Mauro Camoranesi: a trajetória do polêmico ítalo-argentino

- Ídolo da Juventus, Camoranesi é o estrangeiro que mais jogou pela Azzurra
Mauro Camoranesi Itália Foto: Matthias Schrader/ EPA

Antes de mais nada, se alguém falasse que um jovem nascido no final de 1976, em Tandil, na Argentina, seria ídolo da Juventus e campeão mundial pela Itália, você acreditaria? Essa é a história de Mauro Camoranesi, um dos símbolos Bianconeri na década de 2000 e que fez história com a camisa Azzurra. Além da conquista da Copa da Alemanha em 2006, o ex-atleta é o estrangeiro que mais serviu à seleção.

COMEÇO NO FUTEBOL E POLÊMICAS

Os primeiros passos de Camoranesi foram no modesto Aldosivi. Por lá, fez sua estreia em 1994 e, no mesmo ano, protagonizou um dos lances mais violentos de sua trajetória. Isso porque, no dia 14 de agosto, ele encerrava precocemente a carreira de um colega de profissão no clássico local, diante do Alvarado, pela Liga Mar del Plata.

Ao longo da peleja, Mauro entrou de forma violenta em uma dividida com Roberto Javier Pizzo, na época com 18 anos (vídeo do lance – Atenção! Imagens fortes). Isso fez com que o então jogador, que estava na mira do Racing, nunca mais voltasse a atuar profissionalmente. Dessa forma, anos depois, Camoranesi foi punido e condenado a pagar uma multa de 50 mil euros

Posteriormente, ele seguiu no Aldosivi até 1996, quando transferiu-se para o Santos Laguna (1996-97) e rumou ao Wanderers (1997). Da mesma forma, continuou envolvido em polêmicas. No Uruguai, pegou 10 jogos de suspensão após agredir um árbitro. Como resultado, retornou ao país natal para jogar pelo Banfield (1997-98). Porém, a Europa só começou a olhar para o futebol do meio-campista após o mesmo se destacar no México, pelo Cruz Azul, entre 1998 e 2000.

ATERRISSANDO EM VERONA E IDOLATRIA BIANCONERI

A virada do século também representou uma nova página para o camisa 16. As boas atuações pela equipe mexicana renderam uma transferência ao futebol italiano, sendo contratado pelo Hellas Verona. Apesar da convivência diante da luta contra o rebaixamento, suas atuações se destacaram  ao longo das duas temporadas em que representou a equipe do nordeste do país.

Consequentemente, no ano de 2002, foi contratado pela poderosa Juventus. Logo de início, Camoranesi conquistou seu espaço com técnica, polivalência e raça. Esse casamento durou até 2010, rendendo alguns frutos: uma Serie A (02/03), um Campeonato Italiano Serie B (06/07), duas Supercopas (02/03 e 03/04) e números relevantes. O jogador vestiu o manto Bianconeri 288 vezes, balançando as redes em 32 oportunidades. 

SELEÇÃO ITALIANA

Ignorado pela Argentina e possuindo cidadania local (por conta dos seus avós), o meio-campista recebeu a primeira oportunidade na Nazionale em 2003, aos 26 anos. Ele foi o 45º estrangeiro (ou oriundi”, como são chamados os descendentes de italianos) a jogar pela Azzurra, sendo o primeiro deste o brasileiro Angelo Sormani, na década de 1960.

O técnico da época, Giovanni Trapattoni, convocou Camoranesi para um amistoso diante de Portugal no dia 12 de fevereiro do ano citado (no qual saiu vencedor por 1 a 0). A imprensa local historicamente lida com má vontade em relação aos já citados “oriundi“. Por outro lado, isso não intimidou o atleta, que respondeu de forma direta um questionamento sobre sua opção por defender a Itália:

“Não sou um traidor. Ainda me sinto 100% argentino. É só uma questão de futebol”.

Justificando suas convocações pelo bom desempenho na Juventus, disputou a Eurocopa de 2004. Dois anos mais tarde, sob o comando de Marcello Lippi (trabalharam juntos na Velha Senhora), foi uma importante peça na conquista da Copa do Mundo da Alemanha. No entanto, antes do título, ainda na estreia da equipe na competição contra Gana, outra polêmica.

O meio-campista não cantou o hino da Itália e foi questionado por jornalistas. A resposta foi sincera: “Eu não conheço o hino italiano”. O episódio não prejudicou sua atuação, muito menos o título e sua trajetória na sequência. Além disso, disputou outra Euro em 2008, a Copa das Confederações de 2009 e finalizou sua carreira pela seleção no mundial da África do Sul, em 2010. Ao todo, marcou cinco gols em 55 partidas, sendo o naturalizado recordista em jogos pela Itália.  

RETA FINAL DA CARREIRA E VIDA PÓS-ATLETA

No mesmo período em que se despediu da Nazionale, o camisa 16 também encerrou seu ciclo vitorioso por Turim, e foi jogar pelo Stuttgart (Alemanha). A passagem durou apenas um ano e Camoranesi retornou às origens. Sendo assim, concluiu sua história dentro dos gramados atuando por Lanús (2011-2012) e pelo Racing (2012-2014).

Aposentado dos campos, o Mago de Tandil seguiu no futebol. Em janeiro de 2015, o ex-jogador assumiu o comando técnico do Coras de Tepic, do México. Por lá ficou até agosto, somando 25 jogos (sete vitórias, nove empates e nove derrotas). No mesmo ano, em dezembro, foi contratado pelo Tigre, da Argentina, mas durou apenas sete partidas, sendo demitido em março de 2016.

No entanto, outro clube mexicano se interessou pelos seus serviços: o Cafelateros. Chegando em agosto, não completou a temporada com a equipe, saindo em janeiro de 2017 após 14 jogos. Depois disso, ficou afastado da função até janeiro de 2020, quando aceitou o convite do inusitado Tabor Sežana, da Eslovênia. O ex-jogador segue por lá segue até o momento.

Foto Destaque: Matthias Schrader/EPA

Rômulo Morse

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Acredito que o jornalismo me escolheu. Entrei na faculdade pelo simples fato de ser apaixonado pelo futebol, mas descobri um mundo muito maior na área da comunicação. Dessa forma, o desafio me move diariamente em prol dessa função tão importante.

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