A Seleção feminina dos Estados Unidos, atual campeã do mundo, já levantou a taça quatro vezes desde a primeira Copa do Mundo feminina, que aconteceu em 1991. Boa parte das atletas do time nacional ainda jogam em equipes norte-americanas, incluindo Megan Rapinoe, eleita a melhor jogadora do mundo pela FIFA no ano passado. Este bom desempenho não é uma coincidência e para entendê-lo, é fundamental compreender também o funcionamento da National Women's Soccer League (NWSL), a elite do futebol feminino estadunidense.

Apesar de ter surgido somente em 2012 para suceder a Women's Professional Soccer (WPS), a NWSL é reconhecidamente uma das melhores ligas de futebol feminino do mundo. O forte nome da competição atrai atletas renomadas do mundo inteiro. Além de grandes estrelas do futebol norte-americano, como Alex Morgan, Ali Krieger e Alyssa Naeher, a liga também conta com importantes atletas de outros países, como a canadense Christine Sinclair e a atacante brasileira Marta.

Com um futebol de tão alto nível, é provável que, se você ainda não acompanha a NWSL, agora queira acompanhar. Por conta disso, a coluna “Rainhas da Bola” de hoje explicará como funciona a elite do futebol norte-americano feminino. Confira!

Formato da competição

A temporada da 1ª Divisão do futebol feminino norte-americano é dividida em duas etapas: o período regular e os playoffs. Na temporada regular, as equipes jogam entre si três vezes e vão acumulando pontos. Seguindo o padrão internacional, a atribuição de pontos consiste em três pontos por vitória, um por empate e nenhum por perda. Dessa forma, a equipe com mais pontos no final deste período se torna vencedora da temporada regular e recebe o escudo NWSL.

Atletas do North Caroline Courage celebrando após vencer os playoffs na temporada de 2019 (Foto: Divulgação/NWSL)

Além disso, o clube vencedor é automaticamente classificado para os playoffs ao lado das três outras equipes que ficaram em 2º, 3º e 4º lugar. Dessa forma, na semifinal, a equipe com o maior número de pontos enfrenta a que conquistou a 4ª posição. Consequentemente, o 2º e o 3º classificados disputam a outra vaga para a final. Em uma partida única, os vencedores dos jogos da semifinal se encontram para a partida que decidirá quem será o campeão geral da temporada.

Equipes da NWSL

Já é certo que ao menos duas equipes ingressarão na competição nas duas próximas temporadas, incluindo o Angel City, time que possui as atrizes Natalie Portman, Jennifer Garner e Eva Longoria entre as investidoras. No entanto, atualmente somente nove equipes fazem parte da NWSL. Sendo elas:

  • Chicago Red Stars
  • Houston Dash
  • North Carolina Courage (atual vencedor do escudo e campeão da NWSL)
  • OL Reing
  • Orlando Pride
  • Portland Thorns FC
  • Sky Blue FC
  • Utah Royals FC
  • Washington Spirit

As equipes podem contar com 20 a 22 jogadoras na lista. Deste número, até quatro atletas podem ser internacionais. Ou seja, no máximo quatro jogadoras por equipe podem não possuir cidadania norte-americana.

Marta durante partida entre Orlando Pride e Washington Spirit pela NWSL (Foto: Divulgação/NWSL)

O processo de aquisição de atletas é fundamental para compreender o sucesso do futebol feminino norte-americano. Além dos métodos de negociação tradicionais, há também o College Draft no país. Neste processo, algumas atletas de destaque das equipes universitárias de futebol feminino dos Estados Unidos podem ser contratadas por clubes profissionais que atuam na NWSL. Assim, há um forte investimento já nos times acadêmicos, o que ajuda a elevar o nível técnico do futebol feminino norte-americano.

Salários

Sem dúvidas, os salários recebidos pelas jogadoras também são um diferencial para tornar a NWSL uma das principais competições de futebol feminino do mundo. Apesar de ainda haver uma grande diferença em relação ao montante recebido pelas equipes masculinas, o teto salarial estabelecido pela Federação de Futebol dos Estados Unidos garante que as atletas recebam salários superiores à média global.

Atualmente, as jogadoras que não atuam pela equipe nacional dos EUA possuem um salário mínimo de US$ 20.000 e máximo de US$ 50.000. Por outro lado, as atletas que atuam pela Seleção feminina norte-americana não se encaixam neste teto salarial, visto que o salário não é pago pelos clubes, e sim pela federação nacional. Além dos US$ 650.000 que as equipes possuem para o pagamento dos salários, há também um valor de US$ 300.00 que é chamado de “dinheiro de alocação”. Com isso, este montante, que não faz parte do teto salarial, é destinado para investir em novas contratações.

Foto destaque: Reprodução/Getty Images

Giovanna Oliveira
Giovanna Oliveira
Giovanna Oliveira, 19 anos. Estudante de jornalismo, profissão que escolhi por ser apaixonada por ouvir e contar histórias. Atualmente, trabalho na redação da Casa Vogue e sou colunista do Coldplay Brasil. Acredito que não somente o futebol, como todos os outros esportes, são algumas das formas mais encantadoras de lidar com a vida e se conectar com as pessoas.

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