O dia que os brasileiros viraram o 12º jogador

Marcas da Copa – O dia que os brasileiros viraram o 12º jogador

Mais uma edição da coluna retrô sobre as Copas do Mundo, o “Marcas da Copa”. Colunistas FNV e convidados vão descrever a emoção única de algum jogo marcante de Copa que ficou fincado na memória. Serão crônicas desde a época de Pelé, até os tempos atuais. E hoje é Ariane Delgado quem nos contempla com suas lembranças. Confira abaixo:

Marcas da Copa – BRASIL (3) 1 X 1 (2) CHILE

Minha família é pequena e ninguém nunca foi tão fanático por futebol. Mas, em 2002, por volta dos meus 4 anos, vi uma seleção que fez eu me apaixonar pelo futebol e, desde então, esse esporte se tornou o maior amor da minha vida. As pessoas do meu bairro nunca foram tão unidas, porém, em ano de Copa do Mundo isso mudava. Eu nunca vi uma paixão unir tantas pessoas. As crianças e os adultos saiam de porta em porta arrecadando dinheiro para pintar a rua e enfeitar as casas de bandeirinhas. As calçadas eram pintadas de verde e amarelo, a rua era preenchida por desenhos e cada um estampava na cara um único amor: o futebol.

No Marcas da Copa você vai acompanhar essa grande partida!

O clima brasileiro

Após 64 anos, o Brasil voltava a sediar uma Copa do Mundo. Era um privilégio ter grandes seleções e jogadores atuando no “quintal” de casa. O país teve grandes manifestações contra o torneio da FIFA.O movimento “Não Vai Ter Copa”, também fez parte de uma de série de manifestos populares por todo o país contra os altos gastos nas construções de estádios e estruturas para sediar a Copa do Mundo. Mesmo com as manifestações, teve Copa, e que Copa meus amigos.

Foto: Site Luiz Muller

Luiz Felipe Scolari, o Felipão, foi escolhido para comandar a seleção brasileira. Com um time repleto de craques, como Neymar, Daniel Alves, Thiago Silva e companhia, os torcedores brasileiros só tinham um desejo: o hexa. Quando a seleção jogava o mundo todo parava pra assistir. Os meus vizinhos se reuniam em alguma casa, abriam a garagem, colocavam a TV em cima da mesa e compartilhavam do mesmo amor.

Era dia 28 de junho, um sábado, e a minha rua estava abarrotada de gente, as casas estavam lotadas, o verde e o amarelo dominavam as ruas do meu bairro e mesmo com um calor de 30° graus todo mundo esperava ansioso por mais um jogo da seleção.

Foto: Cliquetando

1° TEMPO

Eu havia acompanhado alguns jogos do Chile na fase de grupos e sempre soube da qualidade da marcação avançada dos chilenos. Mas aos 10 minutos de jogo, os talentos individuais começaram a aparecer. Os meus olhos se enchiam de esperança ao ver a bela parceria entre Neymar e Marcelo pela esquerda. A torcida não deixava de apoiar, e aquele dia eu vi: o torcedor brasileiro é o 12° jogador em campo. Em escanteio cobrado por Hulk, a bola passou por toda área e chegou em David Luiz, que abriu o placar para o Brasil.

Foto: O Globo

Após o gol, o Chile partiu para cima. Hulk não conseguiu devolver a bola para Marcelo. Vargas roubou e tocou dentro da área para o artilheiro Alexis Sánchez, que não perdeu a chance e empatou a partida. Em questões de minutos um filme passou pela minha casa, o meu bairro todo se silenciou, e não se ouvia uma voz sequer, mas a esperança estava vida.

Foto: Alberto Lancia-21.abr.2010/EFE

2° TEMPO

O Brasil começou o segundo tempo com dificuldade para penetrar a defesa chilena. Daí em diante eu vi os chilenos irem para cima. Cada bola na área era um ataque cardíaco. Não se ouvia sons nas ruas. A posse de bola era maior para os adversários. Eu coloquei meus pés no chão e com um terço na mão pedia pra Deus acabar com aquele segundo tempo e que nos desse forças pra prorrogação. O pedido foi atendido, a seleção suportou o empate e levou o jogo pra prorrogação.

PRORROGAÇÃO E PÊNALTIS

A prorrogação se arrastou lentamente. O Chile atacava e o Brasil se defendia do jeito que podia. A seleção se segurou e levou o jogo pra os pênaltis. Teve um lance que levo na memória até hoje, Júlio César olhando para Thiago Silva e dizendo “EU VOU PEGAR”. Eu não tinha dúvidas, nós íamos para as quartas de finais. David Luiz, Marcelo e Neymar marcaram para o Brasil. Com a esperança em seus olhos, Júlio César defendeu os chutes de Pinilla e Sanchez. Jara bateu na trave e acabou com o desespero dos brasileiros.

Esse jogo foi um dos mais emocionantes da minha vida. A minha rua lotava de pessoas comemorando a classificação. Fogos explodiam e coloriam o céu de verde e amarelo. Os carros passavam buzinando na avenida e em todos os rostos se via a felicidade e o amor pela Seleção Brasileirão. Depois daquele dia eu tive a certeza que a Copa do Mundo é um torneio que une pessoas, e que o futebol é, e sempre será, o maior amor da minha vida.

Foto: Globo Esporte

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Ariane Delgado
Ariane Delgado
Ariane Delgado, Paulista, estudante de Jornalismo e torcedora doente do Sport Club Corinthians Paulista. Apaixonou-se pelo futebol quando viu uns meninos jogando na frente de casa por volta dos seus 5 anos, desde então é jogadora de futebol nas horas vagas e frequentadora dos estádios da vida. Sabe que a mesa de um bar é o local ideal para se discutir uma partida de futebol, e leva pra vida que futebol sempre irá fazer seu coração disparar.

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