O brilho que ofusca o coletivo

A France Football anunciou os trinta concorrentes à Bola de Ouro de 2016. O centro das atenções passou a ser então a primeira premiação que a instituição concederá após o rompimento com a FIFA, que ocorreu em setembro deste ano. O anúncio acontecerá no dia 13 de dezembro.

Trinta nomes concorrem ao prêmio, mas Cristiano Ronaldo e Messi são sempre os favoritos. Neymar é o único brasileiro da lista. A Argentina e a França são os países com maior número de indicados. São quatro: Messi, Dybala, Higuaín e Aguero, pelo lado argentino e Griezmann, Payet, Pogba e Lloris, pelo lado francês. A lista conta ainda com Mahrez e Vardy, as gratas surpresas do campeão inglês Leicester City.

Verdade seja dita: Ronaldo e Messi polarizaram a disputa. Não bastasse o duelo travado dentro de campo em busca de recordes e mais recordes, os dois fantásticos jogadores, em uma competição a parte, digladiam-se para ver quem terá mais condecorações neste quesito. Messi tem cinco; Cristiano Ronaldo tem três, mas após a conquista da Liga dos Campeões e da Eurocopa, parece caminhar para a conquista do quarto prêmio.

Mas por trás do garbo e da elegância da premiação há um ‘quê’ de injustiça, visto que dentre todas as posições, apenas uma é agraciada.

Pergunta-se: qual o critério para definir se um atacante é melhor que um goleiro? E em relação a um zagueiro?

O volante Khedira, da Juventus, já defendeu as cores do Real Madrid e foi companheiro de Cristiano Ronaldo. Hoje, entretanto, convive dentro das quatro linhas com Buffon. Sobre o lendário arqueiro italiano, Khedira foi enfático e fez um coro pela premiação do goleiro.

– Definitivamente Buffon merece este prêmio, já que jogou 20 anos ao mais alto nível. Conheço bem Cristiano Ronaldo, jogamos juntos durante cinco anos. É um jogador fantástico. Se eu decidir com meus pensamentos, essa pode ser a última chance para Buffon. Seria ótimo para ele e bom para a gente também – disse Khedira à Premium Sport.

Buffon é um dos mais épicos jogadores de todos os tempos. Como um vinho, parece ficar melhor conforme passa o tempo. Aos 38 anos, o guarda-redes ainda arranca aplausos das arquibancadas. A história do goleiro é digna de filme. Incontáveis são os milagres que operou debaixo das traves. Outros tantos goleiros são merecedores. As últimas temporadas de Manuel Neuer elevaram-no a um patamar de destaque. Courtois é outro que merece ser lembrado.

Mais adiante, o que difere, em termos de competência, um goleiro de um zagueiro? Godín, Hummels, Boateng e Sérgio Ramos são alguns dos nomes de destaque dentre os zagueiros. Se não unânimes, mais da metade destes teriam lugar em qualquer time do mundo.

Na criação, um dos mais fantásticos de todos, Iniesta nunca foi contemplado com uma Bola de Ouro. Dentre todos os meio campistas, o espanhol é o melhor que já vi jogar. A destreza com a bola nos pés é de deixar qualquer um com o queixo caído.

Ao goleiro cabe defender; ao zagueiro, o desarme; ao meia, a criação; ao atacante, os gols.

Pois bem, como e por que Messi e Cristiano Ronaldo são melhores que os demais companheiros de profissão?

A solução mais viável e correta é eleger e premiar os onze melhores jogadores do mundo. Cada um deve competir dentro de suas funções. Isto já é feito, visto que o Time do Ano é eleito todos os anos. Mas sejamos verdadeiros: a Bola de Ouro ofusca o brilho dos demais jogadores.

Você se lembra de todos os onze do Time do Ano de 2015? Se a resposta for não, conclui-se o óbvio: a premiação é injusta.

André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

André Siqueira Cardoso já escreveu 313 posts nesse site..

Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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