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Já dizia Fernando Pessoa: “O mar com fim será grego ou romano. O mar sem fim é português”.

Doze anos após a derrota em casa, no Estádio da Luz, em Lisboa, por 1 a 0 para Grécia, em 2004, a seleção lusitana saiu neste domingo, (10), para desbravar e voltou com o que ainda buscava desde aquela época: o título da Eurocopa.

Foram campeões não só no título, de 1 a 0 contra a França, Portugal teve muitos motivos para comemorar, e um deles foi um faturamento de R$ 93 milhões com o título da Euro.

A UEFA faturou com a venda de ingressos aproximadamente R$ 1,46 bilhão. A disputa arrecadou aproximadamente R$ 7 bilhões, e resultou num lucro de mais de R$ 3 milhões. Em 2012, ano da última edição da Euro, o montante foi 34% mais baixo do que montante atual.

A muito tempo a confederação portuguesa se organiza para a seleção ter o rendimento que mereça a taça, nem mesmo gerações mais talentosas do que a atual, como Luís Figo e outros grandes jogadores, não conseguiram esse êxito, mesmo com uma equipe mais recheada de craques.

O plantio de Portugal foi longo, desde a Era Felipão, que bateu na trave, chegando a final da Euro, mas perdendo para a Grécia. E sem posições expressivas a seleção manteve-se firme, mesmo que tímida.

Chegar ao título e receber essa quantidade de dinheiro, com exorbitantes dígitos, foi proveniente de muito esforço, o que demandou por parte da federação portuguesa um bom investimento, desde centros de treinamento a técnicos estrangeiros, como Fernando Santos, que estimulou o time com garra, onde mesmo com a saída do herói, foi brava, evidenciando que uma equipe não gira em torno do protagonista. E é claro que Cristiano Ronaldo não precisa de adjetivos, pois o coletivo disse por si só.

Tudo o que vemos em campo não nasce na grama, mas tudo o que não vemos em campo talvez, sim, nasça. Por tanto, Portugal colheu o que plantou. A garra, a vitória, a não estagnação de uma seleção.

E os lusos não foram só feliz na conquista desse título pesado de emoldurar, ou na quantia exacerbada do lucro que rendeu ao país. A mistura de raças com jogadores africanos, como Renato Sanches e Nani, cabo-verdenses, William Carvalho, angolano e Éder e Danilo, guineenses, europeus, como Adrien Silva, Rafaël Guerreiro e Anthony Lopes, franceses e Cédric Soares, alemão e um brasileiro, Pepe, mostra um futebol de todos, lutando todos por um único meio, a bola. E por uma única nação, seja a do coração ou a do uniforme.  

Para um país que veio de uma crise generalizada em 2014, desde taxas de desemprego altíssimas e de idosos acima da média a uma economia em desaceleração, o país pode (E DEVE) sorrir com essa conquista que prova, mais uma vez: “O mar sem fim é português.”

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Poliesportiva


Leticia Soares
Leticia Soares
Letícia Soares, 21 partidas completas pela vida. Estudante de jornalismo, que já estudou gastronomia e que ama também áreas da psicologia. O que isso tudo tem em comum? Nada. Simplesmente descobriu a paixão pelo futebol por um ex-namorado que era fanático pelo jogo. O relacionamento teve fim, mas o amor pela bola, continua prosperando a cada partida que assiste.

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