O 4-1-4-1 de Tite

Que Adenor Leonardo Bacchi, o Tite, é o melhor treinador em atividade no Brasil, ninguém discute. O técnico teve em 2014 um período sabático, onde não treinou nenhum clube enquanto aguardava o convite, que nunca veio, para ser técnico da Seleção Brasileira após o fiasco na Copa do Mundo. Mas engana-se quem pensa que o gaúcho ficou de braços cruzados. A fim de atualizar-se, Tite participou de cursos na Europa ministrados pela UEFA além de palestras com treinadores de renome como o argentino Carlos Bianchi, ex-técnico do Boca Juniors, e Carlo Ancelloti, ex-Real Madrid e Milan. Os estudos deram resultado e Tite trouxe para o Brasil o que há de mais novo no mundo da bola: o moderno esquema 4-1-4-1.

Na forma de jogar adotada pelo Corinthians de Tite, não são as características dos jogadores nem o fator casa que ditam o jogo, mas sim a sólida proposta do 4-1-4-1 dentro de campo: sem a bola, marcação sob pressão, onde um ou mais corintianos apertam a saída de bola do adversário. A pressão começa no campo de ataque, com Vagner Love e Malcom avançando sobre os zagueiros, forçando o popular “chutão”.

esquema

Na imagem acima, vemos o Corinthians sendo atacado pelo Atlético-MG no Horto, em jogo que acabou em 0x3 para os paulistas, e para muitos, o melhor jogo do Hexacampeão ao longo do torneio. Com a bola em seu campo de defesa, o time recua o meio de campo, onde o volante Ralf protege a linha de quatro formada pelos laterais e zagueiros para Malcom, Jadson, Renato Augusto e Rodriguinho (substituto de Elias na partida) darem o combate e roubarem a bola dos meio-campistas adversários. Com a bola roubada, é armado o contra-ataque do clube, de onde se originou mais de 60% de seus gols no Brasileirão 2015.

 No campo de ataque, a eficiência do 4-1-4-1 é ainda mais nítida:

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Tite faz com que seu esquema tático proporcione diversas triangulações para se chegar ao gol adversário. Sempre que um corintiano tem a posse de bola no ataque, existem duas opções de passe. A construção das jogadas ofensivas sempre passa pelos pés de Renato Augusto e Jadson, responsáveis pela criação de chances de gol.

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O esquema, moldado por Tite desde que voltou ao Corinthians, passou a ser usado na Libertadores de 2015. Entretanto, ganhou maior destaque com a saída de Paolo Guerrero e a consequente chegada de Vagner Love. O peruano é especialista em jogo aéreo, o que fazia com que os zagueiros e laterais corintianos fizessem ligações diretas ao ataque para que Guerrero cabeceasse a bola para um de seus colegas (geralmente Jadson, Malcom e Elias) chegar ao gol. Já Vagner Love, de menor estatura, possui rendimento melhor com a bola nos pés, o que obriga o time a carregar a bola até o centroavante, através de seu esquema tático adaptado.

O principal trunfo do 4-1-4-1 do Corinthians sob a batuta de Tite é a força adquirida pelo conjunto: o esquema obriga os dez atletas de linha a atacar e defender em bloco, como mostrado na imagem. Não á toa, 20 jogadores diferentes, de diversas posições, anotaram pelo menos um gol no Campeonato Brasileiro. Seja pela infiltração de Elias, constante elemento surpresa, pelas investidas de Jadson e Renato Augusto ou pela estabilidade defensiva de Ralf, o meio de campo do Corinthians é a base do esquema tático mais moderno da atualidade, trazido da Europa pelo melhor treinador brasileiro de 2015.

E aí, CBF? Esperando o que para contratar Tite?

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Sobre Vinícius Deguar

Vinícius Deguar já escreveu 26 posts nesse site..

Jornalista de 23 anos e estudante de Comunicação Social na UNG/SP, escrevo para o Site Futebol na Veia desde novembro de 2015 e sou especializado no núcleo do futebol paulista, cobrindo principalmente o cotidiano dos quatro grandes do estado de São Paulo. Aprendi como um time deve jogar bola vendo o Barcelona holandês-catalão de Cruiff, Rijkaard, Davids, Overmars e cia. limitada. Possuo o futebol em minhas veias desde criança. Contato: viniciusdeguar@aim.com

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Vinícius Deguar
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