Memória Lusitana: Mário Coluna, o Monstro Sagrado do Benfica

- O padrinho de Eusébio foi um dos gigantes do futebol português
Mário Coluna é um ídolo da bola lusitano e benfiquista (Foto: Reprodução / Mais que um jogo PT)

Olá, amigos de Brasil! Já estou a saber que muitos de vocês ainda se sentem órfãos com a saída de Jorge Jesus, que está de volta ao Benfica. Assim, com o Mister, vem o resgaste da identidade benfiquista e quem melhor para trazermos a cá do que aquele que levantou os principais troféus dos Encarnados? Que, ao lado de Eusébio, foi o símbolo da década mais vitoriosa das Águias e capitão da melhor campanha portuguesa em Campeonatos do Mundo. Dessa forma, no Memória Lusitana desse mês, a coluna O Gajo Conta é sobre Mário Coluna, que, nesta quinta-feira (6), completaria 85 anos.

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Natural da Ilha da Inhaca, Mário Esteves Coluna nasceu em uma terra que nos deu grandes ídolos da bola, sendo ele um dos maiores. Assim, filho de uma moçambicana e um português, o sonho de jogar bola não começou de sempre. Apesar de praticar esportes, o nosso gajo participava de combates de boxe e chegou a atuar no atletismo, a bater o recorde de Moçambique no salto em altura: 1,825 metros.

Dessa forma, somente iniciou no futebol aos 15 anos, no time de Lourenço Marques. e tão logo começou a despertar a atenção dos grandes de Portugal. Isso porque, o Porto havia feito uma proposta de 90 contos por dois anos de contrato. Já o Sporting e o Benfica subiram a pedida para 100 contos. Devido à vontade do pai e ao vínculo do Lourenço Marques com os Encarnados, Mário Coluna se tornou benfiquista. A partir de então, o que aconteceu foi história.

MÁRIO COLUNA DO BENFICA

Assim, após 34 horas de viagem, o gajo chegava à Lisboa, onde viria a ser chamado de Monstro Sagrado. No entanto, os primeiros momentos não foram fáceis já que disputava posição no ataque com outro ídolo da bola: José Águas, já trazido a cá. Logo, com uma briga descomunal para começar de avançado, Mário Coluna teve dificuldades para se adaptar e pensou em voltar à Moçambique. Foi nesse instante que um brasileiro mudaria sua vida no futebol.

Isso porque, foi Otto Glória quem enxergou melhores qualidades como médio inferior, o popular volante no Brasil. Assim, na direita ou pela esquerda, Mário Coluna começava a se tornar inquestionável no Benfica já marcando nas primeiras quatro jornadas, finalizando a temporada de estreia com 17 golos. Dessa forma, em uma viagem ao Brasil, Vasco e Flamengo tentaram tirar nosso craque de Portugal, assim como Eusébio, mas Salazar não permitiu.

Dessa forma, qual um Carregador de Piano, como também seria chamado, Coluna conduzia e motivava seus companheiros às glórias. Assim, Jaime Graça, um deles, falou sobre o gajo: “Era ele que conduzia a forma de nós ocuparmos os espaços no campo. ‘Vai mais à frente, miúdo, ou vem mais atrás’. Ele levava o jogo todo a dar indicações“.

Logo, era Mário Coluna quem iniciava as jogadas de um Benfica que encantou a Europa e o Mundo com as conquistas de duas Taças dos Campeões Europeus, frente Barcelona e Real Madrid. Além disso, ainda poderia ter conquistado o tri europeu em 1963, mas sofreu uma entrada dura ainda no primeiro tempo e ficou o resto do jogo de sacrifício. Assim, como poucos, aguentou até o final dos 90 minutos, mas não conseguiu evitar a derrota que deu o vice-campeonato.

O CAPITÃO PADRINHO DE EUSÉBIO

Quando chegou, de Maputo, um jovem franzino que viria a se tornar o maior jogador português de todos os tempos, depois de mim, Mário Coluna já tinha oito épocas de águia ao peito. Assim, sob uma carta de recomendações de sua mãe, Eusébio se tornou afilhado do capitão benfiquista. E foram juntos que quebraram a hegemonia do poderoso Sporting na década de 60.

Pelo Benfica, a dupla conquistou a Taça dos Campeões Europeus, em 1962, com Eusébio em destaque, e sete vezes a Liga Portuguesa com Mário Coluna a erguer todos os troféus. Para alguns era chamado de Monstro Salgado, mas para o Pantera Negra era um pai-irmão, o Senhor Coluna. Pela Seleção Portuguesa, foram fundamentais na melhor campanha das Quinas em Campeonatos do Mundo, em 1966, com o terceiro lugar. Assim, Coluna foi determinante para o desenrolar do craque para o futebol português e mundial.

MÁRIO COLUNA NA SELEÇÃO DAS QUINAS

Logo, Mário Coluna levou a boa parceria que tinha com Eusébio no Benfica para a Seleção Portuguesa. Antes do Pantera Negra, nosso gajo começou a ser convocado por Manuel da Luz Afonso e depois por Otto Glória. Assim, com o treinador brasileiro, alcançou o maior posto da história lusitana com o bronze no Mundial na Inglaterra. Além disso, sua performance rendeu um lugar entre os 11 melhores daquele Campeonato do Mundo.

Dessa forma, após dois anos da campanha em terras britânicas, Mário Coluna se despediu da Seleção Portuguesa. Assim, realizou 57 partidas em 13 anos com o brasão lusitano ao peito, marcando oito gols. Em 1970, se despediu, com 18 títulos, de outra grande paixão: o Benfica. Pois, foi dispensado e impedido de encerrar a carreira no clube de coração. Portanto, finalizou a passagem pelos relvados no estrangeiro, na França.

DE LYON À MOÇAMBIQUE, ENFIM O DESCANSO

Desse modo, Mário Coluna encerrou a vitoriosa carreira pelo Lyon, mas não da forma como se acostumou. Pois, pelo clube francês, foram apenas 19 jogos e  nenhum título. Assim, pendurou as botas em 1972, após 18 anos dedicados ao futebol. Com a independência de Moçambique, nosso gajo retornou para sua terra natal e ajudou na reconstrução e no crescimento do novo país, sendo, inclusive, presidente da Federação Moçambicana.

Apesar disso, por aquelas coincidências tristes do destino, amigo-irmãos de longa data, Mário Coluna partiu pouco tempo depois de Eusébio. Logo, em um 25 de fevereiro de 2014, pouco menos de dois meses depois do Pantera Negra, perdemos o Marionetista de Portugal para uma infecção pulmonar. Mesmo que, futebolisticamente, à sombra do segundo maior português, Coluna tem seu espaço no panteão dos heróis da bola lusitanos e estará para sempre na nossa Memória Lusitana.

Foto Destaque: Reprodução / Mais que um jogo PT

Ricardo do Amaral

Sobre Ricardo do Amaral

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"Alvíssaras! Sou Ricardo Accioly Filho, pernambucano de 27 anos, advogado e estudante de jornalismo pela Uninassau. Tenho como mote que “no futebol, nunca serão apenas 11 contra 11”; é arte, é espetáculo, humanismo, tem poder de mover multidões e permitir ascensões sociais. Como paixão nacional do brasileiro, o futebol me acompanha desde cedo, entretanto como nunca tive habilidade para praticá-lo, busquei associar duas vertentes de minha vida: o prazer pela leitura e o esporte bretão. Foi nesse diapasão que encontrei no jornalismo esportivo o elo de ligação que me leva a difundir e informar o que, nas palavras de Steven Spielberg, é o “mais belo espetáculo de imagens que já vi”."

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