Memória Lusitana: José Torres, o Bom Gigante

- Mítico avançado usou da cabeça para entrar para a história como um dos maiores magriços de 1966
O Gajo Conta a história de José Torres, o Bom Gigante (Foto: Reprodução / Museu Virtual do Futebol)

Olá, amigos e amigas de Brasil! Primeiramente, um grande 2021 para todos e que possamos tão logo está em reunião nos palcos da bola espalhados pelo mundo. Vocês devem lembrar da última coluna O Gajo Conta… nela, estive a narrar a jornada épica dos Magriços em 1966, na Inglaterra. Assim, por mais que o Pantera Negra tenha sido peça fundamental e, para nós, o homem do Mundial, uma outra personalidade se sobressaiu. Portanto, a Memória Lusitana desse mês é do Bom Gigante, um dos maiores marcadores de sempre, José Torres!

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Inicialmente, regressemos à Inglaterra 1966… especificamente, à 27 de junho no mítico Wembley. Isso porque, após marcar outros golos naquela campanha, um entraria de vez para a história. Assim, de cabeça, o Bom Gigante superou o icônico guarda-redes soviético Lev Yashin para anotar o segundo tento português e o da virada que nos rendeu o terceiro lugar no Mundial. Dessa forma, a melhor campanha de sempre em Campeonatos do Mundo. Nem eu superei, apesar do quarto lugar em 2006

Logo, golos de cabeça eram a marca de José Torres. Ora pois, do alto de seus 1,91 metros e sua reconhecida bondade e generosidade ganhou a alcunha de Bom Gigante, e cá entre nós, ele fazia jus ao apelido. Assim, o mítico avançado teve uma carreira de 23 anos, onde se tornou um dos maiores benfiquistas de sempre. Como parte do histórico Benfica da década de 60 ao lado de Eusébio e Coluna, foi duas vezes campeão europeu, apesar de não ter presença nas finais.

UMA DÉCADA MÍTICA DE ÁGUIA AO PEITO

Dessa forma, José Augusto Torres nasceria em 1938, em Torres Novas. Assim, como muitos de sua geração, iniciou sua vida no futebol no clube local de mesmo nome e desde sempre já dava sinais da característica que marcaria sua carreira. Isso porque, como jogador de área e sua grande estatura, empilhava golos de cabeça, usando tanto o atributo físico como a inteligência.

No entanto, aos 20 anos, ao chegar ao Benfica teve que concorrer com outra lenda do esporte e também José, o Águas, já trazido a cá. Ora pois, naquele tempo, o mítico avançado vinha de uma década no mais alto nível no ataque dos Encarnados. Apesar disso, José Torres não desistiu e seguiu em busca de espaços que surgiram a partir da terceira época de águia ao peito. Sem desperdiçar, ganhou o título de Rei dos goleadores no Campeonato Português com 26 golos marcados em 1962-63.

Além disso, a partir de então, ao lado de Eusébio, formou uma das maiores duplas de ataque no icônico time dos sonhos benfiquistas. Ora pois, da cabeça do Bom Gigante saíram muitas bolas, que quando não terminavam em golos, o Pantera Negra as fazia chegar as redes adversárias. Com forte participação nas finais europeias de 1963, 1965 e 1968, José Torres não as conquistou. No entanto, como já dito, apesar de não ter marcado presença nos jogos finais, integrou o plantel campeão de duas Taças dos Campeões Europeus, em 1960-61 e 1961-62.

CARREIRA FORA DO BENFICA

Após conquistar ainda nove campeonatos nacionais e três Taças de Portugal de águia ao peito, José Torres se despediu do Benfica e de Lisboa. Assim, rumou para Setúbal para atuar pelo Vitória. Logo, à serviço dos Setubalenses ainda alcançaria mais duas internacionalizações à Seleção Portuguesa, mas já não reeditaria o grande futebol do clube lisboeta.

Assim, permaneceu no Vitória de Setúbal até 1975, época em que se transferiu para o Estoril Praia, onde já começaria a acumular as funções de jogador e treinador, numa prática comum naqueles tempos. Novamente, sem uma grande presença, pendurou as botas aos 42 anos, em 1980. Em sua carreira, marcaria 217 golos em 384 jogos, tás a ver?! Um grande feito!!

JOSÉ TORRES, UM MAGRIÇO

No auge de sua carreira, na década de 60, José Torres foi um dos maiores magriços de sempre. Ora pois, obteve 34 internacionalizações, numa época onde não frequente os jogos entre seleções, como hoje em dia. Além disso, marcou 14 golos pela Seleção Portuguesa, vindo a marcar o primeiro deles na sua segunda partida. No entanto, foi, realmente, no Mundial da Inglaterra que o Bom Gigante entraria para a história.

Isso porque, formando time com a base do Benfica da época, ao lado de Coluna, Simões e do gigantesco Eusébio, atuou em todas as seis partidas do Mundial. Assim, com três golos na campanha, o mais icônico na decisão do terceiro lugar contra a União Soviética, contribuiu para o honroso posto, o maior de sempre das Quinas. Já em 1973, em jogo pelo Campeonato da Europa, juntamente a Simões e Pantera Negra, se despediu do manto luso.

DEIXEM-ME SONHAR…

No entanto, não se afastaria de vez da Seleção Portuguesa. Ora pois, um dos mais icônicos avançados do futebol português se tornou treinador, 20 anos depois. Assim, apurou a Seleção das Quinas para o Mundial de 86, no México, que entraria para a história pela conquista de Diego Maradona, com a Argentina. Apesar do pessimismo que o cercava, José Torres ficou marcado por uma frase: “Deixem-me sonhar…“.

E verdadeiramente sonhando, nosso antigo avançado estreou-se com uma vitória contra a Inglaterra, tida como a melhor seleção do grupo. Logo, um resultado que surpreendeu os aficionados pelo esporte. Dessa forma, algo que poderia ter rendido uma nova Saga dos Magriços, foi a única alegria daquele Mundial. Pois, com duas derrotas na sequência para Polônia e Marrocos, Portugal se despediu ainda nos grupos.

Talvez pelos conflitos internos entre jogadores e a federação portuguesa… talvez, pela suspensão por doping de Veloso, antes do Mundial. Talvez, pela lesão de Bento, nosso guarda-redes titular à época… a bem da verdade, não estivemos à altura dos Magriços. E esse foi o capítulo final de José Torres em Mundiais e na Seleção das Quinas.

UM GIGANTE EM ESTATURA E NAS LEMBRANÇAS PORTUGUESAS

Após uma carreira gloriosa nos relvados portugueses, José Torres conviveu com um drama particular em seus últimos anos de vida. Isso porque, além de enfrentar graves problemas financeiros, foi vítima da doença de Alzheimer. No entanto, se aos poucos, as lembranças de toda uma vida foram se apagando de sua memória, ele seguiu sendo lembrado pelos amigos que fez e pelas homenagens que recebeu.

À 3 de setembro de 2010, perdemos nosso Bom Gigante, um gigante em campo e fora dele, com um enorme caráter humano. Assim, sua partida gerou uma grande comoção entre os Benfiquistas, mas toda Portugal sentiu a despedida final a um dos grandes heróis de sua nação. E entre os adeptos do futebol português ficaram o carinho e as lembranças dos golos de mais um que estará para sempre em nossa Memória Lusitana. À José Torres, o Bom Gigante!

Foto Destaque: Reprodução / Museu Virtual do Futebol

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Ricardo do Amaral
Ricardo do Amaral
"Alvíssaras! Sou Ricardo Accioly Filho, pernambucano de 27 anos, advogado e estudante de jornalismo pela Uninassau. Tenho como mote que “no futebol, nunca serão apenas 11 contra 11”; é arte, é espetáculo, humanismo, tem poder de mover multidões e permitir ascensões sociais. Como paixão nacional do brasileiro, o futebol me acompanha desde cedo, entretanto como nunca tive habilidade para praticá-lo, busquei associar duas vertentes de minha vida: o prazer pela leitura e o esporte bretão. Foi nesse diapasão que encontrei no jornalismo esportivo o elo de ligação que me leva a difundir e informar o que, nas palavras de Steven Spielberg, é o “mais belo espetáculo de imagens que já vi”."

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