O Paulistão e o efeito “Economia Emocional”

O campeonato Paulista, além de promover a boa e velha – e saudável – rivalidade entre as equipes locais de futebol, é responsável por dar espaço aos chamados times pequenos de São Paulo, que, mesmo sofrendo com a falta de verba e de patrocínios, entram em campo para enfrentar de igual para igual os poderosos clubes do estado. Devido a isso, o Paulistão também traz à tona um efeito psicológico pouco conhecido, mas que atinge grande parte dos torcedores: o efeito “Economia Emocional”, nome dado ao fenômeno comportamental que faz as pessoas torcerem sempre para as equipes mais fracas.

Descoberto pelos economistas Jimmi Frazier e Eldon Snyder, em 1991, que fizeram um estudo apurado sobre o assunto, o efeito “Economia Emocional” acontece pelo fato de o torcedor ser um hedonista, que tem prazer em sentir emoções e, devido a isso, ao assistir a um jogo, inconscientemente faz um cálculo de custos e benefícios em busca de uma carga emotiva maior, ou seja, a vitória inesperada, a chamada zebra. Tal fenômeno só é anulado quando, obviamente, o time para o qual o indivíduo torce estiver jogando – nesse caso o coração fala mais alto.

Muitos possuem os sintomas desse efeito sem saber. Por isso, é preciso ficar atento aos sinais. Então, se você já se alegrou com as boas campanhas da saudosa Portuguesa – que Deus a tenha na seria A2 –, ficou feliz com o título do Azulão São Caetano em 2004 ou se emocionou com o grande feito do Ituano em 2014, quando venceu o Santos na final do campeonato, meu amigo, há grandes chances de você sofrer de “Economia Emocional”.

É claro que há um lado egoísta nas manifestações da “Economia Emocional”. Afinal, na maioria das vezes, os torcedores tomam partido dos mais fracos visando o mal do rival: no caso do Corinthians ir à final com um time do interior, por exemplo, é obvio que os palmeirenses e são-paulinos irão torcer para o adversário do Timão, assim como os corintianos irão vibrar com a derrota de seus rivais da capital se eles estiverem na mesma situação.

Contudo, existe também o lado nobre desse “distúrbio psíquico” dos torcedores. O lado que valoriza a raça dos menores; que se identifica com a paixão das torcidas das pequenas cidades; que estima a garra dos jogadores que, mesmo longe da fama, do dinheiro, dos carrões e dos olhares suspeitos da Receita Federal, ainda dão o sangue dentro de campo; enfim, o lado que valoriza os esforços dos mais humildes.

E a edição deste ano tem sido um prato cheio para esse tipo de torcedor. Nesta primeira etapa vimos o Red Bull Brasil e a Ferroviária vencer o Santos, a Ponte Preta vencer o São Paulo, o qual sofreu mais uma vez, recentemente, com a gana dos pequenos ao ser derrotado pelo São Bernardo por 3 a 0.

Algumas supressas já aconteceram, mas o maior destaque deste Paulistão é sem dúvidas a Ferroviária, que lidera o grupo C da competição, com 14 pontos. O sucesso da Ferrinha se deve em grande parte à sua parceria com o Atlético Paranaense, que fornece jogadores em troca de prioridade na venda dos atletas que forem destaque no time paulista. Uma sociedade inspirada no conceito europeu de “clube satélite”, que é uma pratica comum no futebol do velho continente. Ao todo, 11 atletas vindos do time do Paraná compõem a equipe de Araraquara, como o meio-campista Juninho, o atacante Tiago Adan e o goleiro Rodolfo.

Com uma ótima campanha até agora, a Ferroviária é a esperança dos que querem ver a zebra aparecer com todas as listras no campeonato paulista de 2016. E se os clubes do chamado “Quarteto de Ferro” (São Paulo, Corinthians, Palmeiras e Santos) acham que este ano vão tomar conta das finais de forma previsível como sempre fazem, saibam que a Ferroviária está aí para surpreender nas grandes arenas da capital, assim como o Ituano, o Red Bull, o São Bento e as outras equipes que contam com o apoio de milhares de torcedores – incluindo está pessoa que vos escreve – que, assumidamente, colocam-se sob efeito da “Economia Emocional”.

Fontes: Superinteressante (super.abril.com.br)

Renan Amaral

Sobre Renan Amaral

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Apaixonado por esporte, Renan Amaral percebeu que tinha o futebol na veia quando foi a um estádio pela primeira vez. Anos depois, descobriu no jornalismo a oportunidade de estar envolvido de alguma forma com esportes, principalmente com o futebol, sua velha paixão, que nasceu quando ainda era um moleque que esticava o pescoço para ver melhor os jogos da arquibancada.

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