Medalha de ouro com esperança

O Brasil é um país de todos (e por poesia ou destino), a 1ª equipe de refugiados da história dos jogos olímpicos vai competir aqui. Ó pátria amada! Olimpíadas RIO 2016 regou novamente a árvore do esporte com frutos, mesmo que demorem a amadurecer, de propósitos e esperanças.

Houve uma experiência negativa do Rio de Janeiro em suportar um evento esportivo, (vale ressaltar que o porte era significantemente menor do que as Olimpíadas) o Panamericano de 2007. E deixou cidadãos com uma mente de pessimistas. Mas é hora de olhar por outro ângulo.

Com a esperança tão viva numa lição de humanidade e integração nesta equipe, pode-se esquecer, por hora, das dificuldades que a cidade maravilhosa vai arrastar. O trânsito caótico, estabelecimentos lotados e possíveis situações de despreparo com o idioma estrangeiro. Mas é hora de olhar por outro ângulo.

Esperança. O Time dos Atletas Olímpicos Refugiados (Team Refugee Olympic Athletes) é composto por 10 atletas. E a dificuldade na pronúncia de seus nomes talvez nos transmita (parcialmente) a dificuldade em ser um refugiado.  São eles: Anjelina Nadai Lohalith, Rose Nathike Lokonyen, Yiech Pur Biel, James Nyang Chiengjiek, Paulo Amotun Lokoro, Lokonien Rose Nathike, Ramis Anis, Yusra Mardini, Popole Misenga e Yonas Kinde.

A equipe de refugiados foi criada pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) e apoiada pela ONU (Organização das Nações Unidas). Os atletas são oriundos do Sudão do Sul, Síria, Etiópia e República do Congo, e competem em três modalidades diferentes: atletismo, natação e judô. Para o esporte concretizar estes sonhos, os gastos entre viagens e despesas dos atletas serão pagos pela Organização Solidariedade Olímpica.

Claro que existiam outros candidatos para sediar as Olimpíadas 2016, como Chicago, Tóquio e Madri. E sejamos realistas com o quadro de desigualdades sociais, infraestrutura elementar, e a violência urbana que o Rio de Janeiro oferece, gratuitamente. Mas é hora de olhar por outro ângulo. E uma das 8ªs maravilhas do mundo está em solo carioca. E é gratuita também (ainda não cobram por admirar paisagens).

“Eu me sinto muito, muito segura agora. Estamos seguros (…)”. É a fala de Anjelina, que vibra com a sensação ao desembarcar no Brasil. E se a segurança é o sentimento que esses atletas sentem por estarem aqui, o que podemos contribuir é, não menos que, acolhimento.

60 milhões. 60.000. Mi-lhões. Não é o número de torcedores brasileiros na Olimpíadas 2016. Nem o número de turistas no Rio de Janeiro. Nem o quanto foi investido neste evento. 60 milhões é o número de refugiados ao redor do mundo. É o número de pessoas que serão inspiradas com a histórias destes 10 atletas (ou guerreiros). É o número de pessoas atingidas com este suspiro de esperança.

É hora de olhar por outro ângulo. Pela minoria que tem mérito e valor. Pela compaixão. Pelo esporte. Pelos 60 milhões que (infelizmente) talvez não tenham oportunidades dignas.

O Time dos Atletas Olímpicos Refugiados ainda não tem a autorização da COI para entrar nas cerimônias oficias e premiações com bandeira própria (nas cores laranja e preto, como forma de prestar uma homenagem aos refugiados que vestem o colete salva-vidas para cruzar o oceano), juntamente com a oficial das Olimpíadas.

Esperança. Nesses atletas que lutaram por um espaço no mundo e agora no pódio. E é nesta forma mais genuína, de pele escura, mas sem preconceitos, que o esporte apresenta sua totalidade: força, determinação e vontade de vencer.

Leticia Soares

Sobre Leticia Soares

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Letícia Soares, 21 partidas completas pela vida. Estudante de jornalismo, que já estudou gastronomia e que ama também áreas da psicologia. O que isso tudo tem em comum? Nada. Simplesmente descobriu a paixão pelo futebol por um ex-namorado que era fanático pelo jogo. O relacionamento teve fim, mas o amor pela bola, continua prosperando a cada partida que assiste.

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