O apito desafinado e a epopeia do Robin Hood da Baixada

O árbitro da partida entre Internacional e Santos, Rodrigo Raposo, assumiu um protagonismo indevido na noite de ontem. Mas o triunfo colorado e o revés alvinegro não passam exclusivamente pelas decisões do fraquíssimo assoprador de apito.

O Internacional entrou em campo empurrado pelo seu torcedor, que compareceu em peso ao Beira Rio. Pouco mais de 34 mil torcedores transformaram o estádio colorado em um caldeirão. Os comandados de Celso Roth tinham a missão de dar fim ao jejum de 14 jogos sem vitórias, distribuídos em um interminável período de 84 dias.

A péssima qualidade técnica do elenco contribuiu para que o ímpeto ofensivo do Internacional estivesse restrito aos minutos iniciais da partida. Muitos passes errados e pouca efetividade esfriaram o jogo.

Ricardo Oliveira abriu o placar e chegou ao 300º gol da carreira após uma saída de bola grotesca de Geferson, que atravessou uma bola inadmissível na frente da área colorada.

Após o gol, entretanto, o Santos adotou uma postura covarde e trouxe o Internacional para o seu campo de defesa. Empurrado pelo seu torcedor, Seijas empatou o jogo, após desvio em Gustavo Henrique, que tirou Vanderlei da jogada.

Antes disso, Rodrigo Raposo deixou de marcar pênalti de Anselmo em Vitor Bueno. No lance, o volante do Internacional empurrou o meia santista em jogada aérea. Ainda, tirou Victor Ferraz do clássico em um lance incompreensível. Depois, Ricardo Oliveira quis retardar o jogo e, em uma postura inadmissível para um capitão de equipe, ficou na frente do volante do Internacional. Cartão amarelo merecido. Mais um suspenso para o clássico. Luiz Felipe demorou em cobrar falta, Lucas Lima se aproximou e tomou cartão amarelo.

No último minuto do tempo regulamentar, entretanto, o maior equívoco do árbitro. Na origem da jogada, Vitor Bueno desloca-se na direção de Lucas Lima para executar uma jogada ensaiada. O escanteio curto é recorrente na equipe alvinegra. Rodrigo Raposo não quis saber. Na contramão de todos os demais árbitros, que advertem verbalmente os jogadores, optou por expulsar Lucas Lima.

O primeiro tempo chegou ao fim e o placar estava empatado. Na volta para a etapa final, Celso Roth sacou Anselmo, que distribuiu pancadas ao longo dos 45 minutos iniciais, mas não foi expulso.

Defendo a ideia de que um jogador a menos não compromete tanto o padrão tático de um time, mas, como de costume, o Santos, com apenas dez em campo, recuou e parecia conformado com o empate. Afinal, tratava-se de uma partida fora de casa.

O Inter veio para cima e obrigou Vanderlei a fazer importantes defesas. A pressão surtiu efeito e, após cobrança de escanteio e mais um milagre do arqueiro santista, Aylon virou o jogo e tirou a pressão das costas da equipe colorada.  Após o gol, o Santos passou a correr o que não correu o jogo todo. Foi para cima e pressionou o Internacional. Mais uma prova de que basta jogar bola para equilibrar um jogo.

No minuto final, Copete, o melhor santista em campo, quase empatou, mas Aylon tirou a bola dos pés do colombiano em cima da linha. Fim de jogo. Dois para o Internacional, um para o Santos. Dezoito faltas cometidas pelo colorado, quatro amarelos. Sete faltas cometidas pelo alvinegro praiano, quatro amarelos e um vermelho.  As decisões do árbitro influenciaram o resultado da partida, mas o Santos contentou-se a jogar apenas até o gol de Ricardo Oliveira. O Internacional teve maior volume de jogo e saiu de campo com a vitória.

Após 14 jogos, o Internacional enfim ganhou. O Santos, por sua vez, entregou o décimo segundo ponto para adversários que flertam com o rebaixamento. Nos últimos cinco jogos, derrotas para América-MG, Coritiba, Figueirense e Internacional. A epopeia do Robin Hood da Baixada dificilmente dará ao Santos chances de título. E a continuar assim, o alvinegro corre o risco de ficar de fora da Libertadores por mais um ano.

Na próxima rodada, o Internacional enfrenta o Atlético-PR fora de casa e tentará afastar de vez a crise. O Santos, por sua vez, recebe o Corinthians, na Vila Belmiro e terá a missão de diminuir a vantagem, que hoje é de quatro pontos, para o próprio Corinthians, visando o G4.

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André Siqueira Cardoso
André Siqueira Cardoso
Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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