O espetáculo previsível e desinteressante da torcida única

No último domingo, 24, Santos e Palmeiras disputaram a vaga na final do Paulistão, na Vila Belmiro, a casa santista, mas tendo apenas os torcedores do Peixe como espectadores. A decisão de realizar o jogo com torcida única foi tomada em conjunto pela Secretaria de Segurança, o Ministério Púbico e o Poder Judiciário, com o objetivo de evitar confronto entre as torcidas organizadas igual ao que ocorreu entre palmeirenses e corintianos em uma estação de metrô de São Paulo, após a partida entre Palmeiras e Corinthians, no Pacaembu, no dia 03 de abril.

Devido a um grupo de acéfalos que se dizem torcedores, incapazes de conviver pacificamente em sociedade, o espetáculo realizado nas arquibancadas por aqueles que verdadeiramente gostam de futebol é prejudicado. Tais indivíduos desprovidos de massa encefálica são ideologicamente perturbados e podem ser encontrados em torcidas organizadas de qualquer parte do mundo, onde buscam satisfazer seus inexplicáveis anseios por violência. No entanto, é no Brasil que essa espécie de “torcedor” se prolifera com mais facilidade, pelo fato de não haver ainda leis rígidas contra esse tipo de gente no país.

Diante disso, criam-se atitudes emergenciais para a solução do problema como determinar torcida única dentro dos estádios, já que as autoridades são incapazes de combater de forma efetiva casos como esses.   

No clássico Santos e Palmeiras, o mando de jogo foi dado ao time com a melhor campanha no campeonato. Desse modo, a partida foi realizada na Vila Belmiro, com o estádio lotado, predominantemente preenchido com as cores branca e preta. Nas arquibancadas, não se encontrou nenhum ponto verde entre a multidão alvinegra e nada que representasse o time visitante: desde as lamentações por conta de uma bola na trave até os pedidos de pênaltis dos mais descabidos, tudo estava direcionado a apenas um lado, criando um espetáculo de reações unilaterais previsível e desinteressante.

Não que os santistas não soubessem fazer a festa – pelo contrário, a pressão vinda das arquibancadas é uma das armas do Alçapão da Vila –, mas com toda certeza o clássico se tornaria muito mais emocionante com a presença dos torcedores rivais.

Em um jogo cheio de emoções para os dois lados, somente quem estava com a camisa do Santos comemorou, gritou ou ficou apreensivo com as várias reviravoltas da partida. Não se ouviu gols do lado verde, nem xingos ou sinal de apreensão quando o jogo foi para os pênaltis, após Rafael Marques deixar o placar empatado com dois gols nos últimos 5 minutos do segundo tempo; tampouco houve a troca democrática de energia positiva e urucubacas durante as cobranças de penalidade.

No final, com defesas espetaculares do goleiro Vanderlei, o Santos saiu como vencedor. Mas, em volta, somente a alegria do lado da Baixada Santista ganhou espaço. Não houve tristeza, nem mesmo manifestações honrosas diante da derrota por parte do lado adversário. Um termino simples, nem um pouco democrático e digno do grande jogo apresentado.

Infelizmente, enquanto as autoridades não criarem punições severas contra os trogloditas que se infiltram entre os torcedores, tudo indica que iremos ver mais jogos como esse Santos X Palmeiras daqui em diante, com emoções restritas a somente uma torcida, fugindo totalmente do real sentido de uma partida de futebol.

Renan Amaral

Sobre Renan Amaral

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Apaixonado por esporte, Renan Amaral percebeu que tinha o futebol na veia quando foi a um estádio pela primeira vez. Anos depois, descobriu no jornalismo a oportunidade de estar envolvido de alguma forma com esportes, principalmente com o futebol, sua velha paixão, que nasceu quando ainda era um moleque que esticava o pescoço para ver melhor os jogos da arquibancada.

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