O outro lado da final

Maracanã lotado, tomado de verde e amarelo. Brasil e Alemanha frente a frente em mais uma competição de cobertura internacional. As diferenças? Desta vez, o Maracanã substituirá o Mineirão e o confronto vale medalha de ouro e não taça. Inédita e cobiçada pelo selecionado brasileiro. Indiferente e mais uma para os alemães.

Não. O intuito não é diminuir a importância da possível conquista brasileira. Isso seria antipatriota e inaceitável. Toda medalha, quer seja de ouro, prata ou bronze, deve ser aplaudida e reconhecida. Por outro lado, é verdade que, caso o Brasil saia derrotado na tarde de amanhã, jornalistas e comentaristas dirão que trata-se de mais fracasso verde e amarelo. Fracasso porque a campanha será lembrada como aquela em que houve dois empates contra África do Sul e Iraque e uma derrota na finalíssima, jogando em casa.

Embora seja algo excessivamente rigoroso, há um quê de verdade neste apontamento: o único adversário de camisa que os comandados de Rogério Micale terão enfrentado ao longo desses Jogos Olímpicos serão os alemães. Claro! Porque a Colômbia nada fez senão distribuir pancadas. E porque Iraque, África do Sul, Dinamarca e Honduras não são parâmetros para se discutir futebol de qualidade. Mesmo assim, contra iraquianos e sul africanos, dois empates amargos sem uma bola na rede sequer. Não se pode falar em evolução tática contra nenhum desses adversários, nem mesmo quando o assunto é a Colômbia de Teo Gutiérrez e Borja.

Se após o apito final o placar mostrar superioridade brasileira, o Maracanã explodirá em alegria: gritos, aplausos, flashes e mais flashes, mas caso o resultado seja adverso, muito provavelmente o clima ficará pesado. Lágrimas cairão, mesmo com a medalha de prata no peito.

Como já é do conhecimento de todos – ou deveria ser – o futebol proporciona situações voláteis: se ganharmos, Neymar será herói! Não levantará taça, mas será lembrado como o capitão que conduziu o Brasil ao ouro inédito. Se perdermos, mais um fracasso. Ainda, reverberarão os clássicos bordões ”o futebol brasileiro parou no tempo” e ”sete a um foi pouco”. Se ganharmos, Micale será o suprassumo do futebol brasileiro, o treinador que recuperou a confiança do torcedor. Se perdermos, será o treinador que insiste em métodos descabíveis, como a utilização de lousa para a instrução tática.

Se ganharmos, reconhecimento e reverência. Se perdermos, mais uma prata que não será lembrada, tal como a conquistada por Taffarel, Jorginho, Mazinho, Bebeto, Careca e Romário em 1988.

André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

André Siqueira Cardoso já escreveu 313 posts nesse site..

Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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