Boca Juniors

Nesta terça-feira (26), a Coluna Tática dos Campeões conta como jogava esse time extraordinário do Boca Juniors de 2007. A equipe não conquistou títulos nacionais nessa temporada, mas fez uma trajetória emocionante e conquistou a Copa Libertadores da América. O plantel de Miguel Russo foi liderado pelo talento de Juan Román Riquelme. Os Xeneizes quase ficaram de fora do mata-mata. Entretanto, eles cresceram na hora certa e venceram a competição. O bicho papão da América conquistava a sua 4ª Liberta em oito anos.

COMO JOGAVA O BOCA JUNIORS

A equipe jogava no 4-1-2-1-2, mas diferente de muitos outros clubes argentinos, tinha um meio-campo leve. A meiuca dos Xeneizes era composto por Banega, Cardozo, Ledesma e Riquelme. Ou seja, nenhum deles tinham um volante “pesado”.

O sistema defensivo dos argentinos vivia de lampejos. A equipe sofreu 10 gols em toda Libertadores. Por outro lado, no mata-mata foram apenas 4. Daniel Díaz e Claudio Rodríguez formavam a dupla de zaga. Nas laterais, atuava Hugo Ibarra pela direita e Clemente Rodríguez pela esquerda. O quarteto tinha um bom entrosamento e  sempre ia bem quando era preciso.

Rodrigo Palácio, Martín Palermo e Juan Román Riquelme não tinham função defensiva. Todavia, os outros três integrantes do meio-campo eram fundamentais para o sistema. Pablo Ledesma e Neri Cardozo davam o 1° combate e Ever Banega fazia a cobertura. Os meias sempre estavam próximos e se posicionavam em forma de um triângulo para roubar a bola o mais rápido possível.

Por outro lado, no ataque quase todos participavam das ações. Os laterais alternavam quem subia e quem ficava. Banega se movimentava pela região da metade do campo. Cardozo fica próximo do volante, mas fica situado mais pelo lado esquerdo. Já Ledesma ficava mais pela direita. O craque Riquelme sempre estava próximo de onde estava a bola, principalmente no último terço do gramado. No comando de ataque, Palermo ficava mais centralizado e Palácio saia para das opção de jogo.

Boca Juniors
Reprodução/Imortais do Futebol

O FATOR RIQUELME

O talento do argentino sempre encantou a todos do Mundo todo, mas o momento do craque na Europa era delicado. O camisa 10 estava com depressão na Espanha. Desde que chegou no velho continente, Riquelme encantou a torcida do Villareal com seu magia. No entanto, o Torero perdeu um pênalti no último lance contra o Arsenal. Esse erro custou a classificação para a final da Champions League.

A situação do maestro não era das melhores e o Boca estava passando por um momento de reformulação. Como resultado, os Xeneizes contrataram o camisa 10 por empréstimo por cinco meses. A chegada de Juan Román Riquelme era a solução para o esquadrão da La Bombonera.

O Torero teve uma passagem extraordinário, mesmo sendo curta. Na Libertadores foram 11 jogos, com oito gols e cinco assistências. Além disso, o craque era um líder dentro de campo. O 10 conquistou sua 3ª Libertadores na carreira. Portanto, é um dos grandes ídolos da história do Boca Juniors.

A CAMPANHA DO BOCA JUNIORS

Em qualquer competição continental que os Xeneizes eram favoritos. Entretanto, na temporada de 2007 quase ficaram de fora da fase de grupos. O Boca chegou na última rodada precisando vencer o Bolivar por pelo menos três gol de diferença para depender de si mesmo. Aliás, o clube não podia jogar na La Bombonera na 1ª fase por conta de uma punição. Portanto, para o confronto decisivo contra os bolivianos, o duelo seria no estádio do San Lorenzo. Mesmo sem puder jogar em casa, os mandantes foram avassaladores e venceram por 7 x 0.

A grande vitória fez com que o bicho papão chegasse ao mata-mata. O craque Juan Román Riquelme esteve apagado na fase de grupo, mas na hora de “separar os homens dos meninos“, o astro apareceu. Nas oitavas de finais, o adversário foi o Vélez. O jogo de ida foi 3 x 0 para o plantel de Miguel Russo e a volta 3 x 1 para os adversários. Como resultado, o placar agregado foi de 4 x 3 para os Azuis e Dourados.

O adversário das quartas seria o Libertad. Os Albinegros fizeram jogo duro na Argentina e empataram por 1 x 1 em uma noite difícil para o Torero. Na volta, os Xeneizes foram dominantes em pleno Paraguai e ganharam por 2 x 0. A campanha vinha sendo muito emocionante, entretanto a semifinal prometia. Na ida, o Cúcuta surpreendeu e venceu por 3 x 1 na Colômbia. Muitos já colocavam o Duplamente Glorioso na final, porém o Boca Juniors não estava morto. Em uma noite inspirada de seu camisa 10, os donos da casa triunfaram por 3 x 0 e se classificaram para a final contra o Grêmio.

A FINAL DE ROMÁN

O Boca Juniors chegou a final depois de uma trajetória repleta de emoção. A equipe esteve próxima de ser eliminada várias vezes, mas sempre crescia nos momentos decisivos. O plantel era consistente e repleto de bons jogadores, no entanto Riquelme era a cereja do bolo.

A hora da decisão finalmente chegou. No dia 13 de junho, todos os olhares estavam virados para a Bombonera com mais de 50 mil pessoas. O camisa 10 desfilou no jogo da ida e liderou os mandantes no massacre por 3 x o sobre o Grêmio.

Os tricolores precisavam de um milagre para conquistar o sonhado tricampeonato da América. O Olímpico estava lotado de brasileiros esperançosos, que acreditavam que o time de Mano Menezes poderia virar o confronto. Entretanto, o que eles viram foi mais um show do Torero. Juan Román Riquelme fez dois gols e desfilou em solos brasileiros para dar o hexacampeonato para o Boca Juniors.

Foto Destaque: Reprodução/ Getty Images

Leonardo Pinheiro
Escolhi jornalismo porque para mim é prazeroso informar as pessoas, e além disso, a paixão pelo futebol me encorajou a seguir essa carreira. Meu principalmente objetivo na profissão é trabalhar com esportes, principalmente o futebol.

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