doido por futebol.

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Matheus Antunes, 20 anos, caiçara e estudante de Jornalismo. Torcedor e apaixonado pelo São Paulo Futebol Clube, admirador do Real Madrid, mas antes disso fissurado, maluco, doido por futebol.

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