Mudanças em 8 estádios europeus: de reformas à construções

Os estádios do Velho Continente são conhecidos mundialmente por serem praticamente “inconfundíveis”. Uma beleza fenomenal, tanto naqueles mais rústicos quanto nos mais novos (as famosas “Arenas”), proximidade do gramado, conforto e um ar de modernidade abrange a Europa. Outros clubes dos quatro cantos do planeta se inspiram neste padrão para construírem suas novas casas (como é o caso de Palmeiras e Corinthians, e também de outros estádios reformados para a Copa de 2014).

Entretanto, estas verdadeiras obras de engenharia, que deixam todos os apaixonados pela bola “de queixo caído”, serão em breve reformadas ou mesmo substituídas por estádios ainda mais modernos. As principais metas são ampliar a capacidade de público e alavancar as receitas. Na lista abaixo, constam-se três equipes espanholas, três inglesas, uma italiana e uma russa, respectivamente. Confira a seguir as reformas e construções e também como ficarão as novas casas:

Wanda Metropolitano (Atlético de Madrid): A partir da próxima temporada, o Vicente Calderón não será mais utilizado pela equipe principal dos espanhóis, tendo como provável destino tornar-se um parque posteriormente. Suportando aproximadamente 55 mil pessoas, o estádio, inaugurado em 1966, dará lugar a uma arena que comportará até 72 mil torcedores, de acordo com o time madrileno. O nome do estádio é em homenagem ao conglomerado chinês Wanda Group, que financia o projeto.

Camp Nou (Barcelona): Passando por alterações menos radicais que o Atlético de Madrid, a casa do trio Messi, Neymar e Suárez ganhará uma cobertura e outras comodidades. Com a reforma, a capacidade subirá de 95 mil para 105 mil pessoas. As obras, além de não impedirem os catalães de jogarem no estádio, acrescentarão elevadores e escadas rolantes. Ao redor do Camp Nou será feito também um parque para a população. O início das construções está previsto para maio deste ano, com término em fevereiro de 2021. Os custos são avaliados em 600 milhões de euros (mais de R$2 bilhões).

Santiago Bernabéu (Real Madrid): A fortaleza defendida pelos “Galáticos” terá algumas mudanças impressionantes. Pelo valor de 400 milhões de libras (cerca de R$1.3 bilhões), os merengues terão uma cobertura retrátil (será necessário demolir a atual cobertura) e também um painel de LED nas paredes externas do estádio, além de uma ampla área verde em frente. Segundo o Real, o complexo irá utilizar energia sustentável. O presidente do clube espanhol, Florentino Pérez, pretendia construir um hotel junto a estrutura, mas a prefeitura de Madrid barrou a hipótese. A capacidade do estádio não será alterada, e Florentino pretende concluir as reformas ainda neste ano, comemorando o 70º aniversário do Santiago Bernabéu.

Stamford Bridge (Chelsea): Com um investimento de 500 milhões de libras (próximo de R$2 bilhões), praticamente todo pago por seu dono, Roman Abramovich, o Chelsea planeja aumentar a capacidade de 41,6 mil para 60 mil espectadores. Os Blues ainda não iniciaram as obras, que serão no mesmo terreno do atual estádio, pois a aprovação do conselho da região de Hammersmith e Fulham, local da casa do Chelsea, não permite. Entretanto, a autorização das autoridades londrinas são um passo importante para que a ideia avance e que cumpra a meta de término das obras em 2021. Durante a reforma, o Chelsea jogará no Wembley, em Londres.

White Hart Lane (Tottenham): Na lista surge outra mudança em Londres, desta vez no estádio do Tottenham. Gerando 390 milhões de libras (R$1,5 bilhão) de despesas, o White Hart Lane será demolido e dará lugar ao Northumberland Park, na metade de 2018. Com capacidade de 61 mil torcedores, a moderníssima casa dos Spurs será no mesmo terreno de seu antigo lar. O estádio trará diversos resultados positivos para parte da comunidade londrina: ao redor da nova fortaleza, serão construídos 579 moradias populares, um hospital, pequenos centros médicos e uma praça pública aberta 24h por dia, com vários recursos para a população desfrutar. Além disso, o clube realizará melhorias em metrôs e também irá operar duas novas linhas de ônibus. O projeto é repleto de sustentabilidade, reutilizando 80% dos materiais da demolição do antigo estádio para a construção do novo, aproveitando também agua captada das chuvas e energia elétrica de forma reduzida. O Northumberland Park será capaz de recepcionar lutas do UFC e também partidas oficiais de futebol americano (o Tottenham fechou uma parceria com a NFL para receber jogos por pelos menos 10 anos depois da inauguração).

Anfield Road (Liverpool): O último da Terra da Rainha, os Reds pretendem elevar a capacidade do estádio de 45 mil para 59 mil torcedores, além de garantir alguns privilégios para os sócios. Com o aumento do público máximo, o Anfield Road poderá ser palco de grandes eventos europeus, como por exemplo a final da Liga dos Campeões (uma das exigências da UEFA é que o estádio da final suporte no mínimo 50 mil torcedores). O camarote do estádio será reformulado também, dando mais visibilidade do jogo e um novo bar. Os sócios que comprarem o pacote para a temporada inteira (pelo “humilde” valor de 2.9 mil libras, quantia superior a R$11 mil) terão direito a 30 minutos de open bar e comida à vontade. Vale lembrar que este benefício só poderá ser usado uma vez a cada três jogos. A diretoria dos Reds ainda irá aumentar o número de vagas de estacionamento, e promete manter a atmosfera do estádio com espírito de paixão para o torcedor. Segundo a BBC, as obras totalizarão 100 milhões de libras (aproximadamente R$390 milhões). A cúpula do clube pretende finalizar as reformas ainda nesta temporada.

Stadio della Roma (Roma): Construindo sua primeira casa própria, a equipe da capital italiana pretende terminar todo o complexo do Stadio della Roma em agosto de 2018. No entorno do estádio, que terá capacidade de 52,5 mil pessoas, haverá também um centro empresarial, bares, restaurantes, até mesmo um shopping, este que ficará aberto o ano todo, um moderno centro de treinamento e um espaço para shows no local. A distância entre os torcedores e o gramado será entre 8,9m e 11,7m. Essas obras somarão um custo de 1 bilhão de euros (R$3,35 bilhões). Enquanto o “novo Coliseu” ainda está em construção, a Roma seguirá mandando seus jogos no Olímpico de Roma, dividindo o estádio com sua rival, Lazio.

Arena Zenit (Zenit): Há quase um ano e meio da Copa de 2018, surge o estádio (este sediará sete jogos da competição, entre eles uma das semifinais) que pode se tornar o mais caro da história do futebol. Até o momento, as obras já custaram ao governo russo 620 milhões de euros (mais de R$2 bilhões), e somam um saldo de oito trabalhadores mortos. É provável que esta quantia de dinheiro aumente devido à falta de pagamento aos funcionários (isto gerou paralizações nas obras) e medidas de segurança da FIFA. Os atrasos na construção da “Espaçonave” (com capacidade de 68 mil espectadores) geram dúvidas se o estádio, em São Petesburgo, estará pronto para a Copa das Confederações deste ano.

Guilherme Papa
Guilherme Papa é estudante, de 21 anos, da turma do 5º semestre de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo. Completamente louco por futebol, tem como objetivo transmitir informações do mundo da bola da melhor maneira possível.

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