A internet parou com o desempenho ruim do Palmeiras, no entanto isso é algo muito preocupante. A equipe brasileira vem fazendo uma boa temporada, até muito acima do esperado. Entretanto, a forma que o time se comportou no Mundial de Clubes é de se preocupar. O Alviverde não marcou nenhum gol, não criou uma grande chance e apresentou um futebol muito ruim contra clubes do mesmo nível ou até mais fracos. O plantel de Abel Ferreira é o retrato do nosso futebol.

O NOSSO FUTEBOL ESTÁ DE MAL A PIOR

O futebol deixou de ser um esporte que depende do individualismo a muito tempo. A Copa de 1982 mostrou que a tática pode muito bem acabar com um time repleto de craques. O jogo entre Brasil e Itália naquele Mundial retrata bem isso. Muitos clubes que fizeram história, tinham jogadores medianos e até ruins, mas que são taticamente eram perfeitos. Thomas Müller, do Bayern de Munique, é um grande exemplo. O alemão não tem tanta técnica, porém é muito inteligente dentro de campo.

Sem sombra de dúvidas, a cada ano que se passa o Brasil está ficando cada vez para trás. A gente ainda tem a falsa ilusão que um time a América do Sul vai conseguir desbancar um europeu, mas isso está cada vez mais distante. Além de muitos deles serem bons tecnicamente, taticamente estão muito a frente dos sul-americanos. As últimas participações vem mostrando isso.

Nas últimas cinco edições do Mundial de Clubes, em três delas os sul-americanos não passaram para a final. O surpreendente Atlético Nacional perdeu para o Kashima Antlers do Japão. A grande equipe do River Plate, de 2018, caiu para o Al Ain dos Emirados Árabes. Essa foi a 1ª vez que um clube do Oriente Médio chegou a uma final de Mundial. Por fim, o Palmeiras foi eliminado para o Tigres do México e para piorar, foi derrotado na disputa de 3° lugar para Al-Ahly. Portanto, os clubes da América do Sul não estão tão próximos dos Europeus atualmente.

PALMEIRAS É O RETRATO DO FUTEBOL BRASILEIRO

O Alviverde mostrou o quanto o futebol brasileiro está debilitado. A equipe foi campeã da Libertadores e muitos tinham um expectativa sobre o confronto contra o Bayern de Munique. Entretanto, o clube perdeu antes para o Tigres na semifinal. O pior não foi ficar em 4° lugar, algo que nunca ocorreu com times do nosso continente, e sim a forma que o Palmeiras jogou.

O Verdão não fez nenhum gol e não conseguiu criar nenhuma chance clara de gol. Em nenhuma das partidas o esquadrão conseguiu ter um bom volume de jogo e fazer por merece estar lá. Esse campanha fraca preocupa muito, porque o plantel de Abel Ferreira é o campeão da Libertadores. Como resultado, se o melhor time da América do Sul apresentou esse futebol fraco, imagina os demais.

A maioria dos brasileiros com pelo menos 40 anos acredita que o atual momento do nosso futebol está ruim por conta da falta do ‘camisa 10 clássico‘. Entretanto, esse é o menor dos problemas. A grande causa dessa queda brusca é a falta de estudo dos envolvidos. Por conta disso que treinadores estrangeiros fazem tanto sucesso aqui. Os técnicos brasileiros pararam no tempo, as diretoria estão cada vez mais incompetentes e os clubes cada vez mais próximos da falência. Atualmente, é praticamente impossível segurar um grande jogar por mais de dois anos, porque não tem vantagem alguma jogar no Brasil.

O BRASILEIRO 2020/21 FOI UM DOS PIORES DE TODOS OS TEMPOS

O torneio vai ser decidido na última rodada, com emoção até o último minuto. Por outro lado, o nível técnico está bem abaixo. O equilíbrio está acontecendo por conta da falta de eficiência dos clubes mais fortes. As equipes não conseguiram manter uma regularidade durante todo o campeonato. A pandemia e a temporada corrida atrapalharam muito, mas não justifica essa oscilação tão grande.

Muitos clubes foram cotados como favorito ao título no decorrer da competição. No início, a sensação era o Atlético Mineiro. O Galo só estava competindo o Brasileirão, no entanto não conseguiu disparar. Em meados do 1° turno, o Internacional tomou a frente do torneio. O plantel era liderado por Eduardo Coudet na beira do gramado e Thiago Galhardo dentro de campo. O camisa 17 vivia fase incrível e foi até convocado para a Seleção Brasileira.

A grande fase não durou muito tempo e logo o Colorado abandonou a liderança. Próximo do final do turno, o São Paulo se tornou líder. O Brasil exaltava o Dinizismo, entretanto no fundo todos sabiam que não ia durar. Luciano jogou em alto nível, mas a sua lesão atrapalhou os planos do Tricolor Paulista. A liderança passou a não ter dono, o esquadrão de Fernando Diniz vivia uma série negativa de resultados.

O Colorado engatou uma sequência de nove vitórias e retornou ao 1° lugar, desta vez liderado por Abel Braga. Galhardo já não era mais o destaque da equipe, esse cargo foi para Patrick e os garotos do ataque. Após alguns tropeços, principalmente a derrota para o Sport em casa, acabou perdendo a liderança na última rodada para o Flamengo. Essa é a 1ª vez que o Mengo assume a liderança nessa época. Por fim, na próxima quinta-feira (25), saberemos de uma vez por todas o campeão.

ESTAMOS PERDENDO ESPAÇO

Há muitos anos, o Brasil era referência em todos os sentidos no esporte mais amado do Mundo, mas atualmente não é bem assim. Os talentos individuais estão cada vez mais escassos e as táticas muito atrasadas. Um treinador europeu medíocre coloca a maiores dos brasileiros “no bolso”. Jorge Jesus chegou ao Flamengo em Junho de 2019 e trabalho aqui até julho de 2020. Neste um ano, foram 58 jogos, 44 vitórias, 10 empates e apenas quatro derrotas. Além disso, ele conquistou cinco títulos. Portanto, ele foi campeão mais vezes do que perdeu.

Todos ficaram deslumbrados com o grande time do Mengo, porque ele conseguiu aproveitar da melhor forma cada jogador. Atualmente, comanda o Benfica e é muito contestado pela torcida. O que ele fez aqui não é nada de novo na Europa. Aliás, chega a ser até normal. O Mister não está conseguindo ir bem no Campeonato Português, que é um torneio mediano no Velho Continente. Infelizmente, não precisa de muito para se tornar rei no aqui nos dias de hoje.

Abel Ferreira chegou no Brasil em Outubro e com três meses de trabalho, conquistou o Continente. O Alviverde nas mãos de Vanderlei Luxemburgo não rendia, vivia de empates. Em um “toque de mágica”, o plantel passou a render. Isso mostra como o quanto os grandes comandantes do nosso país estão atrasados no tempo. O País do Futebol já não tem tantos craques e as táticas estão ultrapassadas. Portanto, não tem como bater de frente com os melhores.

OS BONS JOGADORES NÃO QUEREM FICAR MAIS AQUI

Um atleta de alto nível, jovem e com um futuro brilhando não tem motivo para ficar aqui, porque não compensa mais. O salário no exterior é maior, a competitividade também e a qualidade de vinda nem se fala. Além disso, lá não existe essa pressão desumana que tem no Brasil. No Velho Continente, por exemplo, os torcedores protestam, no entanto ninguém joga pedra no ônibus do próprio time.

O valor da nossa moeda também afeta. Um clube europeu oferece 20 milhões de euros no principal jogador do Brasileirão. Esse valor aqui é de R$ 130 milhões aproximadamente, ou seja, uma propostas irrecusável para nossa realidade. As falhas diretorias não conseguem usufruir desse dinheiro da melhor forma e os times seguem passando dificuldades. Como resultado, se as equipes não forem melhores administradas, os treinadores seguirem parados no tempo, o nosso futebol vai seguir piorando. Tudo isso influencia diretamente na nossa Seleção. Hoje, o plantel de Tite depende do individualismo de Neymar.

Nos dias atuais, o futebol é muito mais que 22 jogadores brigando por uma bola. Por trás do espetáculo tem um grande planejamento, que não é feito da noite para o dia. O brasileiro quer o resultado para ontem, mas é preciso entender que para chegar nos melhores leva muito tempo. Os europeus estão aprimorando a tática há quase 40 anos, já nós começamos a estudar melhor isso agora. Um esquema é muito mais que apenas números espaçados, mas sim uma grande estratégia que leva muito tempo para se aprimorada. Enquanto os técnicos seguirem com um conhecimento retrogrado e fazendo trabalhos de três meses, seguiremos em baixa.

Foto Destaque: Reprodução/ Colin McPhedran/ Getty Images

Leonardo Pinheiro
Leonardo Pinheiro
Escolhi jornalismo porque para mim é prazeroso informar as pessoas, e além disso, a paixão pelo futebol me encorajou a seguir essa carreira. Meu principalmente objetivo na profissão é trabalhar com esportes, principalmente o futebol.

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