Memória Lusitana: Vitor Oliveira, o Rei das Subidas

Olá, amigos e amigas de Brasil! Na semana passada, estive a falar sobre uma momento de comunhão dos portugueses com Maradona, agora, a vez é de lamentar outra perda importante para o futebol. Isso porque, no sábado anterior, um dos grandes misteres portugueses nos deixou. Dessa forma, a Memória Lusitana da coluna O Gajo Conta presta homenagem a, talvez, o melhor treinador luso que não passou por nenhum dos Três Grandes, Vitor Oliveira!

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No entanto, antes de realizar as façanhas que o tornou grande sem um grande, Vitor Oliveira começou no futebol como qualquer gajo, como jogador. Assim, após fazer a formação no Leixões, iniciou a carreira de médio no Matosinhos, clube da sua cidade natal, em 1972.  Ainda jogaria pelo ParedesFamalicão, este por três épocas, onde contribuiu para o regresso famalicense à Primeira Liga, em 1977/78, e Espinho até chegar ao ponto alto de sua trajetória: o Braga.

A bem da verdade, Vitor Oliveira não foi lá um grande jogador, à exceção das épocas à serviço dos Arsenalistas e do Portimonense. No entanto, as 13 temporadas como atleta não se comparam com as três décadas e meia que se seguiram à beira do campo fazendo o que mais gostava: ser treinador. Assim, o grande sucesso que obteve como técnico lhe rendeu convites do estrangeiro, mas sempre recusou.

Já tendo exercido funções à beira do relvado no Famalicão, ainda como jogador, Vitor Oliveira reestreou aos 34 anos no conjunto do Portimonense, clube onde arrumou as botas. Assim, em 1985, nem ele imaginava o que se sucederia logo em seguida. Pois, começava a ser escrita um dos capítulos mais vitoriosos e lendários do futebol português. Isso porque, passando por dezenas de clubes, o treinador conquistaria 11 promoções de divisão entre Primeira, Segunda Liga e o terceiro escalão.

VITOR OLIVEIRA, O REI DAS SUBIDAS

Dessa forma, Vitor Oliveira esteve a frente de 10 equipas nas subidas de escalão. Assim, a primeira delas foi no Paços de Ferreira, em 1991, clube pelo qual conquistou seu primeiro título, a Segunda Liga 1990/91. Antes, comandando o Portimonense, conseguiu o melhor resultado de toda sua trajetória na Primeira Liga, com a sétima posição, em 1985/86.

Após um período no Gil Vicente, o treinador iniciaria uma sequência de três promoções em três épocas seguidas. Assim, nelas, ao serviço do Académica, União de Leiria e Belenenses, entre os anos de 1997 e 1999. Além disso, a virada de século ainda reservaria mais uma subida com o Leixões, em 2007, quando foi bicampeão da liga de acesso à elite portuguesa. Logo, todos da Segunda para a Primeira Liga, à exceção do Leiria, onde conquistaria a Liga de Honra, em 1997/98.

No entanto, foi na atual década que Vitor Oliveira entrou, definitivamente, na história do futebol português. Isso porque, desde 2013, o treinador colecionou mais seis promoções. Assim, obteve façanhas pelo Arouca, Moreirense, União da Madeira, Chaves e Portimonense, sendo mais duas vezes campeão da Segunda Liga. Antes de se despedir dos relvados pelo Gil Vicente, na temporada passada, conquistaria sua subida, curiosamente, pelo Paços de Ferreira, clube onde iniciou a trajetória de sucesso em 18 participações.

LEGADO SEM IGUAL DE UM SER HUMANO DE EXCELÊNCIA

Apesar de consagrado com os títulos da Segunda Liga e promoções à Primeira Liga, Vitor Oliveira contabilizou mais de 400 jogos no escalão principal do futebol português. Assim, o Gil Vicente foi o clube onde mais trabalhou, com três passagens distintas por Barcelos, em 1992-1995, 2001-2003 e 2019/20. Mas, também é sempre lembrado pelo Paços de Ferreira, onde 29 anos depois, levaria, de volta, à principal competição nacional.

Dessa forma, com um caráter singular de um profissional de excelência, Vitor Oliveira ficará para sempre na mente de todos nós. Seja como um jogador ou como o lendário treinador, suas façanhas o tornaram um dos grandes do futebol português. Talvez, o maior arrependimento dele esteja em não ter treinado nenhum dos Três Grandes, Sporting, Benfica e Porto. No entanto, ai resida sua grandeza, pois não precisou se ancorar em excelentes condições de trabalho, se tornou excelente realizando missões impossíveis.

Merecedor de todos os aplausos e de todas as conquistas, a Liga Portuguesa decidiu atribuir-lhe seu nome aos prêmios de treinador do mês e do ano, em homenagem. Uma figura que marcou e ainda marcará uma geração de treinadores que agora sentem-se órfãos de uma de suas maiores referências. Por mais que não veremos sua presença à beira dos relvados, sua sombra ainda pairá por muito tempo em todos aqueles que fazem o futebol português. Vitor Oliveira é mais um que estará para sempre em nossa Memória Lusitana.

Foto Destaque: Reprodução / Manuel Fernando Araújo / LUSA

Ricardo do Amaral
"Alvíssaras! Sou Ricardo Accioly Filho, pernambucano de 29 anos, advogado e estudante de jornalismo pela Uninassau. Tenho como mote que “no futebol, nunca serão apenas 11 contra 11”; é arte, é espetáculo, humanismo, tem poder de mover multidões e permitir ascensões sociais. Como paixão nacional do brasileiro, o futebol me acompanha desde cedo, entretanto como nunca tive habilidade para praticá-lo, busquei associar duas vertentes de minha vida: o prazer pela leitura e o esporte bretão. Foi nesse diapasão que encontrei no jornalismo esportivo o elo de ligação que me leva a difundir e informar o que, nas palavras de Steven Spielberg, é o “mais belo espetáculo de imagens que já vi”."

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