O polêmico comprometimento

Neymar é o melhor jogador brasileiro em atividade no futebol mundial. Sua qualidade técnica, leia-se genialidade, com a bola nos pés é inegável. O astro do Barcelona pode decidir um jogo com uma simples jogada e isso não é segredo para ninguém. Dentro de campo, Neymar é referência, mas sua postura fora de campo é alvo de críticas ferrenhas. Férias, Olimpíadas e comprometimento: combinação perfeita para uma discussão acerca do que o atleta representa para o torcedor brasileiro.

Com 24 anos, o dono da mesma camisa dez, que outrora foi de Pelé, é o quinto maior artilheiro da história da Seleção pentacampeã do mundo.  Seu retrospecto atual vestindo o manto verde e amarelo, entretanto, causa polêmicas. Dentro das quatro linhas, ao mesmo tempo em que é gênio, Neymar parece um garotinho mimado que foi afrontado jogado dentro do seu próprio condomínio. Tendo a bola em seu controle, é capaz de colocá-la no ângulo ou nas costas de Armero.

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Falta na Seleção um companheiro à sua altura, igualmente brilhante para compor uma dupla ”à la” Bebeto e Romário, Ronaldo e Rivaldo. Nas Olimpíadas, Gabriel Jesus tem tudo para ser a peça que faltava na engrenagem canarinha. Se haverá química entre os dois, só o tempo dirá. Soma-se à falta de um parceiro decisivo a ausência de padrão tático da Seleção. Entra em cena o famoso ”toca no Neymar porque ele decide”. Contrapõe-se com esse jargão o fato de que há tempos em que o futebol prioriza o conjunto em detrimento do individualismo. A trama e o desfecho deste roteiro é conhecido por muitos: os adversários, tais como os colombianos na Copa América de 2015, designam dois ou três jogadores para anularem Neymar – seja na base da lealdade ou na pancadaria – e desequilibrarem-no emocionalmente. O jogador então reage. Falta-lhe malícia, sobram cartões, punições e críticas. Suspenso de partidas importantes, o craque do Barcelona é taxado como imaturo.

Com o fim da temporada europeia, Neymar entrou de férias. E talvez o destino tenha sido ingrato com o jogador do Barcelona, pois ao mesmo tempo em que posava ao lado de Justin Bieber e Lewis Hamilton, e participava de festas luxuosas ao lado de bonitas mulheres, o Brasil fracassava diante de Equador, Haiti e Peru.

”Neymar não se importa com a Seleção, ele só quer curtir. Se ligasse para o Brasil, teria batido o pé para jogar”, diriam os críticos. Estes, entretanto, parecem se esquecer que houve um acordo firmado entre CBF e Barcelona para que o jogador estivesse nas Olimpíadas, a fim de conduzir o Brasil ao ouro olímpico. ”Mas para brilhar nas Olimpíadas, Neymar deveria ter se apresentado antes dos demais para dar exemplo, aprimorar a parte física. Falta-lhe comprometimento”, atacam novamente corneteiros de plantão.

Falta de comprometimento de Neymar, tema recorrente em rodas de bar, mesas redondas e programas esportivos. Muito se especula sobre o comportamento do jogador, mas até a coletiva de ontem (26), o camisa 10 da Seleção não havia sido questionado a respeito. Então, o jornalista Silvio Barsetti e Neymar protagonizaram o clímax desta narrativa.

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Silvio Barsetti perguntou o que todos gostariam de perguntar, mas nunca o fizeram. Neymar, a pergunta não foi maldosa, mas sim madura e inteligente. O questionamento só existe porque você é a referência técnica da Seleção, é a esperança de gols. Mas, parabéns pela resposta. Muitos entrevistados perdem a compostura quando colocados contra a parede, vide Felipão e Dunga, e sua resposta foi à altura, igualmente madura. Tantos outros ídolos brasileiros, como Romário, Ronaldo, Ronaldinho e Adriano, carregam consigo o rótulo de ”baladeiro”, mas dentro de campo sempre corresponderam.

Esta é sua missão: corresponder às expectativas. Mais do que isso, é seu dever representar uma camisa que já foi de Pelé. É sua obrigação honrar um manto cinco vezes campeão mundial. Daqui um mês, caso seja o protagonista de uma campanha que pode culminar na conquista de um ouro inédito, ninguém lembrará de seus patrocinadores, muito menos de suas farras em Jurerê, Ibiza ou Saint-Tropez.

André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

André Siqueira Cardoso já escreveu 313 posts nesse site..

Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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