México

México e Estados Unidos dominam os gramados em seu continente, ao mesmo tempo em que criam uma hegemonia contra as seleções e times da América Central e, em certas ocasiões, fazem frente à seleções sul-americanas e europeias. Mas e entre eles? Hoje, você irá conferir o histórico entre essas duas seleções, que têm criado grandes embates nas últimas décadas.

Copa Ouro

Sendo a principal competições entre seleções da CONCACAF, este torneio debutou em 1991 e teve 15 edições até então, dos quais 14 foram vencidas por México e Estados Unidos. O Canadá foi a única seleção “de fora” a vencer a competição, em 2000, quando bateu a Colômbia por 2 x 0. À parte desta exceção histórica, mexicanos e estadunidenses dominam a Copa Ouro. Logo em sua primeira edição, confronto nas semi finais: vitória americana por 2 x 0, e em seguida o título.

Todos os confrontos posteriores aconteceram em finais, que foram seis. Na final mais recente entre os dois, no ano passado, La Tri venceu os Yankees por 1 x 0 com gol solitário de Dos Santos e levou o oitavo título para casa. Na estatística geral em decisões, os tricolores levam a melhor, tendo vencido em cinco oportunidades. Um fator que enaltece ainda mais as conquistas mexicanas, é que quatro destas cinco finais foram vencidas em solo rival. Confira a lista das finais:

1993: México 4 x 0 EUA – Estádio Azteca, México

Esta edição foi a primeira que contou com uma final entre as duas seleções. Ambas eram cabeça de chave, e sediaram todos os jogos de seus respectivos grupos. Mesmo tendo tido partidas mais difíceis, os americanos venceram os quatro jogos antes de chegarem à final.

Já os mexicanos venceram três e empataram um, mas haviam marcado 24 gols em seus quatro primeiros jogos, e na final confirmaram logo o favoritismo: Ambriz abriu o placar e Armstrong, contra, ampliou. Na etapa final, Zague ampliou e em seguida Cantú marcou o seu, confirmando o título mexicano em casa.

1998: México 1 x 0 EUA – Los Angeles Memorial Coliseum, EUA

Desta vez, os dois times chegaram à final com 100% de aproveitamento. Um leve favoritismo apontava para os Estados Unidos, visto que os Yankees bateram na semifinal ninguém menos que o Brasil de Romário, convidados naquela edição, enquanto o México só se classificou contra a Jamaica após o gol de ouro.

Contrariando as expectativas, Hernández, o herói da semifinal, marcou novamente na final, calando 91 mil pessoas no Los Angeles Memorial Coliseum e levando mais uma taça para o lado mexicano do muro.

2007: EUA 2 x 1 México – Soldier Field, EUA

Nesta ocasião, 9 anos depois, mexicanos e americanos se encontraram novamente na final, mas atravessando momentos distintos. Em todas as suas vitórias, o México bateu o adversário por um gol de diferença, e sua campanha incluía uma surpreendente derrota para Cuba por 2 x 1, de virada e nos acréscimos.

Já os americanos obtiveram triunfos mais convincentes e com menos sustos. Na decisão, Guardado abriu o placar no final da primeira etapa, o que fez todos pensarem que a história iria se repetir. Porém, os americanos voltaram ao jogo e Donovan e Feihaber viraram a partida, conquistando a primeira Copa Ouro em cima dos rivais mexicanos em sua história.

2009: México 5 x 0 EUA – Giants Stadium, EUA

Na edição seguinte a final se repetiu e as duas seleções se classificaram sendo líderes de seus grupos. O México quase teve seus planos frustrados na semifinal contra a Costa Rica, quando viu seus adversários empatarem aos 48 do segundo tempo, mas nos pênaltis levaram a melhor.

Novamente decidindo um título fora de casa, os Tricolores não se intimidaram e guardaram tudo para o segundo tempo: Torrado, dos Santos, Carlos Vela, Castro e Franco marcaram uma vez cada e conquistaram o torneio sem maiores dificuldades.

2011: México 4 x 2 EUA – Rose Bowl, EUA

Neste ano os dois times disputaram a terceira final consecutiva. Os americanos perderam para o Panamá na fase de grupos, mas chegaram à final posteriormente, vencendo o restante dos jogos. Já a seleção mexicana somou 16 gols até chegar à semi, quando encontraram uma complicada seleção de Honduras que levou o jogo à prorrogação.

Os hondurenhos cederam à pressão ainda na primeira etapa do tempo extra, quando De Nigris e Chicharito marcaram dois gols em cinco minutos e garantiram a classificação.

Na final 93 mil pessoas lotaram o Rose Bowl, palco da final da Copa do Mundo de 1994, e viram um excelente jogo. Bradley abriu o placar para os donos da casa aos oito minutos e Donovan ampliou quinze minutos depois. Imediatamente os mexicanos reagiram e Barrera diminuiu ainda antes do intervalo.

No segundo tempo, Guardado igualou e Barrera, novamente, marcou e virou o placar. A seleção americana se lançou ao ataque para buscar a igualdade. Entretanto, a quinze minutos do fim, Dos Santos ampliou a vantagem e garantiu o sexto caneco mexicano da Copa Ouro.

2019: México 1 x 0 EUA – Soldier Field, EUA

Na edição mais recente do torneio, novamente as duas maiores potências do continente foram as finalistas. Com ótimos saldos, se classificaram em primeiro lugar em seus grupos. Enquanto os americanos tiveram boas atuações no mata mata, os mexicanos bateram a Costa Rica nos pênaltis mais uma vez, e o Haiti na prorrogação.

Na decisão, Dos Santos, o carrasco americano, marcou aos 28 do segundo tempo o único gol do jogo e aumentou a vantagem de sua seleção em relação ao rival em títulos e confrontos diretos.

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Copa do Mundo

Mesmo tendo disputado várias edições, ambas se enfrentaram em uma Copa do Mundo apenas uma vez. Em 2002, os times entraram em campo em confronto válido pelas oitavas de final. Em mais um dos jogos que compõem a maldição mexicana das oitavas de final, os Aztecas fizeram melhor campanha na fase de grupos e apresentavam um time mais consistente, porém encontraram um sistema de defesa americano bem organizado.

Apesar de terem tomado a iniciativa, os mexicanos foram surpreendidos quando McBride abriu o placar aos oito minutos do primeiro tempo. Imediatamente, os Tricolores reagiram, porém não conseguiam furar a defesa adversária. Na segunda etapa, Donovan ampliou e deu números finais ao jogo: 2 x 0, Estados Unidos nas quartas.

Clubes

Na Liga dos Campeões da Concacaf, assim como pela Copa Ouro, o México leva vantagem. A competição continental é disputada oficialmente desde 1962, sendo tão antiga quanto a Libertadores. O domínio mexicano é absoluto e desigual: são 53 finais e 35 títulos, contra quatro finais e dois títulos dos times da Terra do Tio Sam, o primeiro apenas em 1998. O América é o maior campeão do torneio, com sete títulos e nenhum vice campeonato.

Quando o assunto é confronto direto, os times mexicanos também estão na frente. Foram apenas três ocasiões: em 1997, o Cruz Azul bateu o LA Galaxy em jogo emocionante que terminou em 5 x 3. No ano seguinte, o DC United deu o troco ao vencer o Toluca na final pelo placar mínimo. O desempate veio em 2011, já no novo formato com final ida e volta. O Monterrey vencia o Real Salt Lake no primeiro jogo em casa por 2 x 1 e levou o empate a um minuto do fim. Contrariando as expectativas, Suazo marcou o único gol do jogo da volta e garantiu o quarto título dos Rayados na competição.

O Saldo

É fato que estas duas seleções são as maiores forças de seu continente, mas o México larga na frente quando o assunto é tradição e confrontos diretos. Nos últimos anos, a MLS tem atraído e formado grandes jogadores, o que é um sinal de ascensão do futebol nos Estados Unidos. Tal fator é de grande importância no objetivo americano de se impor frente aos seus rivais e mostrar seu valor ao mundo. Isso indica que, no futuro, este grande clássico tende a ganhar mais episódios emocionantes, protagonizados por novos talentos, ganhando ainda mais prestígio.

Foto Destaque: Reprodução/Reuters

Murillo Bolhsen
Me chamo Murillo, tenho 20 anos e sou estudante de jornalismo. Decidi que queria juntar as minhas duas paixões: o futebol e o jornalismo, vivendo e convivendo com ambas em todas as ocasiões que eu puder.

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