O brasileiro que defendeu a Argentina e o argentino que comandou o Brasil

Decerto, a rivalidade entre Brasil e Argentina é uma das maiores do mundo. Porém, o difícil é apontar qual o real motivo dessa competência. A explicação mais plausível se dá da herança de um confronto político entre os países. De tal forma que a competição e concorrência ganharam força e se alastraram por diversas vertentes. Principalmente no esporte. Confira esta história de quando um brasileiro defendeu a Argentina, e um argentino comandou o Brasil na coluna Catimbando desta semana.

O desentendimento entre as duas nações parece ter tido início já no começo do século XIX. Afinal, ambos foram os protagonistas da famosa Guerra da Cisplatina (1825-1828). Aquele confronto, com certeza, não terminou bem para os brasileiros. Além de sofrer a derrota e perder a região da Cisplatina (hoje conhecida como Uruguai), tiveram de enfrentar uma grave crise econômica.

Foto: Reprodução/Brasil Escola
Pintura de Juan Manuel Blanes retratando os 33 orientais, o grupo que declarou a separação da Cisplatina do Brasil e sua vinculação com Buenos Aires. Foto: Reprodução/Brasil Escola

No entanto, a rivalidade cresceu cada vez mais. Os dois países cultivaram uma longa disputa política. Desde muito tempo são consideradas as principais forçsa da América do Sul, com pretensões à hegemonia e à superioridade. Dessa maneira, a rivalidade se cristalizou ao longo do tempo. Até invadir outros setores, como o futebol.

RIVALIDADE NO FUTEBOL

Há 100 anos, o principal rival da Argentina era o Uruguai. Contudo, os hermanos passaram a competir mais com os brasileiros conforme as duas seleções ganhavam espaço no esporte. Hoje, já são 106 partidas disputadas. Em suma, o Brasil conquistou 43 vitórias contra 38 dos argentinos. Além de 25 empates. Os brasileiros marcaram 165 gols e a Argentina 158. Sendo assim, o duelo reserva grandes momentos.

Afinal, como esquecer o jogo das oitavas da Copa de 90? Onde Maradona e Caniggia eliminaram uma seleção brasileira desamparada. Ou então, a final da Copa América de 2004? Naquele dia em que o Imperador calou o time de Tévez, Mascherano e companhia. Muitas histórias curiosas envolvem esse clássico. Mas é difícil acreditar no que aconteceu com Aarón Wergifker e Filpo Núñez.

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O BRASILEIRO QUE DEFENDEU A ARGENTINA

Foto: Reprodução/Futebol Portenho
Aarón Wergifker no River Plate. Foto: Reprodução/Futebol Portenho

Antes de mais nada, o caso aconteceu na década de 1930. Aarón Wergifker é o brasileiro que defendeu a Argentina. Ao todo, disputou cinco jogos pela Albiceleste. No entanto, o jogador apenas nasceu no Brasil. Foi na cidade de São Paulo. Mas viveu toda a sua infância no país hermano. Pois era filho de uma família judia, que chegou à América após deixar a Europa. Afinal, esta viria a sangrar muito com a Segunda Guerra Mundial.

Apelidado de Brazuca, Aarón era zagueiro. Possuía pouca técnica, mas tinha muita raça. Assim, logo virou ídolo do River Plate, onde jogou por nove anos. Em 1934 foi convocado pela primeira vez. Na ocasião, a Argentina enfrentou o Uruguai. O jogo terminou em 2 x 2. Wergifker ainda vestiu a camisa albiceleste por mais quatro oportunidades. Mas nenhuma delas foi em um jogo oficial.

Contudo, a origem judia da família de Aarón foi um fator determinante em outro caso. Em 1941, o jogador foi demitido do River. A princípio, o motivo seria insuficiência pulmonar. Porém, é difícil acreditar nesse laudo, quando o atleta nunca apresentou nenhum caso do tipo. Além disso, o médico responsável pelo diagnóstico era nazista e seguidor de Adolf Hitler. Para muitos, este foi um caso claro de racismo contra judeus.

O ARGENTINO QUE COMANDOU O BRASIL

Foto: Reprodução/Globo Esporte
Filpo Núñez no Palmeiras. Foto: Reprodução/Globo Esporte

À primeira vista, o Palmeiras da década de 60 era um timaço. Uma verdadeira seleção. Portanto, foi exatamente o que aconteceu em 7 de setembro de 1965. Naquele feriado de Independência, a CBD (hoje CBF) convidou a equipe palestrina para disputar a Taça Inconfidência. Ou seja, o elenco palmeirense enfrentou o Uruguai vestido de verde e amarelo. O jogo também marcou a inauguração do estádio Mineirão.

Contudo, o técnico daquele time do Palmeiras era o argentino Filpo Núñez. Sendo assim, o treinador, consagrado por dirigir também Cruzeiro, Corinthians e Sport, naquele dia se tornou o único estrangeiro a comandar o Brasil.

Para o jogo, Filpo escalou o time com força máxima. A seleção brasileira entrou em campo com: Valdir de Moraes; Djalma Santos, Djalma Dias, Valdemar e Ferrari; Dudu e Ademir da Guia; Julinho, Servílio, Tupãzinho e Rinaldo. O goleiro Picasso, o zagueiro Procópio, os meias Germano e Zequinha e os atacantes Dario e Ademar Pantera entraram no decorrer da partida.

Por fim, o Brasil venceu por 3 x 0. O time dirigido por Núñez marcou com Rinaldo, Tupãzinho e Germano. Na ocasião, o Uruguai era uma das melhores equipes do mundo e se classificou para disputar o Mundial de 1966, de forma invicta.

Foto destaque: Reprodução/Globo Esporte

Carlos Soares
Além da enorme paixão pelo esporte, eu sempre tive facilidade com a comunicação no geral. É uma habilidade que me destaca em qualquer ambiente que esteja. O desejo de fazer jornalismo surgiu devido a vontade de fazer com que essa aptidão possa me proporcionar grandes desafios em minha carreira profissional, principalmente na área esportiva. Ao ingressar na faculdade e estagiar na área, descobri diversas abordagens diferentes que o jornalismo pode ter e a quantidade de histórias que estão esperando para serem contatadas. O que fez eu me interessar ainda mais pela profissão e querer desempenhar um fazer jornalístico objetivo e de qualidade.

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