Em 2010, a Copa do Mundo foi disputada pela 1ª vez no continente africano. O país escolhido para ser o anfitrião da disputa foi a África do Sul. Dona da casa, a Bafana Bafana não teve vida longa na competição, tendo sido eliminada ainda na fase de grupos. No entanto, outra seleção do mesmo continente chamou para si a atenção naquele mundial: Gana.

Dentro das quatro linhas, a equipe era comandada pela dupla Asamoah Gyan e Kevin-Prince Boateng. Fora de campo, o técnico era o sérvio Milovan Rajevac. As Estrelas Negras passaram raspando pela fase de grupos, na 2ª colocação. A seleção foi a única do continente africano a se classificar para o mata-mata, onde eliminou os Estados Unidos nas oitavas de final.

Até aquele momento, Gana já fazia história na Copa do Mundo. Havia feito a melhor campanha de uma seleção africana em todos os mundiais. Porém, os Estrelas Negras buscavam mais. Nas quartas de final, a equipe teve pela frente a tradicional seleção do Uruguai, que contava em seu elenco com jogadores do gabarito de Luis Suárez, Edinson Cavani e Diego Fórlan, posteriormente escolhido como o melhor jogador da competição. Comandados por Óscar Tabárez, a Celeste Olímpica buscava retomar seus tempos de glória.

O CONFRONTO

O duelo Uruguai e Gana parecia ser o patinho das quartas de final. Apesar da tradição da Celeste Olímpica, a seleção não chegava à semifinal de uma Copa do Mundo desde 1970. Enquanto isso, Gana chegava pela 1ª vez a esta fase da competição. O que tinha tudo para ser um confronto sem grandes emoções, se transformou na partida mais louca e imprevisível daquele mundial. Adepto das surpresas no futebol, minha torcida era da seleção ganesa. No entanto, o que ocorreu naquele dia 2 de julho, em Johanesburgo, foi totalmente além do que eu poderia imaginar. O Marcas da Copa conta a história deste embate.

1º TEMPO

A partida começou em uma rotação diferente do que se espera de uma semifinal de Copa do Mundo. As seleções começaram se estudando e buscando alternativas para chegar ao gol adversário. No entanto, o jogo começou a mudar a partir dos 10 minutos. A primeira chance foi com Suárez, que fez jogada individual pela esquerda, invadiu a área e chutou colocado, mas Kingson defendeu em dois tempos.

A Celeste Olímpica continuou em cima e quase abriu o placar aos 17 minutos. Após escanteio cobrado na área, Mensah desviou contra o próprio patrimônio, e o goleiro defendeu no reflexo. Apagado no jogo, Forlán arriscou de fora da área aos 24 minutos, mas mandou pela linha de fundo. Logo depois, foi a vez de Suárez novamente aparecer. Após falha da defesa ganesa, ele finalizou de primeira, e o arqueiro mandou pela linha de fundo.

Depois de sofrer com a pressão uruguaia, Gana começou a sair para o jogo. A primeira oportunidade da equipe foi aos 29 minutos, com Vorsah. Após escanteio cobrado na área, o zagueiro subiu mais que Lugano, mas cabeceou pra fora. Logo depois, Kevin-Prince Boateng arrancou pelo lado direito e tocou para Asamoah Gyan dentro da área. O atacante pegou mal e mandou pela linha de fundo.

Na bola aérea, os ganeses chegaram novamente aos 38 minutos. Asamoah Gyan cruzou na área, Muntari cabeceou, mas mandou longe do gol. Na reta final do primeiro tempo, Kevin-Prince Boateng completou cruzamento de voleio, mas mandou à direita do gol defendido por Muslera. De tanto insistir, os Estrelas Negras abriram o placar aos 47 minutos. Muntari finalizou de muito longe e, com a ajuda do quique da bola, fez o primeiro gol da partida.

gana comemorando

Jogadores de Gana comemoram o gol que abriu o placar na partida (Foto: Getty Images)

2º TEMPO

A etapa final começou no mesmo ritmo que os 45 minutos iniciais. Porém, diferente do primeiro tempo, as chances criadas pelo Uruguai se transformaram em bola na rede. Logo aos 10 minutos, Forlán cobrou falta da entrada da área, Kingson chegou a pular para fazer a defesa, mas o efeito da bola tirou o goleiro do lance e balançou a rede. Logo depois, Gana respondeu com Gyan, que finalizou forte, mas Muslera espalmou. A Celeste Olímpica teve a virada nos pés de Suárez aos 17 minutos. Forlán cruzou na área, mas o atacante, mesmo sem goleiro, mandou pela linha de fundo. Aos 27 minutos, Asamoah Gyan chutou de fora da área, mas o arqueiro fez a defesa.

forlan e suarez

Forlan e Suárez comemoram o gol de empate do Uruguai (Foto: Getty Images)

PRORROGAÇÃO

Ao final dos 90 minutos, o placar terminou empatado em 1 x 1. Mais 30 minutos para definir um dos quatro semifinalistas da Copa do Mundo. Em caso de nova igualdade: pênaltis. Gana começou indo pra cima, mas a defesa uruguaia era intransponível. Nos primeiro tempo da prorrogação, o Uruguai não ameaçou o gol defendido por Kingson.

Assim como na primeira etapa, os goleiros foram meros espectadores do início do segundo tempo da prorrogação. A história poderia ter sido diferente aos 10 minutos, quando Asamoah Gyan recebeu o passe de costas para a marcação e girou para cima de Scotti. No entanto, o zagueiro conseguiu se recuperar e afastou antes da finalização do atacante. Logo depois, Gana teve uma nova oportunidade. Após lateral cobrado na área, Gyan escorou na primeira trave, e Kevin-Prince Boateng cabeceou pela linha de fundo.

Nos acréscimos, o lance capital daquela partida em Joanesburgo. Adiyiah foi lançado em velocidade, e o árbitro marcou falta. Na cobrança, Paintsil colocou a bola na área, Kevin-Prince Boateng escorou na primeira trave, e Muslera deixou a bola viva na área. Appiah finalizou, mas Suárez, em cima da linha, afastou. No rebote, Adiyiah cabeceou, e o camisa 9 novamente tirou. Porém, o atacante afastou com as mãos. Sem titubear, o árbitro marcou pênalti e expulsou o atacante. Na cobrança, Asamoah Gyan, encheu o pé e acertou o travessão. A decisão da vaga iria para as penalidades máximas. A partir dali, independente do desfecho, o jogo mais louco da Copa do Mundo já havia acontecido.

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A “defesa” do goleiro Luis Suarez (Foto: Getty Images)

PÊNALTIS

O Uruguai abriu as cobranças com Forlán, que deslocou Kingson e marcou o primeiro. Logo depois foi a vez de Asamoah Gyan, vilão durante a prorrogação. O atacante cobrou no ângulo, sem chances para Muslera. A Celeste Olímpica retomou a liderança com Victorino, que cobrou no meio do gol. Em seguida, Appiah deixou tudo igual em Johanesburgo. No meio do gol, Scotti colocou a seleção sul-americana em vantagem mais uma vez. Coube a Mensah, capitão do time, a responsabilidade de novamente empatar o confronto. No entanto, o zagueiro cobrou mal e o goleiro fez a defesa.

A vantagem poderia ser consolidada com Maxi Pereira, porém o lateral isolou a cobrança e deu nova vida a Gana. Contudo, Adiyiah cobrou mal, e Muslera novamente defendeu. Na última cobrança, Sebastián Abreu, o “Loco“. O atacante não fugiu da responsabilidade e justificou o apelido. Com requintes de crueldade, o atacante cobrou de cavadinha e colocou o Uruguai na semifinal da Copa do Mundo em 2010. Terminava ali a história dos Estrelas Negras, que terminaram a Copa na 7ª colocação.

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Loco Abreu decidiu a disputa com sua marca registrada: a cavadinha (Foto: AFP)

Foto Destaque: Reprodução/Getty Images

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Pedro Hara
Desde sempre comunicativo, mas com joelhos que não aguentaram a rotina de atleta. A paixão por esportes sempre existiu, mas como aliar essa paixão a uma profissão? Foi então que surgiu o jornalismo. Das transmissões ao vivo na Rádio Universitária durante a faculdade, aos textos diários no Jornal Diário da Manhã. Passando pelas narrações do Campeonato Brasileiro Série D, além dos jogos das categorias de base em Goiás. Por fim, o site Esporte Goiano. Onde, além do futebol, tive contato com vários outros esportes. O sonho de cobrir uma Copa do Mundo/Olimpíadas segue vivo!

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