A princípio, o Atlético Mineiro se coloca como candidato a praticamente todos os títulos que disputa. Líder do Campeonato Brasileiro com 34 pontos – dois à frente do Palmeiras –, o Galo também está muito vivo nas copas. Contudo, ainda pesam algumas desconfianças sobre o técnico Cuca. Campeão da Taça Libertadores com o próprio Atlético Mineiro em 2013, o comandante da equipe pretende repetir a dose em 2021. Ele também venceu o Brasileirão em 2016. Dessa vez treinando o atual concorrente direto do Galo na competição. É certo que não lhe falta experiência. Além disso, há a Copa do Brasil. Quem poderá parar o Atlético?

Como o Galo se preparou?

A revoada atleticana não começa em 2021. Há pelo menos duas temporadas, o Atlético Mineiro passou a investir cifras consideráveis no seu departamento de futebol. O poder aquisitivo do Galo é ampliado pela participação de um grupo de empresários atleticanos na gestão financeira do clube. No entanto, o orçamento da equipe de Minas Gerais ainda é menor que o do Palmeiras. De certa forma, essa leve discrepância monetária não é mais um problema tão grande. Ademais, há uma expectativa em torno da construção da Arena MRV (este jornalista esportivo julga ser um tremendo desperdício de dinheiro e espaço, considerando o contexto de BH). O Galo tem projeto, visão de futuro.

A mecânica de jogo do Cucabol

No Brasileirão 2016, o Cucabol virou moda. Em síntese, um futebol pragmático que dá resultado. Cinco anos depois, o conceito aplicado no Galo não é tão diferente. Basicamente, o time encontra um equilíbrio quando ataca no 4-3-3 e se defende no 4-2-3-1. Cuca até usou o 4-1-4-1 quando precisou de superioridade numérica na meia cancha. Entretanto, a longo prazo esse esquema não se sustenta devido as características do plantel atleticano. Nesse sentido, a estrutura de jogo da equipe carece de um volante de cobertura. Sem o cabeça de área na frente da zaga, a proposta não funciona. Sobretudo, no 4-1-4-1 esse jogador acumula funções. Cuca foi inteligente e corrigiu isso a tempo.

A linha de frente do Atlético Mineiro

Preferencialmente, o 4-3-3 é utilizado contra as equipes consideradas mais frágeis. Desse modo, é um esquema que trouxe algumas vitórias consistentes (Atlético Goianiense e Bahia). Contudo, pode fracassar se a recomposição for lenta demais. O trio de ferro do Atlético Mineiro é composto por Hulk, Savarino e Zaracho. Quando os três jogam juntos, o Galo vai muito bem. Reservas de luxo, como Vargas, também agregam ao time. Hulk é o jogador de referência. Artilheiro que atua centralizado. A recente lesão de Zaracho coloca uma dúvida na cabeça de Cuca em relação a sequência das competições. O recheado elenco tem uma peça de reposição à altura?

O setor de construção do Galo

Antes de mais nada, o meio-campo do Atlético Mineiro sabe cadenciar o jogo. O Galo cultiva o hábito agradável de ser o protagonista das suas partidas. Além disso, conta com a genialidade de Nacho Fernández. Ele é responsável pela organização das ações criativas da equipe e por fazer a bola chegar em Hulk, através de triangulações com os alas. Estes, por sua vez, se comportam como pontas e avançam quando o Galo está no ataque. O jogo aéreo é outro ponto forte desse setor. Por outro lado, a transição de faixa e a substância defensiva da linha média ficam a cargo de Allan e Tchê Tchê. A química entre eles é interessante, embora eu ache que Franco mereça mais oportunidades.

Defesa: a equação atleticana

Everson é titular absoluto no gol do Atlético Mineiro. Contudo, a dificuldade de repetir a escalação na linha de trás foi uma grande dor de cabeça para Cuca no início da temporada. Por outro lado, nas últimas partidas, o Galo parece ter equacionado seu problema defensivo. O treinador privilegia a invejável dupla de zaga Réver e Junior Alonso na sua formação. Na lateral-direita, a opção imediata é Mariano. Já Dodô se encarrega de cobrir o lado esquerdo. Desse modo, aos poucos vai se desenhando o esqueleto do time titular. Melhor para a torcida atleticana que isso esteja ocorrendo na hora H. As copas estão afunilando e a corrida pelo Brasileirão chega quase na metade.

O Galo é o time mais competitivo?

Concluindo, acredito que – se levarmos em consideração o conjunto da ópera – o Galo é sim o clube brasileiro mais competitivo no momento atual. É possível argumentar que o plantel do Flamengo também está brigando em três frentes. Porém, a realidade estratosférica coloca esse desempenho exorbitante em um patamar quase imperativo. Enfim, dá para fazer frente. Além disso, um provável encontro na final da Libertadores poderia ser um ótimo tira-teima. Cuca até bateu na trave ano passado com o Santos. Se reconquistar a América, joga a última pá de cal sobre qualquer desconfiança da Galoucura. Em suma, muita água ainda vai correr por debaixo dessa ponte.

Foto destaque: Divulgação / Pedro Souza – Atlético Mineiro

André Filipe
Apaixonado pela dimensão histórica do futebol e pela ciência da bola. Gremista desde a Batalha dos Aflitos para o que der e vier. Sinto na escrita o calor latente das minhas paixões profissionais. Historiador, jornalista esportivo e jogador de pôquer nas horas vagas.