O preço de um sonho

Qual é o real preço por um sonho? Aliás, sonho tem preço? Um título, um troféu, uma medalha, a conquista que seja, tem um preço impagável. O sucesso é impagável. Há dinheiro que compre a glória? Claro que sim, ainda mais no futebol, onde vemos elencos milionários reinarem (raras são as exceções como o Leicester City, por exemplo).

O São Paulo Futebol Clube é o time brasileiro de maior tradição na Libertadores. Tem 3 títulos, maior campeão brasileiro da competição junto ao Santos e têm 6 finais. Neste ano, com um elenco limitado, o Tricolor do Morumbi passou de candidato a eliminação na fase de grupos à única equipe brasileira nas semifinais do torneio continental.

Surpreendeu a todos, chegou a semi final e com boas chances de chegar a final. Mas, a sua frente estava a melhor equipe da competição até então, os colombianos do Atlético Nacional. Time rápido, com bons jogadores, que sabe tocar a bola, envolvendo assim os adversários e atacando com muita velocidade pelos lados do campo.

Já o São Paulo, é um time que oscila muito no campeonato nacional, mas se coloca na Libertadores de forma diferente, com muita raça e entrega em campo.

Antes da bola rolar, desfalques para os dois lados. Jonathan Copete foi para o Santos, Ibarbo foi negociado com o futebol da Grécia, Berrío está suspenso e Rescaldani aprimora a forma física, eram os desfalques colombianos. Porém, a arma dos visitantes era o novo atacante contratado a pouco, Miguel Borja. No time paulista, o goleiro reserva Renan Ribeiro e o meia Lucas Fernandes estavam machucados há algum tempo, Centurión suspenso por uma cusparada no adversário no jogo diante do Toluca-MEX e os titulares Kelvin, atacante veloz e driblador que joga pelos lados do campo e Paulo Henrique Ganso, meia camisa 10 que arma o jogo, se machucaram poucos dias antes da partida e de novas contratações para a Libertadores apenas a compra do zagueiro Maicon, capitão do time, por 22 milhões de reais.

A torcida fazia uma festa incrível tanto dentro quanto fora do estádio, empurrando o tricolor para a vitória.

Edgardo Bauza, treinador do São Paulo fazia mistério quanto a escalação, fechando dois treinos. A expectativa era que o volante Hudson voltasse ao time, fazendo a função de primeiro volante e Thiago Mendes fosse para a ponta direita, fazer a função de Kelvin e Ytalo entrasse no lugar de Ganso, mas não para armar e sim para ser o segundo atacante. Quando a bola rolou, nada disso. Wesley entrou na ponta direita e João Schmidt foi titular como volante, com Hudson no banco e apenas Ytalo como previsto.

Sem analisar a escalação, todo torcedor são-paulino imaginava, no mínimo, 2 a 0. Já para os colombianos, uma derrota por 1 gol já era aceitável, mas vieram para um empate e se ganhassem por um gol era lucro.

O torcedor mais analítico e conhecedor de futebol se perguntaria: “Sem o Ganso, quem vai armar o jogo?” – Pois é, eis a questão. O São Paulo começou indo pra cima e perdeu duas chances com Wesley e uma com Thiago Mendes. Quando a bola não ia pra fora, chutavam em cima do goleiro Armani, que não se esforçou nenhuma vez para defender, pois a chutavam em cima dele. Michel Bastos também teve chance clara pela esquerda, mas chutou em cima do goleiro também. Sem ter um clássico camisa 10 para armar o jogo, sobrou para João Schmidt fazer essa função. O volante era quem tentava organizar o time. Thiago Mendes até arriscava algumas jogadas mas errava, Bruno e Mena corriam, marcavam, mas não conseguiam ajudar a criar. Rodrigo Caio era quem saia para o jogo, mas via o time colombiano marcando bem e impossibilitando as jogadas dos paulistas. Ytalo não apareceu e Wesley errando muito, não justificando a titularidade. Sem receber bolas, Calleri ficava isolado, vindo buscar jogo na intermediária, caindo pelos lados e correndo atrás da bola nos pés dos adversários em vão.

Fim de primeiro tempo, 0 a 0. O São Paulo não tinha profundidade do lado direito com Wesley e não tinha bolas enfiadas para os atacantes porque Ytalo não arma jogo. Para mudar a partida, Bauza tinha a opção de colocar Daniel, único armador que estava no banco e tirara Ytalo ou colocar Hudson de volante e adiantar João Schmidt para frente para armar sacando Ytalo novamente. Wesley também estava mal e Thiago Mendes poderia fazer sua função se deslocado para a direita.

Começou a segunda etapa e nada de mudanças. O Atlético Nacional começa a gostar do jogo e arrisca mais, mandando bolas no travessão e pra fora, deixando o torcedor tricolor apreensivo.

Bauza começa a mexer, coloca Daniel e Alan Kardec e tira Ytalo e João Schmidt. A saída de Ytalo era esperada, mas João Schmidt? O melhor jogador do São Paulo na partida! Errou Bauza.

Errou mais ainda o árbitro Mauro Vigliano, que, em um lance sem perigo nenhum e com a bola parada, puniu o zagueiro Maicon com um cartão vermelho após o jogador segurar a nuca do atacante Borja e empurrar para frente, depois que o atacante segurou a bola, atrasando o jogo. A expulsão claramente afetou o resultado da partida. O lance era punível com apenas um bronca ou um cartão amarelo, que ainda seria muito.

Depois da expulsão, ao invés de tirar um Calleri ou Alan Kardec e fechar a casinha colocando um zagueiro e segurar o empate, Bauza colocou o volante Hudson para fazer a zaga e tirou (finalmente) Wesley. Eis aí outro erro de Bauza. Poderia ter posto um dos zagueiros da reserva, Diego Lugano ou Lyanco.

Resultado, após estragar o árbitro estragar o jogo e o técnico Patón errar muito, o Atlético Nacional mandou na partida. Fez o que quis. Tocou a bola até chegar no gol por duas vezes com Miguel Borja, o catimbeiro e simulador, fazendo 2 a 0 para os colombianos em pleno Morumbi lotado, com quase 62 mil pessoas.

O São Paulo pode ter deixado ir pelo ralo ontem o tetra campeonato da Libertadores por alguns erros. Tanto de Bauza, por escalar e mexer mal, de Maicon por empurrar o adversário e do árbitro que foi rigoroso demais no lance.

“Jogar com um jogador a menos é sempre difícil. Acredito que não foi para expulsão, o árbitro foi muito rigoroso e prejudicou nossa equipe”, afirmou Denis, que disse que “o sonho não acabou ainda”.

O volante João Schmidt também criticou a decisão da arbitragem. “Não foi para expulsão. É muito estranho dar vermelho para nós e amarelo para eles”.

O próximo jogo será na próxima quarta-feira (13), em Medellín, na Colômbia. O São Paulo precisará vencer por 2 a 0, para levar a partida para os pênaltis ou 3 para vencer. Qualquer empate ou derrota por 1 gol, classifica o Atlético Nacional.

 

BetWarrior


Poliesportiva


Eric Filardi
Eric Filardi
Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia. Sou Eric Filardi, paulistano de 27 anos, criado em Taboão da Serra, jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo e apaixonado por futebol. Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, Peixe, Palestra e Timão. Sou da Colina, Glorioso, Flu e Mengão. Sou brasileiro, hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 x 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões. Sou Clássico das Multidões. Sou Sul, Nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, Raposa, Bavi e Grenal. Sou Ásia e África. Sou Barça e Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas que o estádio incendeia: sou Futebol na Veia.
https://docs.google.com/spreadsheets/d/1izZLGz7it19teR839S0enlfi2W1drJQlmkiw4YDks2w/edit#gid=0

Artigos Relacionados

Topo