Mundial de Clubes 2000: o primeiro?

Na coluna Eis a Questão de hoje, trarei o – talvez – mais polêmico torneio internacional dos últimos 20 anos, o Mundial de Clubes 2000. Aqui iremos recapitular os fatos históricos da época, informar os últimos desdobramentos em pleno 2020 e debater sobre quem pode ou não se orgulhar de ter tal honraria. Sendo assim, farei uma explanação sobre essas questões a fim de (tentar) chegar na conclusão mais lógica possível.

RECAPITULANDO A HISTÓRIA

Para sua 1ª edição oficial (segundo a FIFA), o país sede escolhido foi o Brasil. São Paulo e Rio de Janeiro foram as duas cidades escolhidas para realizar as partidas, com a final marcada para o Maracanã. O torneio, que teria início no começo do ano 2000, começou a ser planejado em 1999, porém, antes que as competições daquele ano tivessem chegado ao fim. Dentre os participantes, tivemos:

1 – Manchester United (campeão da UEFA Champions League em 1999);

2 – Real Madrid (campeão da Copa Intercontinental em 1998);

3 – Vasco da Gama (campeão da Copa CONMENBOL Libertadores em 1998);

4 – Corinthians (Campeão Brasileiro em 1998 e representante do país sede).

5 – Dos menos conhecidos, participaram: Al-Nassr (campeão da Supercopa da Ásia em 1998); Raja Casablanca (campeão Champions League da CAF em 1999); Necaxa (campeão da Champions League da CONCACAF em 1999) e South Melbourne (campeão da Champions League da OFC em 1999).

A forma de disputa era simples, com dois grupos de quatro equipes. A final aconteceria entre os líderes de cada grupo (que viria a ser Corinthians x Vasco da Gama, melhor para o alvinegro paulista). Os segundos lugares disputariam o 3º lugar (Real Madrid x Necaxa, melhor para os mexicanos). Assim encerrava-se o torneio, com destaque para os brasileiros.

O QUE DIZ A FIFA

Recentemente, em 6 de abril, a reportagem do Globo Esporte obteve resposta da FIFA a respeito de explicações sobre o reconhecimento dos títulos mundiais. Segundo a entidade máxima do futebol, foi reiterado (como aconteceu em 2017) que apenas as equipes vencedoras da extinta Copa Intercontinental passaram a ser reconhecidos como campeões mundiais antes do ano 2000.

Depois disso, a partir da primeira edição oficial do Mundial de Clubes em 2000 e posteriormente das edições de 2005 em diante, os campeões mundiais passaram a ser os vencedores chancelados e organizados diretamente pela própria FIFA. Ou seja, os “títulos mundiais” passaram a ser unificados entre os vencedores da antiga Copa Intercontinental e do ‘novo' torneio da entidade, igualmente.

Entre os clubes brasileiros, há campeões mundiais em ambas as competições reconhecidas pela FIFA. São eles: Santos (1962 e 1963), Flamengo (1981), Grêmio (1983) e São Paulo (1992 e 1993) na Copa Intercontinental. Pelo Mundial de Clubes, temos: Corinthians (2000 e 2012), São Paulo (2005) e Internacional (2006). Qualquer outra solicitação para ser reconhecido como tal está descartada pela entidade.

 

E ENTÃO?

O torneio Mundial de Clubes, da FIFA, certamente é um assunto que divide opiniões entre praticamente todos os torcedores de times do Brasil. Seja para uns – e outros não – um sinal de grandeza, o orgulho em duelar com os mais fortes do planeta, ser campeão mundial é uma alcunha capaz de elevar aos “céus” o ego dos vencedores. Contudo, essa busca também pode levar ao “inferno”, e sua amargura em não ter conseguido erguer esta taça que há tanto tempo vêm sendo objeto de desejo.

Devido às grandes bizarrices organizacionais de clubes (em pedir reconhecimento anos depois, com razão ou não) e principalmente da FIFA, ser campeão do mundo é quase tanto subjetivo quanto objetivo. Se a entidade passa a reconhecer campeões de outro torneio como também “mundiais”, o mesmo abre precedente para que outras equipes tomem partido de argumentar numa linha de raciocínio parecida de outras competições também similares.

Ou seja, o torcedor brasileiro (e de qualquer outra parte do mundo), caso decida levar essa conquista – ou a falta dela – em consideração, deveria analisar da seguinte forma: para ser campeão mundial, é obrigatório ter a chancela da FIFA? Se sim, ótimo, a discussão fica completamente objetiva e sem margem para discordância, visto que a entidade é clara em seu posicionamento.

Se não precisa desse carimbo ‘padrão FIFA', discute quem gosta do exercício de proferir palavras. Afinal, a situação de cada clube é pessoal dos integrantes da época, das diretorias e das torcidas de antes e agora. Mas uma coisa é certa, as equipes que lutam por esse reconhecimento ou sofrem pela falta dela, jamais ficarão esquecidas do julgamento alheio dos rivais – e da mídia esportiva – que possuem um prato cheio para debater do ponto de vista que acharem mais conveniente.

 

Foto destaque: Reprodução/Lance!

Victor Medeiros

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