O fim do conto de fadas

O FIM DO CONTO DE FADAS

#SomosTodosChapecoense

Por: Eric Filardi

“Voar, voar, subir, subir…” – Byafra

Este foi o lema da Associação Chapecoense de Futebol.
Nascida em 1973, tornou-se famosa ao subir para a Séria A em 2014 e nunca ter sido rebaixada. Em meio a um tanto de partidas jogadas, fez-se uma equipe querida no cenário nacional. Totalmente paradoxal, uniu torcidas rivais a seu favor, ao ser finalista da Copa Sul-americana de 2016. “Vai ChapeTerror!”

Tornou-se em pouco tempo o clube queridinho do Brasil. No mesmo pouco tempo em que disputaria a final com o campeão da Libertadores, Atlético Nacional, da Colômbia, mas o destino lhes barrou. Um acidente aéreo lhes derrubou, tentando acabar com sua história. Mas o Brasil e o mundo estão unidos e sempre guardarão este time na memória.

O mundo se chocou e foi solidário com esta imensa dor. 71 mortos no maior desastre aéreo da história do esporte e apenas 6 sobreviventes, pura sorte.

Voou alto, da série D até a série A. Sonhou alto. Tão alto que chegou no céu.

Talvez a felicidade fosse tão grande que o avião decidiu tomar outro rumo.

“Ir por onde for. Descer até o céu cair ou mudar de cor” – Byafra

Foi em grande parte para o céu e hoje o céu muda sim de cor. Hoje o céu é verde e branco, cores deste time de guerreiros de Chapecó.

O verde que representa crescimento e esperança. Crescimento do time que sonhou alto e foi longe com extrema confiança. Esperança de ganhar o tão sonhado primeiro título de expressão e verde também da harmonia, deste grupo que, sem grandes estrelas, com muita raça e união, estava prestes a alcançar seu objetivo maior, ser campeão.

O branco que representa a paz e a alegria. Um time que tinha a simpatia de todos e dava alegria aos catarinenses do Oeste e recentemente de todos do Brasil.

O dia 29 de novembro de 2016 ficará marcado na história do futebol como o maior desastre aéreo envolvendo um clube.

Seu adversário na final, o Atlético Nacional-COL, já solicitou a entidade máxima sul-americana, CONMEBOL, não jogar a final contra o time catarinense e ceder o título ao clube brasileiro. Talvez um dos maiores gestos de um clube de futebol, demonstrando humanismo, solidariedade e respeito ao próximo. Outro bonito gesto foi dos times do campeonato brasileiro que se solidarizaram e, em comum acordo, cederão jogadores a Chapecoense para o ano de 2017, gratuitamente, para ajudar a reerguer o clube e também enviaram a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) um pedido de que o clube catarinense não caia de divisão pelos próximos três anos.

Hoje não existe rivalidade, cor, nem tampouco individualismo. O Brasil e o mundo lhes dão #ForçaChapecoense. A força para um recomeço, terás de buscar no apoio brasileiro, dos torcedores apaixonados da Chape e agora da torcida de todo mundo.

Anjos verde e branco lhes darão todo o apoio para sempre. Ananias, Bruno Rangel, Canela, Lucas Gomes, Tiaguinho e Kempes, obrigado pelos dribles e gols, que não mais teremos. O capitão Cléber Santana e os meias Artur Maia, Sérgio Manoel, Gil, Josimar, Matheus Biteco, valeu por toda dedicação na marcação e armações de jogadas, que não mais teremos. Aos laterais Dener Assunção, Caramelo e Gimenez, agradecemos a toda dedicação e entrega em campo. Aos zagueiros Marcelo, Filipe Machado e Thiego, suas proteções e desarmes não serão esquecidos. Ao técnico Caio Júnior, valeu por levar este time aonde levou. Você os comandará esteja onde estiver, vá aonde for.

Ao herói da classificação Danilo, valeu por todas as defesas milagrosas, mas acredito que todos trocariam aquela defesa nos minutos finais, pela vida de cada um, inclusive a sua. Neto, Follmann e Alan Ruschel, força na recuperação.

Encontrar palavras para descrever este momento é impossível. As lágrimas caem sem pedir licença, o ar falta, o aperto no coração bate e ficaremos para sempre na saudade do Verdão do Oeste.

“Se morresse hoje, morreria feliz.” – Caio Júnior, técnico falecido da Chapecoense

“Que o teu trabalho seja perfeito para que, mesmo depois da tua morte, ele permaneça.” – Leonardo da Vinci

Chapecoense querida, hoje é um dia de luto. Mas pode ter certeza que sua história se eternizará e vamos contar uma nova história de glórias e honrar para sempre o nome de cada um que morreu em prol deste sonho. O mundo está triste, mas talvez o céu esteja alegre.

Como já diz o teu hino: “Nas alegrias e nas horas mais difíceis, meu furacão tu és sempre um vencedor”

“Nosso sonho não vai terminar…” – Claudinho e Buchecha

Eric Filardi
Eric Filardi
Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia. Sou Eric Filardi, paulistano de 27 anos, criado em Taboão da Serra, jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo e apaixonado por futebol. Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, Peixe, Palestra e Timão. Sou da Colina, Glorioso, Flu e Mengão. Sou brasileiro, hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 x 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões. Sou Clássico das Multidões. Sou Sul, Nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, Raposa, Bavi e Grenal. Sou Ásia e África. Sou Barça e Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas que o estádio incendeia: sou Futebol na Veia.
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