O gênio Johan Cruyff em território norte-americano

A história contada pela coluna Desbravando o Tio Sam desta semana será a passagem de Johan Cruyff nos Estados Unidos. Famoso no futebol por conta da Laranja Mecânica de 1974 e das passagens por Ajax e Barcelona, o holandês desfilou toda sua técnica no território estadunidense em 1979, 1980 e parte de 81. Primeiramente, o craque atuou em dois amistosos pelo New York Cosmos. Mas depois fechou com o Los Angeles Aztecs, e por fim, terminou seu capítulo na América do Norte jogando pelo Washington Diplomats.

Por pouco o New York Cosmos não reuniu Cruyff, Beckenbauer e Carlos Alberto Torres

Após a marcante passagem pelo Barcelona em 1977/78, Cruyff decidiu se aposentar com 31 anos. Entretanto, o projeto do New York Cosmos chamou atenção do craque. O acordo inicial era apenas a disputa de duas partidas na pré-temporada, mas o holandês garantiu: se voltasse a jogar futebol oficialmente, seria com os nova-ioquinos. Johan atuou pela primeira vez com as cores do Cosmo contra uma “seleção do mundo” em 30 de agosto de 1978. Com mais de 50 mil pessoas no Giants Stadium, o jogador mostrou toda sua genialidade ao dar um chapéu na grande área e passar a bola de calcanhar para Seninho marcar um dos gols do empate em 2 x 2.

Apesar da ótima estreia, Cruyff alegou problemas pessoais e retornou à Europa. Para substituí-lo na turnê pela América do Norte, o New York Cosmos contou com o craque brasileiro Rivelino. Quando o tour da equipe de Nova Iorque chegou ao velho Continente, Johan vestiu a camisa verde estadunidense pela última vez. A partida foi contra o Chelsea em um Stamford Brigde lotado (quase 40 mil presentes). Mesmo com boas chances, o holandês não conseguiu marcar nem dar assistências nesse jogo, que terminou em 1 x 1. As atuações de Johan o fez perceber que ainda havia lenha para queimar na carreira. Entretanto, não com o Cosmos. O craque fechou com o Los Angeles Aztecs em 1979, sendo considerado um “chapéu” nos nova-iorquinos.

O gênio Johan Cruyff em território norte-americano
Foto: Reprodução/New York Cosmos

O melhor momento de Johan Cruyff nos Estados Unidos

A estreia de Cruyff em Los Angeles já mostrou que o craque chegou inspirado: dois gols em sete minutos contra o Rochester. Justificando à mudança aos Estados Unidos, o holandês afirmou em entrevista a revista People: “Eu queria tentar cultivar o futebol em um lugar onde não fosse popular. Além disso, o clima é melhor em Los Angeles”.

Disputando a NASL (North American Soccer League), na época o nível mais alto de soccer nos Estados Unidos, Johan manteve ótimo desempenho da estreia. Apesar da eliminação para o Vancouver Whitecaps (que se tornaria o campeão) nas semifinais de conferência, o “tri” da Bola de Ouro marcou 14 gols em 27 partidas pelo Los Angeles Aztecs. Com isso, garantiu uma vaga na Seleção dos melhores do campeonato, e de quebra foi eleito o MVP. Entretanto, a mudança na presidência do clube de LA, fez Cruyff mudar-se para capital dos Estados Unidos.

O final da passagem ainda em alto nível

Em 1980, Cruyff chega para seu último ano em território estadunidense atuando no Washigton Diplomats. O craque manteve o bom desempenho, marcando 13 gols em 23 jogos. Mas a equipe da capital não conseguiu chegar ao título, ironicamente perdendo para seu clube anterior. Apesar disso, o holandês marcou a vida dos jovens do time. Como por exemplo o ex-goleiro Jim Messemer, que disse ao Washington City Paper: “Eu absorvia tudo o que ele me dizia. Ele era como um deus falando do alto da montanha“. Na época houve um boato que Johan Cruyff não gostava de grama arficial, o que pode ter sido um dos motivos do craque ter retornado à Europa, mais precisamente no Levante da Espanha.

Foto destaque: Reprodução/Getty Images

Carlos Vinícius Amorim
Carlos Vinícius Amorim, 21 anos, atualmente cursando jornalismo pelo amor ao futebol, que se iniciou lá em 2005, com apenas seis anos de idade, já imaginam qual o clube né. Sempre se informando e informando aos outros, buscando referências e fontes. Como o jornalismo manda.

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