William Fernando da Silva, 30 anos, meio-campo, com passagens pela base do Juventus-SP e do Corinthians, mas com formação no Palmeiras. Passou por Goiás, Náutico, Vitória, Coreia do Sul e agora brilha no futebol mexicano vestindo a camisa do América.

No alviverde paulista, onde estreou no profissional, teve um problema no coração que o retirou dos gramados, no início da carreira, por dois anos. Voltou a campo em 2006, superando a dificuldade. Em 2007 passou por boa fase.

William na época de Palmeiras (Foto: divulgação)

O vínculo de William com o Verdão se encerrou em 2012 após ser emprestado a Ipatinga, Náutico, Vitória e Goiás. Jogou no Joinville antes de ir para o Busan IPark, da Coreia do Sul, no início 2013. Em dezembro de 2013, assinou com o mexicano Querétaro, e o possibilitou de ser visualizado pelo América, também do México, onde está atualmente, desde o ano passado.

Meio-campo pelo Querétaro (Foto: Divulgação Querétaro)

William, titular do técnico Miguel Herrera – que já treinou a seleção do México -, bateu um papo com o Futebol Na Veia para falar sobre algumas questões do futebol mexicano em comparação com o brasileiro. Confira:

Leonardo José: Nesses três anos no México você conseguiu um reconhecimento maior da torcida do América do que o da torcida palmeirense?

William da Silva: Foram tempos diferentes. No Palmeiras fui formado, criado. Tive muitas alegrias, como também tive problemas graves, até de saúde, que foi o problema do coração. A torcida do Palmeiras sempre apoiou a minha volta. Voltei bem, consegui ir bem durante um período e depois não consegui me manter em um nível tão alto. Mas foi um período maravilhoso, praticamente onze anos, desde a base até o time principal. Já no América eu tive que chegar e conquistar a confiança do torcedor, por ser um time grande e eu estar vindo de um time que ainda não tinha ganhado nenhum campeonato. Então tive um pouco mais de pressão nesse sentido. Hoje já tenho o reconhecimento de grande parte da torcida. Tenho muita coisa pra provar ainda, pra fazer com a camisa do América e demonstrar o meu valor. Em relação ao reconhecimento são coisas diferentes, até porque no Palmeiras foi um sentimento de carinho, em relação a tudo o que eu vivi.

Em campo pelo América do México (Foto: Divulgação Club América)

Leonardo: Por qual motivo você acha que conseguiu uma vaga no time titular?

William: Vou muito pelo esforço, pelo trabalho diário e comprometimento. Colocar atenção naquilo que o treinador pede e sobre tudo pela vontade de vencer,chegar a um time grande e conquistar o meu espaço. Sabemos que a concorrência é muito grande, mas acredito que Deus nos dá a oportunidade e depois temos que fazer por onde manter esse emprego e aproveitar cada segundo da saúde que você tem para fazer as coisas bem. É o que eu tenho procurado fazer, tenho trabalhado todos os dias na máxima intensidade como forma de agradecimento por essa porta estar aberta.

Leonardo: Você demorou muito para se adaptar ao México? Sabe-se que o povo mexicano adora o Brasil. Você sente isso na vivência aí?

William: Foi fácil. O mexicano gosta muito do brasileiro e se identifica. Até em relação à cultura, a comida, eles comem um pouco mais de pimenta, mas fora isso a comida é muito parecida. Eles são muito receptivos com o povo brasileiro. Você fala que é brasileiro eles já tenta arriscar uma ou outra palavra em português para que você possa se sentir em casa. Então a adaptação foi fácil. A identificação com a nossa cultura me ajudou muito.

Leonardo: O futebol brasileiro tem um calendário de janeiro a dezembro, diferente que o do México, que é de julho a junho. Qual é a diferença desses calendários para vocês jogadores?

William: O brasileiro é muito cheio. Estaduais, Copa do Brasil, Sul-americana, Libertadores, Brasileirão, uma sequência de jogos muito grande. Aqui é um calendário de julho a junho e tem só a Copa do México, CONCACAF, hoje os times mexicanos não jogam a Libertadores. É uma situação mais tranquila, não é toda semana que você vai jogar quarta e domingo. A cada quinze dias talvez um jogo no meio de semana, isso faz com que a convivência com a família seja mais cotidiana, porque não está toda hora viajando, concentrado, tem mais tempo para a família. A respeito do calendário estou bem adaptado a essa situação, sem aquela loucura de ter que jogar a cada três dias, eles respeitam a semana de trabalho. A maioria dos jogos é no final de semana, e no meio da semana apenas Copa e CONCACAF. Em dezembro temos mais ou menos de dez a quinze dias e depois em maio quando termina tem de 25 a 30 dias. É bem flexível.

Leonardo: Qual a diferença do ritmo de jogo brasileiro e mexicano?

William: Aqui o ritmo é muito intenso, até porque mistura muitas nacionalidades, tem jogadores uruguaios, chilenos, argentinos, do Equador, Colômbia. Então enriquece bastante a liga mexicana, o nível de qualidade também é muito bom porque os mexicanos estão demonstrando cada vez mais que tem condições de buscar espaço no cenário mundial. O ritmo aqui é forte, no Brasil é mais cadenciado, pausado. Aqui durante os 90 minutos é um time atacando e o outro defendendo, ataque e contra-ataque. É difícil encontrar um time que coloca pausa no jogo, tem certos lugares ainda que tem altitude e isso também faz com que o ritmo mude um pouco.

Foto: Divulgação Club América

Leonardo: Você se adaptou fácil à mentalidade de jogo dos mexicanos?

William: Adaptei-me fácil, porque fiquei um tempo na Coreia e a forma como trabalhavam lá é muito parecida com a forma que o treinador que conheci aqui, da primeira vez, trabalhava. Cheguei, adaptei-me junto com ele. Os trabalhos eram os mesmos, a formação que jogava era a mesma, acabou que tudo isso me ajudou muito e depois, quando já no país, você vai conhecendo a maneira como os outros treinadores trabalham e vai analisando um pouco mais. Quando se tem a oportunidade de trabalhar com esses treinadores você já sabe o que eles querem. Então a adaptação não foi complicada. Não sofri com esse processo. Em dezembro vou completar quatro anos aqui e muito feliz.

Leonardo José
Sou o Leonardo José, jovem alagoano, estudante de jornalismo e esquerdista, sim. O esporte, a filosofia e a sociologia correm em minhas veias simultaneamente. Louco pelo futebol latino. Prefiro Libertadores à Champions League. No Brasil, clássicos como CSA x CRB, Sampaio Corrêa x Moto Club e ABC x América-RN são bem mais emocionantes que Flamengo x Vasco, Cruzeiro x Atlético-MG e Corinthians x Palmeiras. Para você, leitor, não se cansar lendo minha biografia, finalizo dizendo que "todos os detalhes e os bastidores da vida precisam ser olhados com atenção". Twitter: @leo_silva997

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