Na minha casa mando eu! 50 jogos do novo Palestra Itália

Mais de 50 meses. Exatos 1.582 dias. Este foi o período que a torcida que canta e vibra ficou sem poder frequentar a própria casa. Sem poder ver e sentir a Rua Turiassu pulsar em verde e branco em dia de jogo. Sem poder andar pelo Palestra Itália. Se dissessem que o período até a reinauguração iria ser difícil, não poderíamos imaginar o quanto.

Até que os dois primeiros anos de Porcoembu foram tranquilos. Mas veio 2012 e comprovamos que a profecia maia estava errada. O fim do mundo não iria ser em dezembro. Foi em 18 de novembro, dia da derrota para o Flamengo. Caímos. Amargamos mais um ano de segundona em 2013. E o pior: longe do Palestra. Subimos. 2014, ano do centenário. A tão esperada volta ao nosso santuário, depois de tanto imbróglio. Perdemos o jogo de reencontro com o nosso lar. Quase caímos de novo, mas fomos salvos pelo gongo (vulgo Santos Futebol Clube) nos últimos minutos da última rodada do Brasileirão.

2015 começou com a perspectiva de que não teria como ser pior que 2014. Pintamos 2015 de verde. De esperança de dias melhores. Lotamos a nova casa para uma nova era, para esquecer os velhos problemas. Abraçamos o time, abraçamos o lar ainda maior, ainda melhor e que ainda cheirava a tinta fresca, mas sempre Palmeiras como o velho Parque Antarctica.

E foi melhor do que poderíamos sonhar. Começamos com o vice do Paulistão e terminamos no alto da glória, campeões da Copa do Brasil EM CASA.  As ruas do entorno do Allianz Parque pareciam estar revivendo seus melhores dias dos anos 90.  E o peixe foi aniquilado dentro daquele caldeirão verde.

Nos pênaltis, como naquele 16 de junho de 1999. Desta vez não teve um Zapata para chutar para fora. Teve Fernando Prass mandando um foguete pra dentro do gol e ganhar de vez a benção de São Marcos e de todo palmeirense. Parecia que finalmente estádio e time tinham retomado a relação de onde tinha parado.

Mas 2016 começou e o Palmeiras não engrenava. Não fazia valer o mando de campo. A torcida cornetava. Cai Marcelo Oliveira. Chega Cuca. E já são seis partidas sem perder no Palestra. Quatro delas no Brasileirão e 100% de aproveitamento. Vencemos o Corinthians mais uma vez em um 12 de junho. E ao fim da nona rodada, Palmeiras é líder do Brasileirão. Tem forma melhor de comemorar 50 jogos de um novo começo? O time é vibrante como a torcida. Incansável. Manda em casa. Impõe respeito ao adversário. O ambiente é invejável. É verdade que temos 29 rodadas pela frente e há o que melhorar, mas as expectativas são as melhores – o que sempre se espera do Alviverde Imponente.

Somamos 32 vitórias no novo lar. Sete empates. 11 derrotas. Soltamos o grito de gol 92 vezes. Nos lamentamos 43 vezes quando vimos os adversários contrariando as letras do hino. É um novo capítulo de uma história tão rica, de um estádio que já viu tanta gente passar e honrar o manto. Gramado que já viu o pai da bola Waldemar Fiúme, foi palco para o Divino Ademir da Guia, abençoado por São Marcos de Palestra Itália e hoje vê Gabriel Jesus.

Todos nós temos aquele cantinho especial no Palestra Itália. Aquele do primeiro jogo. Da primeira conquista. Onde você viu aquele gol inesquecível. Aquela partida especial. Como em toda casa. A nossa casa. De cada um de nós. Onde você não precisa se explicar, apenas sentir. E agora ela está pronta para ser palco de novas conquistas. Pronta para dar outros lugares para novas memórias. Esperando você e pronta para receber mais 50 jogos. E 50. E 50…

Mayara Flausino
Mayara Flausino
Mayara Flausino, 22 anos, sempre foi apaixonada por esportes. Já tentou ser nadadora, ginasta, jogadora de basquete, vôlei e futsal. No fim, pendurou as chuteiras e decidiu ir para o time dos jornalistas, o qual faz parte desde 2015. Atualmente procura uma vaga no time profissional e luta pelo fim do escanteio curto.

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