O baque que a Seleção não precisava

- Lesão de Neymar liga o alerta para a Copa e o desafio de Tite será manter o brilho da equipe

Nenhum jogador merece se lesionar, isto é fato. Ficar afastado dos gramados, por qualquer que seja o motivo, afeta, sem dúvida nenhuma, o estado de espírito do atleta, que faz da sua vida as quatro linhas. Neste contexto, correr o risco de ter o desempenho combalido em um ano de Copa do Mundo, como é o caso de Neymar, é ainda pior. A fratura do pé e a torção do tornozelo direito, que deixará o camisa 10 do PSG e da Seleção fora por até três meses, é um duro golpe para o jogador e seus técnicos, Unai Emery e Tite. O último, inclusive, é quem tem o maior desafio pela frente.

Quando desembarcou no Brasil, o diagnóstico do médico Rodrigo Lasmar não foi nada animador. Foi confirmada uma fratura, não uma fissura, como vinha sendo dito. Os dois meses de recuperação viraram três, o que faz com que o astro brasileiro praticamente perca o restante da temporada pelo PSG, clube que o transformou no atleta mais caro da história do futebol. Neymar estaria à disposição em uma eventual final de Liga dos Campeões, torneio no qual os franceses terão de conquistar uma notável e dificílima vitória contra o maior campeão europeu, Real Madrid. Ademais, caso os franceses mantenham-se na competição, haverá outros jogos duríssimos pela frente. E a falta de Neymar será sentida.

Missão Rússia 

Tite não precisa provar nada a ninguém, mas este é um ingrato desafio

Sob outro aspecto, Tite não poderá contar com o melhor jogador de sua Seleção nos amistosos que considera fundamentais: contra Rússia e, sobretudo, Alemanha. O treinador gaúcho admitia que gostaria de ver seus jogadores atuando sem Neymar, mas não nestas circunstâncias. Além disso, entre a volta do melhor jogador brasileiro e a estreia na Copa do Mundo haverá um curtíssimo tempo. É um alento o fato do camisa 10 não sofrer para se condicionar fisicamente, mas o fantasma de uma atuação aquém de suas capacidades ronda os bastidores dos pentacampeões mundiais. Guardadas as devidas proporções, seria trágico se Neymar estivesse em campo nas mesmas condições em que CR7 esteve no Brasil, em 2014. O conjunto brasileiro é superior, mas o jogador que desequilibra pode não estar 100%.

Sobre isso, a questão mais importante. É claro que a ausência do terceiro melhor jogador do mundo na atualidade é e sempre será sentida, mas a situação se agrava quando esse atleta é o único capaz de decidir um jogo. Sim, pois, embora o trio – ou quarteto, se considerarmos Firmino – formado por Jesus, Willian e Coutinho seja extremamente capacitado, não os enxergo como jogadores capazes de ganhar uma Copa ”sozinhos”. E, na verdade, não há a necessidade de que o façam solitariamente, já que, historicamente, o Brasil tinha duplas espetaculares quando ergueu taças de Copa: Pelé e Jairzinho, em 1970; Romário e Bebeto, em 1994; Ronaldo e Rivaldo, em 2002. Atualmente, contudo, Neymar é o único incontestavelmente genial. Gabriel Jesus, apontado como o parceiro ideal do camisa 10, é um excelente jogador, mas ainda não atingiu este patamar, o que, diga-se, é extremamente compreensível.

Por isso, a missão do competente Tite é bastante complicada: sem Neymar, terá que fortalecer o conjunto, em detrimento do lampejo individual. Algo semelhante ao que faz Guardiola no encantador City desta temporada. Os citizens podem não ter o elenco mais galático, mas o poder coletivo é extremamente avassalador. O gaúcho Adenor tem know how para isso e dispõe de jogadores que vivem esta realidade nos melhores clubes do mundo. Isso, contudo, não facilita em nada a árdua missão que terá pela frente.

André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

André Siqueira Cardoso já escreveu 313 posts nesse site..

Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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