Se dias antes do início do Apertura Uruguaio 2019 perguntássemos para um torcedor do Fénix: qual a expectativa dele em relação ao desempenho do time no campeonato? A chance da resposta de boa parte dos torcedores ser “evitar o rebaixamento”, era muito grande. Porém, a bola começou a rolar e as coisas tomaram um rumo, até certo ponto, surpreendente. A equipe albivioleta chegou a assumir a liderança se alternando na segunda colocação. Até a 10a rodada, por exemplo, o time do bairro de Capurro, ainda não sabia o que era derrota.

Um dos responsáveis pelo bom início de campanha tem nome: O meia de 20 anos de idade ajudou o Fénix a se salvar do rebaixamento na temporada 2018. Em 2019 marcou 11 gols nas primeiras 10 rodadas, números que impressionam e enchem os torcedores de esperança na busca pelo inédito título uruguaio. Mas que clube é este que deixou para trás times como Nacional, Peñarol, Defensor, Danúbio, entre outros e se firmou na parte de cima da tabela?

O início de tudo

O ano era 1908 quando um grupo de amigos, do bairro Capurro, em Montevidéu, decidiu se reunir para fundar uma equipe de futebol. Nascia então o Centro Atlético Fénix. Porém, cinco anos depois, várias divergências entre integrantes da agremiação deram fim ao clube. Ressurgiu no dia 7 de julho de 1916.

Maior campeão da 2ª divisão uruguaia, com sete títulos, o Fénix tem em seu histórico importantes vitórias, principalmente sobre os “grandes” do Uruguai: Peñarol Nacional. Suas cores, violeta e branco, representam a eternidade e a pureza, e seu estádio, com capacidade para 10 mil pessoas, leva o nome do bairro: Parque Capurro. Está situado às margens do Rio da Prata, inaugurado no final da década de 30.

Vista aérea do estádio Parque Capurro situado ao lado do Rio da Prata, em Montevidéu (Reprodução/Stonek.com)

Visitando a Copa Libertadores

Profissionalmente disputou a 1ª divisão uruguaia pela primeira vez em 1932 e, a partir daí, coleciona idas e vindas à divisão de acesso. Suas melhores participações na elite do futebol uruguaio foram no início dos anos 2000. Campeão da Liguilla (torneio classificatório para a Copa Libertadores) em 2002, o Fénix carimbou a vaga para disputar o torneio continental do ano seguinte. No entanto, suas duas únicas participações foram em 2003 e 2004. Em ambas as edições o time albivioleta não passou da primeira fase.

Em 2003, no entanto, caiu no complicado grupo 8 ao lado de Corinthians, Cruz Azul (México) e The Strongest (Bolívia). Contra os brasileiros, duas derrotas, 2 x 1 no Uruguai e um sonoro 6 x 1 no estádio do Pacaembu. Porém, nesta mesma edição, o clube protagonizou uma goleada frente aos mexicanos. A partida foi realizada no Luis Franzini, já que o Parque Capurro não tem capacidade para abrigar jogos internacionais. Um impiedoso 6 x 1 e lugar garantido nas manchetes dos principais jornais do país, no dia seguinte a façanha.

Dois ídolos

Em pesquisa realizada pela TV Fénix, muitos torcedores citaram dois personagens que deixaram marcados para sempre seus nomes na história do clube. Fora de campo o mais citado foi o atual técnico, Juan Ramón Carrasco, responsável por levar o time a Libertadores em 2003. Contudo, dentro das quatro linhas, o mais lembrado foi o atacante Martín Liguera, com duas passagens pelo clube (2002/2003 e 2014/2016) antes de se aposentar no Nacional em 2017. Foram 17 gols marcados em 67 partidas disputadas com a camisa da equipe.

2016 – O centenário

Desde 2009 o Fénix nunca mais visitou a 2ª divisão. Algo que era temido por seus torcedores, principalmente no ano de 2016, quando o clube completou 100 anos de existência. O meio de tabela na classificação daquele ano, tanto no Apertura quanto no Clausura, não o classificou para nenhum torneio internacional. Porém, deu certo alívio pela permanência na elite.

Para a temporada 2019 tiveram mais saídas do que contratações. Mas o técnico Juan Ramón Carrasco conseguiu acertar taticamente sua equipe na pré-temporada, o que explica o bom início de . Levantar a taça do campeonato uruguaio no final do ano é o maior sonho dos seus torcedores. Contudo, o Centro Atlético Fénix já deixou claro que a paixão de seus hinchas (torcedores em espanhol) pelas cores albivioletas continuará sendo o principal combustível da equipe na sua centenária história.

Rafael Regis
Tenho 31 anos. Sou formado em jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu e em Radialista (setor locução) pelo Senac-SP. Trabalho também como repórter da Rádioweb Poliesportiva, onde participo de coberturas in-loco de diversos esportes como: futebol, vôlei, basquete e futsal. Apaixonado pelo jornalismo e pelas coberturas esportivas, moro na capital paulista e sou torcedor fiel do Nacional Atlético Clube (SP).

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