Meu furacão, tu és sempre um vencedor

Madrugada de 29 de novembro de 2016. Como de praxe, com a vista embaçada, desativava o despertador, às 5h, para atravessar a cidade. O sono, em doses significativas, costumava me mover até o chuveiro em uma espécie de piloto automático. Neste dia, entretanto, uma simples notificação me tirou o chão. A pupila contraída pela luz que emanava da tela do celular esvaiu-se, mas captou a mensagem. No mesmo instante, um aperto no coração. Um vazio existencial. O avião que levava a delegação da Chapecoense e jornalistas brasileiros havia caído. 71 mortes.

Por muito tempo, o choro tomou conta de mim. O verde pujante que dominava a Arena Condá, os milagres de Danilo, a frieza de Cléber Santana, os gols de Kempes e Bruno Rangel, a narração de Deva Paschovici, as pontuais informações de Vitorino Chermont. Outras tantas vidas. Ceifadas pela irresponsabilidade. Interrompidas pela ganância. A Chapecoense sofreu um baque inimaginável. O futebol perdeu uma equipe singular e mágica que, com suas particularidades, cativou o mundo.

Foto: Rádio Salta

A vida, entretanto, não podia parar. Os sobreviventes tinham agora uma missão: honrar a vida dos eternos guerreiros. Mais do que isso, reerguer nossa Chape, passo a passo.

Era unânime: não seria fácil. Longe disso. Reestruturar todo um clube não é tarefa para dois dias. Mas a Chapecoense foi gigante. Virou exemplo. Superou as falsas promessas de clubes brasileiros. Não aceitou a imunidade contra o rebaixamento. Foi à luta. Reestruturou-se.

Montou um elenco qualificado. Contratou um técnico competente, à altura do bravo Caio Júnior, que tanto lutou pela carreira de treinador. Com dedicação e consciência, foi triunfando. Após pouco mais de cinco meses da tragédia, conquistou o bicampeonato catarinense. Foi o primeiro título. Dedicado aos céus.

Mas a Chape, guerreira, gigantesca e única, foi além. Não fosse o amadorismo de sua nova diretoria, somado às trapalhadas da Conmebol, estaria na próxima fase da Libertadores. Ao menos, há a Sul-Americana.

Os comandados de Mancini, entretanto, não se conformaram. No Brasileirão, o mais difícil dos campeonatos nacionais, em três jogos, mantiveram-se invictos: empataram com o Corinthians, em Itaquera; venceram o galático Palmeiras, em Chapecó; e derrotaram os rivais catarinenses do Avaí, na última rodada, também em Chapecó.

O imprevisível aconteceu: com a derrota do Grêmio, após exatos seis meses do fatídico acontecimento, a Chapecoense alcançou a liderança do Brasileirão.

A Chape irá adiante. Não medirá esforços. O título, entretanto, será difícil. Se o time titular é forte, como elenco, carece de peças que substituam os titulares à altura.

O tempo dirá à Chape qual o seu destino. Mas há uma certeza: os guerreiros, no céu, assistem à jornada do Verdão do Oeste com um sorriso estampado no rosto.

Foto: Blog do Milton Neves
André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

André Siqueira Cardoso já escreveu 313 posts nesse site..

Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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