Mudaram os jogadores, nada mudou…

Enganou-se quem acreditou que a África do Sul seria um adversário fácil e que o Brasil de Micale iria passear. Em um Estádio Nacional que mais parecia uma caixa de areia destinada a treinos físicos, o placar não saiu do zero em um jogo fraquíssimo.

Passados os 45 minutos iniciais, os destaques foram Dolly, camisa 10 e capitão do time sul-africano e Thiago Maia, que não perdeu uma disputa sequer no meio de campo. Neymar, talvez em função da falta de ritmo de jogo, não correspondeu mais uma vez. O astro do Barcelona foi quem mais finalizou no jogo e seus chutes levaram perigo, é verdade, mas é muito pouco para alguém com sua grife. Gabriel Jesus mostrou-se prestativo, mas foi pouco acionado por seus companheiros e ficou preso aos defensores do time adversário. Pela ponta direita, Gabigol até que tentou – movimentou-se e procurou o jogo – , mas em lances fáceis demonstrou, mais uma vez, que é mais pose que futebol.

O que se viu, sem nenhuma novidade, foi a dependência de Neymar: quando os sul-africanos apertavam, os outros nove jogadores de linha buscavam o camisa 10, que esteve preso à marcação de até três jogadores. Em um roteiro já conhecido, o Brasil sucumbiu à marcação do adversário.

O jogo só saiu da mesmice após a expulsão de Mvala e a entrada de Luan, do Grêmio, o mais efetivo dentre os atacantes. No ponto alto do jogo, Gabriel Jesus, embaixo da trave do goleiro Khune, perdeu um gol feito. Restou ao camisa 11 lamentar a chance desperdiçada.

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A atuação brasileira não sustenta a tese de que a Seleção canarinho é a favorita para a conquista da medalha de ouro: faltou criatividade para a equipe desvencilhar-se da marcação sul-africana, faltou brilho, competência para aproveitar a superioridade numérica e efetividade nas conclusões.

O empate deixou o grupo embolado – já que Iraque e Dinamarca também empataram em zero a zero – e receoso o torcedor. No próximo domingo, o Brasil enfrenta o Iraque. Mesmo conhecendo o ditado que diz que não há mais bobo no futebol, a Seleção brasileira tem tudo para vencer, mas não nos iludamos, pois trata-se apenas da poderosa Seleção iraquiana.

André Siqueira Cardoso
André Siqueira Cardoso
Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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