O golpe alemão da Copa de 1982

- Argélia foi eliminada após malandragem combinada com os austriacos
O jogo da vergonha em que um alemão marcou só para ilusão dos torcedores

A Alemanha Ocidental venceu a Áustria por 1 x 0, gol de Hrubesch. O jogo foi válido pela terceira rodada da fase de grupos da Copa do Mundo de 1982. O time alemão avançou para o mata mata como líder do Grupo 2.

No entanto, foram 80 minutos de pura procrastinação em campo. Uma vergonha que será contada pela coluna Quebrando Muros dessa semana. Essa partida fez com que a FIFA tomasse medidas drásticas para as Copas seguintes.

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Retrospecto

Até lá, o equilíbrio era enorme. Em quatro confrontos, duas vitórias para cada lado. O primeiro duelo foi nas Olimpíadas de 1912, em , na qual os austríacos fizeram um 5 x 1. Os demais duelos foram em Mundiais. Inclusive, uma decisão de terceiro lugar em 1954, que a seleção alemã venceu por 3 x 2. Dados do site Futebol 365.

Mas o jogo que deixava a todos ansiosos para aquela rodada aconteceu em 1978, na Copa do Mundo na Argentina. A Áustria ganhou por 3 x 2, após ter saído perdendo aos 19′ levando gol de Rummennigge. Dessa forma, era de se esperar outro grande duelo na Espanha. Pois cinco jogadores de cada lado estavam na outra decisão e vinham com a memória fresca da partida, que eliminou os Mannschaft.

Figurinha da seleção austríaca de 1982 (Botoesparasempre/Reprodução)

O Grupo 2

A abertura da chave foi uma zebra. A Argélia bateu a Alemanha Ocidental por 2 x 1. Gols de Madjer e Belloumi, Rummennigge tentou colocar água no chopp, mas não conseguiu. O confronto marcou a estreia das raposas africanas em Mundiais, e ainda vencendo a seleção bicampeã do Mundo. Um desastre alemão.

Também na primeira rodada, a Áustria bateu o Chile por 1 x 0, gol de Schanner. Na rodada seguinte, o time alemão se recuperou goleando os chilenos por 4 x 1. Além disso, a outra esquadra europeia também surpreendeu vencendo os africanos por 2 x 0.

Então, chegou a última rodada, o dia 24 de junho de 1982. Às 13h (horário de Brasília) Argélia e Chile fizeram grande jogo e os africanos venceram por 3 x 2. Sendo assim, estavam com quatro pontos (a vitória valia dois pontos na época) e zero de saldo. Os líderes eram os Wunder, que tinha três de saldo. Já a esquadra da terra da cerveja tinham dois pontos e mais gols feitos que sofridos.

Assim, uma vitória simples da Alemanha Ocidental passaria os europeus. Enquanto, um dos austríacos continuava do jeito que estava. Além disso, havia a chance de uma goleada Mannschaft mandava os águias brancas para casa.

Os protagonistas

A geração germânica era cheia de bons jogadores e mesclava o fim da geração bicampeã em 1974 para o começo da tri em 1990. Sendo assim, tinha no gol Schumacher (Colônia), a defesa contava com Briegel (Kaiserlaustern) e Kaltz (Hamburgo), o meio de campo tinha Breitner (Bayern de Munique) e Magath (Hamburgo), e o ataque contava com o capitão e estrela Rummennigge (Bayern) e o corredor Littibarski (Colonia). Além de ter no banco o jovem Lotthar Matthaus (Monchengladbach).

A melhor Áustria da história era comandada por Georg Schimdt fora de campo e Prohaska (Roma) dentro dele. Também tinha bons zagueiros como Krauss (Rapid Viena) e o capitão Obermayer (Áustria Viena), Hintermaier(Nuremberg) organizava o time que tinha Schachnner(Cesena) e Krankl (Barcelona) no ataque.

A partida

Mal rolou a bola e a seleção alemã estava pressionando fortemente no ataque. Então, aos 10′ Littibarski cruzou para Hrubesch antecipar a defesa para abrir o placar. A torcida toda vibrou na esperança de mais gols depois de toda aquela pressão, mas nada aconteceu. Ambas equipes começaram a tocar a bola de modo inofensivo e sem uma marcação forte dos dois lados. O local predominante dos passes eram na defesa, pois assim, não tinha chances de marcar outro gol.

Até houve chances de gol. Magath e Rummenigge em jogadas pelo lado chutaram em direção ao gol, mas nada que obrigasse Koncilia fazer um milagre. Do lado austríaco, Schanner era o mais inquieto de seus companheiros, entretanto não assustou o goleiro Schumacher. Não demorou muito para os 41.000 torcedores que foram ao El Mólinon, em Gijon vaiarem tal apresentação. Além disso, houve gritos de “beija, beija” e “fora, fora” na segunda etapa.

Argelinos que estavam na arquibancada buscaram invadir o gramado diversas vezes, mas sem sucesso. Também teve quem mostrava dinheiro para os atletas. Comentaristas e narradores chegaram a pedir a quem estava assistindo para desligar a tv, ir no parque ou ver programa culinário em vez de dar audiência para aquela vergonha. Até que nos minutos finais houve uma cena icônica. Um torcedor alemão colocou fogo na própria bandeira para demonstrar a vergonha sentida.

Pós jogo

Antes mesmo do encerramento da partida já se via diretores alemães e austríacos comemorando a vitória, enquanto os argelinos pediam calma a seus torcedores. Os africanos chegaram a entrar com pedido de anulação do resultado na FIFA, que nada pôde fazer. A medida tomada foi que a partir da próxima Copa do Mundo (a do México) os dois jogos da última rodada da fase de grupos seriam jogados ao mesmo tempo, e é assim até hoje.

Anos mais tarde alguns jogadores decidiram falar sobre a partida. O centroavante austríaco comentou que não sabia porque seus companheiros não corriam para marcar e demoravam para passar a bola. Já o alemão Briegel contou que após o gol as duas equipes combinaram de fazer um jogo leve para ninguém se machucar. Enquanto o goleiro Schumacher negou a informação do companheiro, ainda complementou que os atletas jogaram de forma deliberada.

Torcedores Argelinos mostram dinheiro para alemães e austríacos durante o jogo da vergonha (HuffPost/Reprodução)

Em 2014, Argélia e Alemanha se enfrentaram nas oitavas de finais da Copa do Mundo. O assunto voltou a repercutir, principalmente com o discurso da imprensa argelina de ter uma vingança. Que quase aconteceu, pois para alguns, as raposas foram o adversário mais difícil daquela seleção tetracampeã do mundo. Por outro lado, a seleção austríaca nunca mais teve sucesso em um Mundial de seleções.

Foto destaque: Trivela/Reprodução.

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Guilherme Ribeiro
Guilherme Ribeiro
Sou Guilherme Ribeiro, 20, paulista da região do ABC. Ler e escrever é um hobby, para o esporte que é a minha paixão.

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