A meteórica adaptação de Gabriel Jesus

Quando o Manchester City anunciou a chegada de Gabriel Jesus aos Citizens, passou-se a especular qual seria o time titular de Pep Guardiola e como o ótimo jogador brasileiro ajudaria sua nova equipe.

Em um esquema tático que possui armadores com as qualidades de David Silva e De Bruyne, o consagrado treinador optava por mandar a campo um time com dois jogadores de velocidade abertos pelas pontas – geralmente Sterling e Sané – e Aguero à frente, como um centroavante moderno, cuja mobilidade e explosão tornaram-se marca registrada.

Na Seleção de Tite, Gabriel Jesus joga como centroavante, mas havia uma espécie de consenso sobre onde o jovem atacante jogaria pelo time inglês. Sua posição, a princípio, seria aberto pelos lados, preferencialmente pela esquerda, como atuava no Palmeiras. Os motivos eram dois:

  • Gabriel Jesus supera o também jovem Sterling quando o assunto é qualidade técnica; soma-se a isso o fato de Sané repetir boas atuações com a camisa azul.
  • Aguero, ao lado de Yayá Touré, um dos maiores símbolos recentes da história do Manchester City; foi o argentino quem marcou o gol que tirou os Citizens de um jejum indigesto de 44 anos sem título inglês. Mais do que isso, Aguero é o terceiro maior artilheiro da história do clube e o segundo jogador da história da Premier League a alcançar a marca de 100 gols – foram necessários 147 jogos para tal feito.

Isto posto, era coerente inferir que Guardiola armaria o City a partir de um 4-1-4-1, como na ilustração a seguir.

Em sua estreia, contra o Tottenham, Gabriel Jesus entrou no lugar de Sterling e incendiou o jogo. A substituição reforçou a tese de que o veloz atacante jogaria pelas pontas. Mas, no jogo seguinte, contra o Crystal Palace, pela FA Cup, a surpresa: a dupla Sterling-Sané foi mantida e Aguero foi preterido por Gabriel Jesus.  Desde então, Aguero amarga o banco de reservas e assiste, estarrecido, as auspiciosas e letais atuações de Gabriel Jesus.

No último domingo, Gabriel Jesus salvou o Manchester City diante de um Etihad Stadium lotado. A cada dia que passa, prova, com primazia, que não é mais promessa, mas sim realidade. Já caiu nas graças da torcida, tem música entoada pelos fanáticos torcedores e é o mais novo pupilo dos tabloides britânicos. Tudo isso, diga-se, com razão.

O motivo é simples: Gabriel Jesus é o mais recente exemplo de futebol moderno. Mais moderno que o próprio Aguero, um dos maiores atacantes do mundo, que também possui a alcunha de atacante moderno.

Se Aguero é veloz, possui explosão, finaliza bem com as duas pernas e, apesar da baixa estatura, cabeceia bem, Gabriel Jesus vai além. Sim, pois o camisa 33 dedica-se defensivamente. Para Guardiola, isto é tão importante quanto ter um faro de gol inigualável como o do argentino.

‘’Você sabe que, quando os defensores tiverem três ou quatro segundos de liberdade, a bola vai chegar boa. Mas quando os atacantes são os melhores defensores, e quando os defensores são os melhores criadores, então você vai ter um time forte’’, disse o treinador.

Um levantamento da Sky Sports comprova que Gabriel Jesus percorreu uma distância 16% maior do que o companheiro de clube argentino – 11,32km contra 9,39km. Por voltar para compor a linha compacta do meio campo, o número de arrancadas do brasileiro em direção ao gol também é maior: 73 a 59, uma diferença de 23%.

Gabriel Jesus é a prova cabal de que, em um átimo de segundo, os predicados de um bom atacante mudam. Aguero, outrora símbolo de modernidade e versatilidade, hoje parece obsoleto, já que, embora seja um exímio finalizador, não possui aquilo que mais encanta Guardiola: desarmar longe do gol, forçar o erro da zaga adversária e criar os próprios espaços.

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André Siqueira Cardoso
André Siqueira Cardoso
Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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