No último domingo (17), a questão do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) abordou discussão sobre igualdade de gênero no esporte. Com base na remuneração de Marta e Neymar, a questão 42 do caderno rosa despertou novamente a desigualdade no futebol feminino brasileiro.

Inclusive, em  uma das  declarações do presidente Jair Messias Bolsonaro (sem partido), houve uma crítica sobre a questão da prova. Na ocasião, ele argumentou que “o futebol feminino não é realidade no Brasil“.

Marta x Neymar
(Reprodução/TORCEDORES)

Marta x Neymar: desigualdade no futebol feminino brasileiro

Para uma comparação básica, Marta possui seis títulos de melhor jogadora do mundo pela Fifa, enquanto Neymar nunca recebeu o prêmio. Porém, o jogador recebe 290 mil dólares por gol, enquanto a melhor do mundo recebe 3,9 mil dólares. Marta claramente é melhor que Neymar, mas sua visibilidade, remuneração e condições de trabalho são muito diferentes.

O mundo tem raízes machistas, e, se tratando de Brasil, esse cenário é ainda mais crítico. Em 1900 já haviam times de futebol masculino profissional, como o Sport Clube Rio Grande. Mas apenas 21 anos depois existiu a primeira pelada de mulheres, entre moças do bairro Tremembé e Santana, na zona leste de São Paulo. A desigualdade no futebol feminino brasileiro tem histórico bem longo.

Quando o futebol se profissionalizou, entrou muito mercado e patrocínio, enquanto o feminino não era considerado nem amador. Hoje em dia isso não mudou. Não há às quartas-feiras nem no domingo de churrasco uma transmissão ao vivo do Campeonato Brasileiro Feminino, por mais profissional que seja.

O machismo no esporte não é um problema apenas do Brasil. Porém, já observa-se que na Europa e no EUA o futebol feminino recebe mais atenção, público e investimento. Um bom exemplo seria a campeã mundial de futebol Megan Rapinoe, que coleciona fãs além de possuir o título mundial.

Há quem argumente que o futebol feminino não é atrativo, que o time não é bom, que as jogadoras são inexperientes. Mas é preciso reconhecer que o futebol masculino é assim porque tem quem compre a ideia, que vá aos estádios, enfim, que invista nele.

Arregaçando as mangas contra o patriarcado

Em protesto, no dia 18 de junho de 2019, a atacante Marta entrou no jogo contra a seleção italiana usando um batom roxo, da marca Avon. Além disso, a melhor do mundo tem optado pelo uso de chuteiras pretas, sem patrocínio algum, em protesto contra a desigualdade de gênero.

Marta de batom roxo
Marta usa batom roxo da AVON em partida contra Itália na Copa

O esporte, na visão machista, é para o homem realizar. Nas categorias femininas não é diferente. Infelizmente, por mais que tenha mulheres jogando na quadra, a comissão técnica quase sempre é masculina.

Quando a mulher tem incentivo desde cedo a entrar no caminho do esporte, ela adquire confiança. Nas escolas de futebol para crianças, quantas meninas têm no time? Na família, como a jovem obtém incentivo ou motivação para o esporte?

A fala de Bolsonaro, “o futebol feminino não é realidade no Brasil“, é um erro, porque elas estão entrando em campo e não pretendem parar até chegar ao gol. Se é que somente o gol é seu objetivo, porque elas merecem muito mais.

Foto destaque: Divulgação/Glamour 

Cler Santos
Cler Santos
Eu escolhi jornalismo pois além de muito faladeira, semrpe fui uma leitora voraz. Um belo dia vendo Globo Repórter, eu disse a minha mãe que queria viajar muito como a Glória Maria, e ela me disse " então tem que ser jornalista ". É meu objetivo desde então. Já tive experiência de escrever no jornal da escola, estive sempre entre os primeiros lugares nos campeonatos de texto. Em jornalismo mesmo, participei como redatora voluntária para o site " dicas de jornalismo " por cerca de 1 mês na editoria de cultura, em que escrevi sobre mulheres negras, público LGBTQIA+ e veganismo negro. Além disso, já entrevistei e escrevi sobre o radialista de esportes Emerson Pancieri, E a jornalista do MGTV, Cláudia Mourão. Produzi 2 podcasts em grupo, um sobre um time de rugby paraolímpico, e outro sobre semiótica, jornalismo e o caso de Mariana Ferrer. Por fim, participei de uma propaganda sobre a importância do jornalismo para a comunidade com a âncora do MGTV Aline Aguiar.

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