Maradona comemora um de seus gols pelo Napoli

No início da tarde desta quarta-feira (25), o mundo do futebol ficou em luto. Diego Armando Maradona, ‘El Díos’, nos deixou em decorrência de uma parada cardíaca. Um ídolo mundial, um dos maiores jogadores de todos os tempos, uma verdadeira lenda que ficará marcada na eternidade. Neste texto da Calciostória, falaremos sobre a revolução causada pelo craque argentino em Nápoles, na Itália.

Diego Armando Maradona passou por uma infância complicada. A situação em sua casa beirava a miséria. Porém, no meio de tantas dificuldades, uma das alegrias de Dieguito era o futebol. Desde cedo, o garoto baixo e magro se destacava por sua velocidade, agilidade e inteligência.

Estreou com 15 anos no futebol profissional, e, em 1981 chegou ao gigante Boca Juniors, onde marcou 28 gols em 44 jogos. Maradona já era um dos melhores jogadores na década de 1980. Dessa forma, foi para o Barcelona com 22 anos. O argentino sempre atuou em alto nível com a camisa do time. Assim sendo, pelo clube catalão conquistou a Copa do Rey e a extinta Copa de la Liga. Veja alguns lances de Don Diego pelo Barça:

MARADONA E NAPOLI: UMA PAIXÃO ETERNA

Apesar dos títulos conquistados e de suas atuações de altíssimo nível com a camisa do Barcelona, Diego colecionava lesões e polêmicas extracampo. Dessa forma, sua saída da equipe catalã era inevitável. A partir daí, começa a grande paixão de Diego Armando Maradona: a cidade de Nápoles, no sul da Itália.

A transferência para o Napoli foi a maior transação da época. Maradona chegou para ser o principal nome da equipe. Até então, era um time inexpressivo na Itália. Apresentado diante de um San Paolo lotado, o jogador era a grande esperança dos napolitanos para ter algum sucesso na Serie A. E o Pibe não deixou a desejar. Inclusive, fez muito mais do que esperava.

Assim que chegou, o Napoli passou a ser mais respeitado e ocupar o pelotão de elite do futebol italiano. No entanto, só viria a conquistar algo um tempo depois. Quando Maradona já estava consagrado, logo depois de conquistar a Copa do Mundo de 1986 com a Argentina. Foi onde protagonizou cenas como o gol de mão, além do gol mais bonito da história das copas. Pela equipe de Nápoles, dessa maneira, ele conquistou os dois únicos títulos do time no Campeonato Italiano. Também venceu a Coppa Itália e a Copa Uefa de 1989.

Maradona em sua apresentação no Napoli
Maradona em sua apresentação no Napoli

A dobradinha

A equipe era muito bem treinada por Ottavio Bianchi e, obviamente, guiada por Maradona. Dessa forma, os napolitanos surpreenderam Juventus, Internazionale Verona. Com isso, levaram o Napoli ao inédito título italiano em 1987. Com vitórias marcantes sobre a Velha Senhora  (2 x 1 em Nápoles e 3 x 1 em Turim) e o Milan (2 x 1 em Nápoles). Por fim, o time terminou a competição com 42 pontos, tendo 15 vitórias, 12 empates e três derrotas.

Logo após o feito inédito, não satisfeito com um título, Diego Maradona comandou os napolitanos a conquista da Coppa da Itália, no mesmo ano. Foram duas vitórias sobre a Atalanta,  sendo  3 x 0 em Nápoles e 1 x 0 em Bérgamo.

Maradona e Ottavio Bianchi, treinador do primeiro scudetto do Napoli (Foto: Reprodução)
Maradona e Ottavio Bianchi, treinador do primeiro scudetto do Napoli (Foto: Reprodução)

MaGiCa

O trio formado por Maradona, Giordano e Careca foi o um dos, mais marcantes da história do futebol italiano. Apesar das atuações de gala, o Napoli não conseguiu levar o bicampeonato na temporada de 1987/88. Dessa maneira, o título ficou com o Milan.

No entanto, na temporada seguinte de 1988/89, o trio levou os Partonepei para sua maior glória. A conquista da Copa de Uefa de 1989, foi contra o Stuttgart, da Alemanha. Os napolitanos venceram o primeiro jogo por 2 x 1, com gols de Careca e Maradona. Já no segundo jogo, apesar de abrir 3 x 1, o time cedeu o empate, mas não tinha mais jeito, o título era do Napoli.

Após o bicampeonato em 1988 bater na trave, ele veio em 1990. O Napoli foi campeão com dois pontos de vantagem sobre o Milan. Além disso, os Partonepei venceram os Rossoneros por incríveis 3 x 0 naquela edição do italiano. Maradona anotou 16 gols na competição, e as conquistas não pararam por aí. O time venceu a Supercopa da Itália ao bater a Juventus por 5 x 1. Por outro lado, também foi o último grande momento, até então, da equipe napolitana

Trio Magica formado por Maradona, Giordano e Careca
Trio Magica formado por Maradona, Giordano e Careca

Diego em nossos corações, Itália nas canções

Falamos da importância de Diego Armando Maradona para o time. Contudo, agora é hora de falar o que ele fez pela cidade Nápoles, cidade do sul da Itália. Uma região mais pobre, incomparável as cidades do Norte do país, como Milão, por exemplo. Até então, vista com preconceito, como uma cidade caótica, violenta, suja e pobre. O gênio argentino foi abraçado pela cidade.

O destino quis colocar frente a frente Itália e Argentina em uma das semifinais da Copa do Mundo de 1990. Com isso, o local do jogo não poderia ser outro a não ser o Estádio San Paolo, em Nápoles.

Já reconhecido como uma lenda, Maradona colocou à prova sua idolatria, convocando os napolitanos para torcerem para a Argentina ao dizer:

“Durante 364 dias do ano vocês são considerados pelo resto do país como estrangeiros em seu próprio país e, hoje, têm de fazer o que eles querem, torcer pela seleção italiana. Eu, por outro lado, sou napolitano os 365 dias do ano”.

Uma das faixas dos torcedores napolitanos em Itália e Argentia, 1990
A faixa dizia: “Maradona, Napoli te ama, mas Itália é a nossa pátria”

O estádio ficou dividido. “Diego nos corações, Itália nas canções”, dizia uma bandeira. Dessa forma, causou até certa revolta por parte dos jogadores da seleção italiana e do Presidente da federação de futebol do país. Porém, o jogo terminou 1 x 1, e a Argentina venceu nos pênaltis.

Maradona na eternidade

A perda de um gênio, uma lenda, um semideus para argentinos e napolitanos. Sem dúvida, um dos maiores personagens da história do esporte se foi. Porém seu nome, Diego Armando Maradona, ficará para sempre na história. Afinal, não é a toa que o estádio do Napoli levará seu nome.

Foto destaque: Divulgação/Napoli

Lucas Passanesi
Escolhi o Jornalismo porque sempre gostei de contar histórias, transmitir a minha opinião e levar informação para as pessoas. Desde pequeno amo o esporte, e poder fazer o que gosto me anima. Já fiz parte de um site, chamado Planeta Brazuka, onde falávamos sobre jogadores brasileiros ao redor do mundo. Meu sonho é cobrir grandes eventos esportivos por veículos de comunicação. Estou sempre disposto a aprender, escutar quem está a minha volta, e ajudar quem precisar.

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